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Nas periferias das grandes cidades cresce a violência, a miséria e a marginalidade. Crianças e jovens são vítimas do sistema, modelo excludente, injusto e decadente.
A vulnerabilidade desses adolescentes e jovens, expressa, também, por inúmeros índices relacionados à violência, demonstra também a ineficácia, a insuficiência ou o equivoco das políticas públicas.
Apesar de mais da metade dos jovens não considerarem sua escola violenta, ainda percebe-se a ocorrência de situações e de atitudes de violência na escola. As práticas de violência podem ser compreendidas no interior das escolas e na interpretação dos atores envolvidos como uma resposta às precárias condições de sobrevivência com as quais comunidades excluídas se defrontam. Sabemos que essas práticas dentro da escola não acontecem isoladamente e que, pelo contrário demonstram o quanto a escola é vulnerável e reflexo da sociedade na qual se insere.
A “sociedade” se omite, o Estado repassa responsabilidades, a família desestruturada, enquanto a escola acaba sendo sobrecarregada e na maioria das vezes condenada ao fracasso e a inoperância.
Quando me refiro à escola de periferia direciono a atenção para um local que apresenta uma problemática bem complexa, desafiadora e preocupante. Nessas escolas, o contexto sócio-econômico e político interfere no trabalho do professor e no processo de aprendizagem dos alunos. Nos professores, gera sentimentos de frustração, insatisfação e angústia, porque não conseguem desenvolver o que planejam, enfrentam situações imprevistas que acabam desestabilizando o trabalho de sala de aula.
Já para a grande maioria dos alunos, apesar de toda complexidade sócio-econômica e cultural, a escola pública de periferia, ainda é uma referência, ou seja, um equipamento social fundamental para a criação de espaços de participação democrática, onde se ampliem a rede de possibilidades, desses jovens, na direção da construção e inserção dos mesmos à cidadania, ampliando as suas perspectivas de futuro.
A periferia por si só já é rotulada, discriminada e maculada pelo fato de ser periferia, habitada por pessoas normalmente com perfil sócio-econômico baixo, que lutam para sobreviver, enfrentando diariamente inúmeras mazelas, problemas terríveis, que somados ao preconceito e a indiferença, contribuem para agravar a situação. Associa-se periferia as ideias de pobreza e criminalidade. O desemprego, a fome, a droga, a baixa escolaridade, a promiscuidade, representam também algumas dessas mazelas. Há violência e traficantes, mas grande parte dos que lá residem são trabalhadores assalariados que, se pudessem, viveriam em condições e lugares melhores.
O preconceito também existe e é uma barreira que dificulta ainda mais o respeito aos direitos humanos nessas comunidades, o que acaba resultando na baixa auto-estima e autoconfiança dos moradores e refletido diretamente nas crianças e jovens dessas comunidades.
Qual será a solução para essa perversa realidade? Eu acredito na valorização da educação e da escola, pois ela é o espaço público de maior abrangência para crianças, adolescentes e jovens de grupos populares urbanos e, por isso, um instrumento importante na construção da cidadania, de referenciais democráticos e da dignidade do ser humano.
