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Violência

Enviado Segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 às 11:46:48 | Nenhum comentário »

     É inegável que a violência é a grande mazela da sociedade contemporânea. Multifacetada, camuflada ou escancarada ela é a responsável pelo estado de medo e pavor a que todos nós (sem distinção) estamos submetidos diuturnamente; atemorizados, trancafiados, fragilizados e indefesos perante o caos da insegurança pública.

     Seja violência física, mental, econômica ou verbal o que presenciamos é anti-racional, insano e anormal, muito próximo do grau mais avançado da bestialidade humana; um desencanto pelo ser humano, pelo próximo e pela vida. Uma chaga que se aprofunda e que dói demais para nós mortais. Um câncer que enraíza e expande-se rapidamente apodrecendo as “relações humanas” já tão deterioradas pelo sistema – pelo individualismo, pela desigualdade e pela competição.

     Algumas pesquisas apontam que a sociedade brasileira já integra as mais violentas do mundo – com altíssimos índices de violência urbana, doméstica, violência contra a mulher e a mais dolorosa, contra crianças indefesas.

     Segundo o especialista Percival de Souza “(...) violência não quer dizer apenas criminalidade. A violência tem outros componentes, menos visíveis, mas não menos danosos. Um deles é a insensibilidade (indiferença), como se fossemos anestesiados. (...) o que está nas leis não está nas ruas. E o que está nas ruas nem sempre está nas leis. O resultado disso é que vivemos cercados de teorias, de sinais e comportamentos com os quais nos acostumamos, ao menos instintivamente. Foi assim que cresceram os muros, os esquemas de proteção, alterando completamente a arquitetura das cidades. As grades nas janelas tornaram-se obrigatórias, os cacos de vidro tomaram conta dos muros, os alarmes em toda parte”.

     Quando o limite do tolerável, do aceitável e do suportável vem sendo ultrapassado no dia-dia, por fatos e acontecimentos bizarros, irracionais, é sinal de que alguma coisa vai muito mal, de que o sistema e a sociedade estão doentes e o diagnóstico é terrível.

     Para Alba Zaluar “(...) quando a taxa de crimes, especialmente os acompanhados de violência, chega a um patamar muito elevado, o medo da população e a insegurança ameaçam a qualidade de vida conquistada a duras penas em décadas de desenvolvimento e de reivindicações sociais. (...) as pessoas, trancadas em casa, seja na favela, no bairro popular, no de classe média, deixam de se organizar, participam pouco das decisões locais que afetam suas vidas, convivem pouco entre si. Muitas se trancafiam, armam-se e preparam-se para enfrentar os próximos perigos como se estivessem numa guerra. Uma estranha guerra em que não há inimigos claros e o assaltante pode ser o filho do vizinho, que rouba para pagar seus vícios, ou o policial corrompido que o extorque. O resultado é o desrespeito generalizado pelas regras de convivência social”.

     A pobreza não é a causa da violência. Mas quando aliada à dificuldade dos governos em oferecer políticas públicas de qualidade, transforma os bairros mais empobrecidos em lugares atraentes para a criminalidade e a ilegalidade.

     Em Caxias do Sul, por exemplo, temos sérios problemas na área de segurança pública. A cidade cresce rápida e desordenadamente, contribuindo para aumentar os cinturões de miséria que aqui se estabelecem. A atual administração defendeu uma proposta “diferenciada” em relação à segurança, tendo-a como carro-chefe durante campanha. Tardiamente foi criada a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Proteção Social; um instrumento que tem se mostrado inoperante, ineficiente e equivocado.

     Sabemos que segurança é dever e obrigação do Estado, mas a gestão municipal (se eficiente) pode contribuir e muito para garantir a integridade, a tranqüilidade e a vida da comunidade; basta ter políticas públicas de qualidade e vontade política para interferir nesse processo.

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