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Partidos Políticos: Algumas interpretações.

Enviado Segunda-feira, 25 de julho de 2011 às 17:28:23 | Nenhum comentário »

     O sistema democrático representativo consiste, formal e substancialmente, numa organização estatal fundada na existência de partidos políticos, considerados como órgãos de coordenação e manifestação da vontade popular, visto que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido.

     Sabemos que o cenário político brasileiro está complicado e difícil de ser analisado ou interpretado, mas o que se pode constatar nos últimos processos eleitorais, é que os arranjos, coligações ou composições políticas, norteiam-se cada vez mais pela questão fisiológica-carguista e não mais pela ideológica. Não pretendo entrar nesse mérito por enquanto, apenas trabalhar com algumas definições de partidos políticos, para que o leitor possa tirar suas interpretações.

     Segundo Edmund Burke, partido é: “um conjunto organizado de homens unidos para trabalhar em comum pelo interesse nacional, conforme o princípio particular com o qual se puseram em acordo”. Hans Kelsen diz que partidos “são formações que agrupam homens de mesma opinião para lhes garantir uma influência verdadeira sobre a gestão dos negócios públicos”.

     Para os cientistas políticos e sociólogos François Goguel e Georges Burdeau, respectivamente: “Um partido é um agrupamento organizado para participar na vida política, tendo em vista conquistar, parcial ou totalmente, o poder e de nele fazer prevalecer às idéias e os interesses dos seus membros”. “Constitui um partido todo agrupamento de indivíduos, que professando os mesmos pontos de vistas políticos, se esforçam para fazer prevalece-los, ao mesmo tempo juntando a eles o maior número possível de cidadãos e procurando conquistar o poder ou, pelo menos, influenciar suas decisões”.

     Max Weber afirma que “o partido constitui relações de tipo associativo, uma dependência fundada num recrutamento de forma livre. Seu objetivo é assegurar o poder a seus dirigentes no seio de um grupo institucionalizado, a fim de realizar um ideal ou de obter vantagens materiais para seus militantes”. Já o sociólogo, Daniel-Louis Seiler, analisa os partidos políticos como sendo “organizações visando mobilizar indivíduos numa ação coletiva conduzida contra outros, paralelamente mobilizados, a fim de alcançar, sozinhos ou em coalizão, o exercício das funções de governo”. 

      A tese marxista, desenvolvida por Lênin e Stalin, atribui aos partidos políticos uma existência precária e transitória, necessária apenas na fase evolutiva da sociedade, até alcançar o estágio superior da ordem comunista ideal. Completada a evolução, com o aniquilamento completo da ordem burguesa, a abolição da propriedade privada, a suspensão das desigualdades políticas e econômicas, o desaparecimento total da divisão social em classes antagônicas, então, os partidos políticos, mantidos como mal necessário, como elementos naturais das lutas pela transformação social, tenderiam a desaparecer, como o próprio Estado, que se transformará em simples órgão de administração do patrimônio comum.

     Podemos dizer que os partidos políticos asseguram o revezamento de homens e de idéias, que eles estabilizam o sistema ao torna-lo legítimos aos olhos dos cidadãos e, para alguns dentre eles, canalizam os descontentamentos, reforçando assim, a legitimidade do sistema. Efetivamente, os partidos políticos são peças necessárias, senão mesmo as vigas mestras do travejamento político e jurídico do Estado democrático.  Aliás, é generalizado o conceito simplista de democracia representativa como Estado de Partidos, ilustrando-se a idéia de que não se pode conceber esse sistema de governo sem a pluralidade de partidos políticos, isto é, sem a técnica do pluripartidarismo.

     O descrédito lançado sobre os partidos políticos existe quase desde o surgimento dos mesmos no cenário político, porém, sabemos que nenhuma democracia representativa do mundo funciona sem partidos e muito menos sem a competição entre eles. Evidentemente que esse modelo não é o ideal, principalmente porque nossos representantes acabam representando os próprios interesses, mas precisamos aperfeiçoar cada vez mais o sistema, até torna-lo efetivamente participativo. Uma tarefa que requer trabalho, conscientização e muita determinação.

 

Salvem os educadores!!

Enviado Segunda-feira, 20 de junho de 2011 às 11:37:13 | Nenhum comentário »

Trabalhar com educação hoje, realmente é uma grande experiência. Os educadores são verdadeiros heróis de guerra, numa batalha contínua contra a defasagem cognitiva, o analfabetismo, a alienação dos educandos, contra o desrespeito, a insensibilidade, a falta de limites, a drogadição e a violência generalizada. A exposição a essas mazelas é diária e constante, os desafios são inúmeros e a carga psicológica é gigantesca.

     Os educadores cumprem diversos papéis sociais (pais, médicos, psicólogos, etc.) atribuições que lhes são repassadas em virtude da desestruturação familiar, da desvalorização da educação, além da omissão do poder público com relação ao processo educacional, sem falar, no descrédito e humilhação dos profissionais da educação, que após anos de estudos e qualificação, são desmoralizados pelo sistema.

     Trabalhar com educação é missão, vocação, e toda missão é desafiadora e repleta de obstáculos, alguns mais acessíveis, outros quase intransponíveis, que requerem do educador enorme capacidade de diálogo, paciência, sensibilidade, criatividade e flexibilidade para lidar com momentos delicados e de tensão extrema. Exercer a atividade docente implica, para o professor ter uma ocupação que exige um alto nível de habilidade, preparo e conhecimento atualizado, ao mesmo tempo em que necessita praticar ações que desenvolvam competências cognitivas, afetivas e sociais.

     Atualmente, uma grande maioria dos educadores, no seu dia-a-dia, apresenta, em suas atividades pedagógicas, sentimentos de desmotivação, desencantamento, desilusão e inúmeras dificuldades para lidarem com situações-problema e conflitos, encontrados no ambiente educacional. Além disso, a enorme cobrança advinda da sociedade, da escola, dos pais e a própria exigência em permanecer atualizado a fim de responder às expectativas dos alunos, conduz o professor a buscar alternativas diferenciadas que qualifiquem sua prática.

     A insatisfação frente às circunstâncias desfavoráveis e os constantes obstáculos que necessita enfrentar diariamente para sobreviver, provocam sentimentos de indignação, impotência, irritabilidade, nervosismo, cansaço, desgaste físico e mental, tornando os professores mais vulneráveis ao stress. Os professores são os profissionais com os maiores índices de stress e exposição ao risco, devido à indisciplina e ao desinteresse dos alunos, que tem aumentado gradativamente nos últimos anos. Na escola, se reflete o comportamento da sociedade, que também está doente e muito mais violenta. Os valores éticos e morais degeneraram-se, as relações de convivência social estão conflituosas, radicalizadas, desarmônicas e isso afeta diretamente o comportamento dos alunos e contribui para o aumento da indisciplina e da violência escolar.

     De que forma os professores poderão se manter saudáveis se aquilo que eles fazem não é respeitado? A dignidade dos professores está em risco, cada vez mais comprometida e ameaçada pela humilhação, pelos péssimos salários e pela falta de respeito.

     Por favor, salvem os professores!

Conviver com as diferenças

Enviado Segunda-feira, 16 de maio de 2011 às 11:21:21 | Nenhum comentário »

       Conviver em sociedade implica em conviver com as diferenças e isso é inerente ao ser humano. O desafio desse convívio é complexo e precisa ser encarado como sendo uma necessidade humana, na medida em que respeitamos o próximo, abrimos espaço para que nossas diferenças também sejam respeitadas, ao entender e compreender o outro, abrimos uma porta para que o mesmo possa nos entender e compreender.

     Diferentes culturas, religiões, etnias, ideologias e tantas outras diversidades, são fatores que constituem um universo cada vez mais dinâmico, mais encantador, porém, lamentavelmente, cada vez menos harmônico. No momento em que pensamos em diferenças, é impossível não destacar as diferenças socioeconômicas, como fator determinante que rege a sociedade. O preconceito socioeconômico existe sim e não é difícil nos depararmos com situações em que pessoas menos favorecidas são discriminadas e desprezadas. Na sociedade moldada pelo capitalismo, a hipocrisia e a intolerância predominam, infelizmente.

    A rigor, a desigualdade no acesso aos meios para organizar a própria vida, acaba comprometendo a plena existência da pluralidade cultural. Isso porque se alguns grupos pertencentes a uma sociedade, ou algumas culturas se afirmam em detrimento de outras, é sinal de que uma parcela dessa diversidade está sendo reprimida, constrangida ou até mesmo excluída.

     O grande problema da “sociedade” em que vivemos é as pessoas aceitarem o que realmente é diversidade, aceitarem o que é diferente dos padrões estabelecidos pela própria sociedade, estes, na maioria das vezes, retrógrados, conservadores e discriminantes. Nem todas as diferenças são positivas. Quando elas se transformam em desigualdades, precisam ser encaradas criticamente, debatidas e de preferência abolidas. Esse é o caminho.

     Caminhar lado a lado por caminhos diferentes. Talvez isso seja o mais difícil nas relações interpessoais. É preciso ceder muitas vezes, doar, ser solidário e respeitar a privacidade do outro. Cativar pela liberdade, amar sem invadir, aceitar o novo, o desconhecido e aí desbravar uma nova relação de respeito, interação e cordialidade entre as pessoas.

     Ninguém vive sozinho, somos seres sociais, e, portanto, se faz necessário aceitar as diferenças e respeitar opiniões, por mais estranhas ou revolucionárias que sejam. É preciso reconhecer que podemos errar e corrigir e que nem sempre atendemos as expectativas dos outros. Devemos reconhecer que apesar de atitudes e valores reacionários, a sociedade contemporânea está mais inclusiva, aberta às diversidades, porém, ainda gera discussões e questionamentos. Devemos reconhecer que a pluralidade cultural representa o acúmulo das experiências e conquistas do ser humano. Saber conviver com as diferenças, eis o grande desafio e o sinal de amadurecimento, civilidade e conscientização da suposta sociedade civilizada.

Função Social da Escola

Enviado Segunda-feira, 21 de março de 2011 às 11:03:51 | Nenhum comentário »

     A função social da escola, nos meandros da Gestão Escolar, é um dos assuntos mais debatidos atualmente na educação. Vivemos um período de transformação na história da humanidade, cabendo à Escola a função de contribuir para o desenvolvimento das capacidades do sujeito e à construção das condições subjetivas de pensar e criar projetos de sociabilidade. Para tanto, a instituição escolar deve encontrar sentidos para agir de forma compartilhada, focando a sensibilidade dos sujeitos que compõem a comunidade escolar. As funções da escola estão voltadas a oferecer oportunidades educacionais valorizando a herança cultural e a (re)construção  do saber acumulado pela sociedade, ou seja, pela humanidade.

     Cada sociedade cria sua própria forma de educação e escolarização, em conformidade com suas características culturais. A função da escola está em realizar o processo educativo, visando o conhecimento, de acordo com os anseios dos alunos, sua cultura e da realidade de sua comunidade. A construção da cultura e da história de uma instituição precisa ser partilhada e depende de todos que dela fazem parte.

     Da escola, como estabelecimento de ensino, espera-se encontrar o cumprimento de sua função social na construção efetiva do ser (cidadão), oportunizando condições educativas favoráveis, visão de mundo ampla, com uma perspectiva crítica do futuro. Não se credita à Escola somente a responsabilidade pela preservação dos conhecimentos sistematizados, mas também, a responsabilidade de oportunizar um ambiente onde se divide e multiplica o processo de construção do conhecimento, buscando transformar o ambiente escolar num espaço especializado para o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos sujeitos que por ela passam. Valorizar a sensibilidade, responsabilidade, respeitabilidade, convivência através dos aspectos cognitivo, afetivo e social dos indivíduos, também é responsabilidade da escola.

    O objetivo da escola consiste em promover o pleno desenvolvimento Ser Humano, possibilitando que ele exerça sua cidadania, bem como promover sua qualificação para o trabalho, em segundo plano. Aí entra a função da escola técnica.

     A escola em sua diversidade trabalha para que seus alunos, sua comunidade consigam interagir com outras pessoas respeitando a diversidade cultural da sua comunidade escolar. Portanto se torna imprescindível essa parceria escola-comunidade, para o desenvolvimento das habilidades e competências dos alunos, no sentido que consigam pensar, criar, produzir, criticar e construir projetos de vida e sociabilidade.

     Neste viés, a escola necessita aprimorar-se para cumprir com seu papel na sociedade. Isto se concretiza através das parcerias e trocas de experiências. Partindo desse pressuposto, os indivíduos podem ampliar seus conhecimentos e a capacidade de auxiliar para uma educação promissora, na qual todos possam colher bons frutos e exercer sua cidadania, fortalecendo uma educação justa, mais humana e igualitária.

     As funções da escola são expressas basicamente no que se refere à inclusão social, da qual a mesma se apropria, incorpora as heranças culturais dos educandos, construindo condições para a intervenção e mediação do processo de construção do conhecimento.

     A função da Escola deve estar inserida numa perspectiva crítica, que procura desenvolver o ser humano na sua totalidade, biológica, afetiva, estética, material e lúdica. Esse é o grande desafio das instituições educacionais de perfil político pedagógico progressista, criar mecanismos e espaços de participação, democracia, compartilhamento, autonomia e descentralização, na construção de um processo de gestão democrática.

Violência

Enviado Segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 às 11:46:48 | Nenhum comentário »

     É inegável que a violência é a grande mazela da sociedade contemporânea. Multifacetada, camuflada ou escancarada ela é a responsável pelo estado de medo e pavor a que todos nós (sem distinção) estamos submetidos diuturnamente; atemorizados, trancafiados, fragilizados e indefesos perante o caos da insegurança pública.

     Seja violência física, mental, econômica ou verbal o que presenciamos é anti-racional, insano e anormal, muito próximo do grau mais avançado da bestialidade humana; um desencanto pelo ser humano, pelo próximo e pela vida. Uma chaga que se aprofunda e que dói demais para nós mortais. Um câncer que enraíza e expande-se rapidamente apodrecendo as “relações humanas” já tão deterioradas pelo sistema – pelo individualismo, pela desigualdade e pela competição.

     Algumas pesquisas apontam que a sociedade brasileira já integra as mais violentas do mundo – com altíssimos índices de violência urbana, doméstica, violência contra a mulher e a mais dolorosa, contra crianças indefesas.

     Segundo o especialista Percival de Souza “(...) violência não quer dizer apenas criminalidade. A violência tem outros componentes, menos visíveis, mas não menos danosos. Um deles é a insensibilidade (indiferença), como se fossemos anestesiados. (...) o que está nas leis não está nas ruas. E o que está nas ruas nem sempre está nas leis. O resultado disso é que vivemos cercados de teorias, de sinais e comportamentos com os quais nos acostumamos, ao menos instintivamente. Foi assim que cresceram os muros, os esquemas de proteção, alterando completamente a arquitetura das cidades. As grades nas janelas tornaram-se obrigatórias, os cacos de vidro tomaram conta dos muros, os alarmes em toda parte”.

     Quando o limite do tolerável, do aceitável e do suportável vem sendo ultrapassado no dia-dia, por fatos e acontecimentos bizarros, irracionais, é sinal de que alguma coisa vai muito mal, de que o sistema e a sociedade estão doentes e o diagnóstico é terrível.

     Para Alba Zaluar “(...) quando a taxa de crimes, especialmente os acompanhados de violência, chega a um patamar muito elevado, o medo da população e a insegurança ameaçam a qualidade de vida conquistada a duras penas em décadas de desenvolvimento e de reivindicações sociais. (...) as pessoas, trancadas em casa, seja na favela, no bairro popular, no de classe média, deixam de se organizar, participam pouco das decisões locais que afetam suas vidas, convivem pouco entre si. Muitas se trancafiam, armam-se e preparam-se para enfrentar os próximos perigos como se estivessem numa guerra. Uma estranha guerra em que não há inimigos claros e o assaltante pode ser o filho do vizinho, que rouba para pagar seus vícios, ou o policial corrompido que o extorque. O resultado é o desrespeito generalizado pelas regras de convivência social”.

     A pobreza não é a causa da violência. Mas quando aliada à dificuldade dos governos em oferecer políticas públicas de qualidade, transforma os bairros mais empobrecidos em lugares atraentes para a criminalidade e a ilegalidade.

     Em Caxias do Sul, por exemplo, temos sérios problemas na área de segurança pública. A cidade cresce rápida e desordenadamente, contribuindo para aumentar os cinturões de miséria que aqui se estabelecem. A atual administração defendeu uma proposta “diferenciada” em relação à segurança, tendo-a como carro-chefe durante campanha. Tardiamente foi criada a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Proteção Social; um instrumento que tem se mostrado inoperante, ineficiente e equivocado.

     Sabemos que segurança é dever e obrigação do Estado, mas a gestão municipal (se eficiente) pode contribuir e muito para garantir a integridade, a tranqüilidade e a vida da comunidade; basta ter políticas públicas de qualidade e vontade política para interferir nesse processo.

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