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Israel X Palestina

Enviado Segunda-feira, 19 de janeiro de 2009 às 09:14:55 | Nenhum comentário »
Até meados do século XX, os judeus viviam espalhados pelo mundo, eram um povo sem pátria. Várias lideranças, entre elas Theodor Herzl (movimento sionista), passaram a incentivar e instigar a aquisição de terras na Palestina, com o objetivo de ali estabelecer e consolidar um Estado judeu independente. Milhares de judeus migraram para a Palestina, na tentativa de escapar do terror nazista. A perseguição nazista e o extermínio em massa dos judeus acabariam por sensibilizar as grandes lideranças e a opinião pública internacional, favorecendo a decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) de aprovar a criação de um Estado judeu na Palestina, em 29 de novembro de 1947.
     Em maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel, pelo líder David Bem Gurion que, aproveitando a resolução da ONU, promoveu a imigração em massa para Israel dos judeus espalhados pelo mundo. A chegada desses judeus provocou conflitos com a população árabe-palestina, que representava a maioria dos habitantes e que discordava da resolução da ONU sobre a criação do Estado Judaico. Os judeus, entretanto, por meio de grupos terroristas, expulsaram os árabes palestinos que se abrigavam em países vizinhos, e os que permaneceram sob jurisdição judaica perderam seus direitos, sendo considerados cidadãos de segunda categoria. Dessa forma, iniciou-se a longa série de conflitos entre os povos árabes vizinhos e os israelenses, que ocupavam a região mediante atitudes terroristas.
     Aproveitando o apoio norte-americano nos planos político e econômico, Israel ampliou seu território com confrontos armados, que se arrastam até nossos dias, impulsionados pela diversidade étnica e religiosa, pelo petróleo, pela intransigência e intolerância política na disputa pelo poder. Tal intransigência provocou, em 1987, uma rebelião popular conhecida como intifada, motivada pelo atropelamento e morte de quatro palestinos por um caminhão do exército israelense. Numa demonstração de coragem, adolescentes, crianças, idosos e mulheres enfrentaram os soldados inimigos apenas com paus e pedras.
     Hoje, é grande a preocupação dos judeus com o aumento da população árabe nos territórios ocupados e dentro de suas fronteiras. Os conflitos parecem aguçarem-se cada vez mais. Parte-se para a bestialização da guerra: de um lado o gigante Israel, “o povo escolhido por Deus”, com armas sofisticadas, soldados equipados e treinados, tanques e aviões com enorme poder destrutivo; do outro lado está o indefeso anão palestino, brigando com pedras e pedaços de pau e tendo como escudo protetor à própria pele. Segundo o escritor e romancista português José Saramago, “as pedras de Davi mudaram de mãos, agora são os palestinos que as arremessam. Golias está do outro lado, armado e equipado como nunca jamais esteve soldado algum na história das guerras, afora claro, o amigo norte-americano. Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos chamados terroristas suicidas... horrendas, sim, sem dúvida; condenáveis, sim, sem dúvida; mas a Israel ainda resta muito por aprender se não é capaz de entender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se em um bomba”.
     Pretende-se criar um Estado Palestino? Talvez sim. Porém, um Estado vago, sem fronteiras, suscetível às aspirações de Israel, ao mesmo tempo em que se mantêm um muro divisor na faixa de Gaza, não o muro das lamentações, mas o muro da intolerância, da insensatez e do horror.
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