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O Senado Condenado

Enviado Segunda-feira, 06 de abril de 2009 às 10:45:45 | 1 comentário »

 

     O Senado brasileiro, instituição legislativa criada pela Constituição Imperial de 1824, vem dando demonstrações de que não merece o mínimo respeito por parte da população brasileira. À novela do Senado (Falcatruas) exibida em horário nobre diariamente durante as últimas semanas, é o exemplo claro da pilantragem, da falta de decoro e da corrupção que estão impregnados na casa do povo. Não é nenhuma surpresa a conduta dos parlamentares, a ação corporativa e as imorais prerrogativas dos mesmos quando o assunto é a manutenção de seus privilégios. Com uma reputação de bordel ou de um grande mercadão, sem constrangimentos ou escrúpulos, a camarilha afronta a todos acreditando que diante de uma sociedade apática e alienada, nada acontecerá e tudo seguirá em frente da mesma maneira, no mesmo lamaceiro.

     Comprovadamente o Senado não é uma instituição séria, pelo contrário, é ociosa (na medida em que projetos e emendas constitucionais estão atravancadas, paralisadas) é onerosa (senadores desfrutando de todo conforto, luxo e mordomias) e corporativa (quando o que predomina são os interesses da classe política em detrimento das demandas e necessidades das classes menos favorecidas), enfim, uma instituição verdadeiramente inoperante, ineficaz e inescrupulosa. Isso não é de agora, nós sabemos muito bem que o cenário político brasileiro sempre foi perverso; o jogo do empurra-empurra, o balcão de negócios, o toma lá dá cá, as cartas marcadas, são características desse cenário. Um episódio abafa o outro e a população não se dá conta ou assiste a tudo imobilizada.

      Cada vez fico mais convicto de que o Senado não precisaria existir no Brasil, uma vez que já possuímos um poder legislativo em Brasília, que é a Câmara dos Deputados e as matérias importantes para a população brasileira poderiam entrar em vigor com muito mais agilidade. Hoje o Senado é muito mais um órgão consultivo do que legislativo e isso pode muito bem ser realizado por uma Comissão Consultiva da própria Câmara. Não há nada que o Senado faça, que a Câmara dos Deputados não faça. Quanto o governo não economizaria?

     Segundo o artigo do matemático e diretor da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, “levantamento recente demonstra que o Senado é a Casa Legislativa mais cara por membro entre doze países pesquisados: a manutenção do Senado custa R$ 33,1 milhões por mandato de seus 81 integrantes. Esse dinheiro não vai todo diretamente para cada senador, mas paga uma estrutura que inclui funcionários, gráfica, TV, rádio, jornal e outros serviços basicamente voltados para a autopromoção dos senadores”.  Quanto desperdício! Quanto dinheiro jogado fora! 

     Mergulhados em uma crise política, ética e moral, os nossos “ilustres” senadores cada vez mais aprofundam o descrédito e a desconfiança por parte dos cidadãos brasileiros que gostariam de ver outro final para essa novela de falcatruas, onde o vilão fosse punido, até para servir de exemplo há uma sociedade tão empobrecida de valores e de respeito.

 

 

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