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Violência

Enviado Sexta-feira, 23 de maio de 2008 às 11:30:26 | Nenhum comentário »
É inegável que a violência é a grande mazela da sociedade contemporânea. Multifacetada, camuflada ou escancarada ela é a responsável pelo estado de medo e pavor a que todos nós (sem distinção) estamos submetidos diuturnamente; atemorizados, trancafiados, fragilizados e indefesos perante o caos da insegurança pública.
     Seja violência física, mental, econômica ou verbal o que presenciamos é anti-racional, insano e anormal, muito próximo do grau mais avançado da bestialidade humana; um desencanto pelo ser humano, pelo próximo e pela vida. Uma chaga que se aprofunda e que dói demais para nós mortais. Um câncer que enraíza e expande-se rapidamente apodrecendo as “relações humanas” já tão deterioradas pelo sistema – pelo individualismo, pela desigualdade e pela competição.
     Algumas pesquisas apontam que a sociedade brasileira já integra as mais violentas do mundo – com altíssimos índices de violência urbana, doméstica, violência contra a mulher e a mais dolorosa, contra crianças indefesas.
     Segundo o especialista Percival de Souza “(...) violência não quer dizer apenas criminalidade. A violência tem outros componentes, menos visíveis, mas não menos danosos. Um deles é a insensibilidade (indiferença), como se fossemos anestesiados. (...) o que está nas leis não está nas ruas. E o que está nas ruas nem sempre está nas leis. O resultado disso é que vivemos cercados de teorias, de sinais e comportamentos com os quais nos acostumamos, ao menos instintivamente. Foi assim que cresceram os muros, os esquemas de proteção, alterando completamente a arquitetura das cidades. As grades nas janelas tornaram-se obrigatórias, os cacos de vidro tomaram conta dos muros, os alarmes em toda parte”.
     Quando o limite do tolerável, do aceitável e do suportável vem sendo ultrapassado no dia-dia, por fatos e acontecimentos bizarros, irracionais, é sinal de que alguma coisa vai muito mal, de que o sistema e a sociedade estão doentes e o diagnóstico é terrível.
     Para Alba Zaluar “(...) quando a taxa de crimes, especialmente os acompanhados de violência, chega a um patamar muito elevado, o medo da população e a insegurança ameaçam a qualidade de vida conquistada a duras penas em décadas de desenvolvimento e de reivindicações sociais. (...) as pessoas, trancadas em casa, seja na favela, no bairro popular, no de classe média, deixam de se organizar, participam pouco das decisões locais que afetam suas vidas, convivem pouco entre si. Muitas se trancafiam, armam-se e preparam-se para enfrentar os próximos perigos como se estivessem numa guerra. Uma estranha guerra em que não há inimigos claros e o assaltante pode ser o filho do vizinho, que rouba para pagar seus vícios, ou o policial corrompido que o extorque. O resultado é o desrespeito generalizado pelas regras de convivência social”.
     A pobreza não é a causa da violência. Mas quando aliada à dificuldade dos governos em oferecer políticas públicas de qualidade, transforma os bairros mais empobrecidos em lugares atraentes para a criminalidade e a ilegalidade.
    Em Caxias do Sul, por exemplo, temos sérios problemas na área de segurança pública. A cidade cresce rápida e desordenadamente, contribuindo para aumentar os cinturões de miséria que aqui se estabelecem. A atual administração defendeu uma proposta “diferenciada” em relação à segurança, tendo-a como carro-chefe durante campanha. Tardiamente foi criada a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Proteção Social; um instrumento que tem se mostrado inoperante, ineficiente e equivocado.
     Sabemos que segurança é dever e obrigação do Estado, mas a gestão municipal (se eficiente) pode contribuir e muito para garantir a integridade, a tranqüilidade e a vida da comunidade; basta ter políticas públicas de qualidade e vontade política para interferir nesse processo.

Cultura made in USA

Enviado Sexta-feira, 09 de maio de 2008 às 16:37:50 | Nenhum comentário »
Gradativamente, o Brasil vem sofrendo um processo de invasão cultural norte-americana, que se acentua escandalosamente e contribui para a manipulação coletiva da consciência das pessoas, além da padronização de gostos, hábitos e etiquetas, por meio do consumo. Muitas coisas contribuem para isso. As indústrias nacionais de bens de consumo materiais, que surgiram ligadas ao capital norte-americano, os setores de comunicação de massa, constituídos com investimentos diretos de multinacionais, o capital nacional, com tecnologia e modelos de produção oriundos dos Estados Unidos, importação de filmes, músicas, heróis de revistas em quadrinhos, Coca-Cola, Mc’Donalds... Trata-se da ausência física do invasor e a imposição de sua cultura pelo consumo, e não da escravidão, dando-nos a sensação de liberdade e autodeterminação, quando estamos nos tornando americanizados.
     Segundo a historiadora Júlia Falivene Alves, “o povo brasileiro não tem consciência plena de que essa imposição de hábitos, modos e valores se realiza por processos artificiais, beneficiando as grandes multinacionais norte-americanas e garantindo nosso alinhamento político aos EUA. Trata-se enfim, de uma penetração cultural, fruto de um planejamento cuidadosamente elaborado pelo governo norte-americano (mas essencialmente pacífica, no sentido de não-utilização de força material ou bélica), da qual nem sempre nos damos conta, mas que cerra nossos olhos e ouvidos e nos anestesia a razão e os sentidos para outras formas estrangeiras de arte, literatura, tecnologia, lazer, etc...”.
     A língua inglesa é a que mais ouvimos, lemos e falamos no Brasil, apesar de estarmos cercados por países de língua espanhola. A presença do inglês é maciça e se faz presente nas músicas mais tocadas pelas FMs, nos filmes ou nas locadoras, assim como nas palavras abrasileiradas em sua escrita que se tornaram familiarizadas, como office-boy, show, slogan, drink, hot-dog, milk-shake, entre outros nomes que já fazem parte da rotina de milhões de brasileiros.
     O americanismo tornou-se a nossa segunda nacionalidade, literalmente nossa “segunda pele”, que vestimos alienadamente, sem nos darmos conta de que cada vez se torna mais difícil à procura, reencontro e a construção da nossa própria identidade. A cultura também se tornou indústria (mercadoria), a exemplo da educação e da saúde. Não foram apenas os bens materiais que passaram a ser produzidos em série; todos os aspectos culturais referentes à esfera do conhecimento, à expressão de sentimentos, exteriorização de fantasias e comunicação de experiências, passaram a receber tratamento industrial.
     Júlia Alves salienta em sua obra A Invasão Cultural Norte-Americana que “a literatura, a arte, a religião, a ciência, atividades lúdicas, humor, etc..., passaram a ser vistos pelos interesses capitalistas como outras (novas) possibilidades de produção de lucro, sendo por isso também tratados segundo as regras do mercado. Artistas, cientistas, pensadores, tecnocratas e comunicólogos foram contratados como trabalhadores assalariados a serviço de tecnologias avançadas, vendendo sua força de trabalho para produzirem” cultura enlatada “, rotulada, disposta em prateleiras com etiqueta de preço e anunciada em cartazes à disposição de fregueses em potencial...”.

     Nós brasileiros somos vítimas de uma cultura de massa que nos é imposta, nos aliena, padroniza nossos gostos e valores, manipula-nos ideologicamente e submete-nos aos desejos e anseios dos grandes capitalistas norte-americanos, em especial.    

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