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Educação e Civilidade

Enviado Segunda-feira, 24 de maio de 2010 às 16:54:23 | Nenhum comentário »

"Minha intenção, meu objetivo de vida como educador, é trabalhar com toda dedicação para a construção de um mundo melhor, de uma "sociedade" mais harmônica e humanizada, onde todas as pessoas possam viver com um mínimo de decência e dignidade. Tamanha pretensão a mina. Não acham?

Por vezes me sinto impotente e penso estar cada vez mais distante desse objetivo, principalmente quando me deparo com certos abusos ou absurdos, com a insensibilidade das autoridades, com a ganância desenfreada e a mediocridade de muitas pessoas, com a falta de consciência, educação e civilidade da nossa "sociedade". Pergunto-me frequentemente. Que mundo estamos construindo? Ou será que estamos destruindo? Qual caminho estamos percorrendo? Onde iremos chegar? Indagações que me inquietam, que não permitem que eu me acomode, que me incitam a pensar, questionar e refletir.

Enquanto alguns esbanjam, consomem incessantemente, a maioria passa necessidades, infelizmente. Sem ter o que comer, o que vestir, onde morar e estudar, maltratados pela própria existência, crianças jogadas na marginalidade, sem piedade, condenados pela ignorância, pobre sobrevivência. Crucificados pelo sistema, que submete a maioria à exclusão e torna o mundo cada vez mais cruel, violento, inseguro, doentio e deformado em seus valores.

Tarefa árdua, à de lutar por um mundo mais humano no meio de tanta bestialidade. Que mundo mais humano? Se o próprio homem desconhece suas qualidades de ser humano.

Estamos vivendo em uma era violenta; sofremos violências cada vez maiores e mais constantes, assistimos quotidianamente manifestações de violência, que já entra em nossas casas, muda nossas vidas, nossos valores, nossas famílias, nossos comportamentos. A violência é um sinal, um sintoma de uma "sociedade" que não criou apreço pelos valores e acabou formando adultos sem referencias de cidadania e de respeito pelo próximo. A violência é a marca de uma "sociedade" excludente, que exclui em todos os sentidos, até afetivos.

A solução. Será que existe? A longo prazo talvez com uma verdadeira revolução na maneira de educar nossas crianças e jovens. Muito mais importante do que favorecer uma avalanche de conhecimentos e informações está o fato de nós os formarmos enquanto pessoas humanas, incentivando-os a darem o melhor de si. Devemos juntos, educadores, pais e responsáveis, tomar essa atitude diante de nossas crianças, tornando isso nossa missão: colaborarmos para a formação humana integral das mesmas. Estimulando valores e no dia a dia poderemos comprovar isso. À medida que a criança for utilizando a intensa capacidade amorosa que existe dentro dela, germinarão os valores humanos em seu coração, o que se refletirá no comportamento familiar, social e profissional.

Independentemente de dificuldades, sofrimentos e decepções que, como todo ser humano, ela encontrar em sua trajetória sobre a terra, será feliz. Porque felicidade, afinal, não é estar radiante de alegria e de bom humor diariamente, mas permanecer em harmonia com sua natureza humana. As leis da natureza humana só serão cumpridas quando conseguirmos ser leais à verdade, o que nos levará à retidão, à qual nos proporcionará a paz. Estando em paz, torna-se possível para nós viver e entender o verdadeiro amor incondicional. Com esses valores aflorados, somos capazes de praticar a não-violência, que é a abstenção de ferir o outro pelo pensamento, palavra ou ação.

Só assim, talvez consigamos construir um mundo mais humano, justo, solidário e harmonioso, onde impere o amor, o respeito e a felicidade de todos.

Os vilões da história

Enviado Segunda-feira, 03 de maio de 2010 às 13:44:07 | Nenhum comentário »
Pioneiros e legítimos descobridores e desbravadores da América, os índios, vivendo com suas crenças, deuses, tradições e costumes, gradativamente foram sendo exterminados, roubados e expropriados de suas terras, num processo justificado pelo branco europeu de “civilizatório e catequizante”, mas que na verdade, serviu de fachada para encobrir atrocidades, latrocínios e aberrações cometidas por ele. Nas áreas coloniais, os países europeus promoveram o reaparecimento da escravidão. A partir daí, ocorria necessariamente à adequação do novo escravismo às exigências e as bases do pré-capitalismo nascente. No sistema colonial tradicional, o elemento escravo é “mercadoria” importante na dinamização do mercantilismo.
     A América não era, porém, uma terra de ninguém. Sua história começara bem antes de os europeus iniciarem a conquista. Era habitada por povos de diferentes culturas. O europeu “civilizado”, “cristianizado”, na realidade não passou de um assassino violento, injusto e hipócrita, a serviço de uma nobreza parasitária. Os invasores agiam como donos do mundo, guardas da civilização contra os perigos da barbárie, misturando interesses econômicos com o ato de “civilizar”, sempre sob o manto sagrado da Igreja Católica, ou seja, civilizar com a cruz utilizando a espada. Em nome da Igreja, os índios foram exterminados e entraram para a história como vilões, vadios, bêbados, indigentes, homens sem cultura e alma.
     Chiparopai, uma velha índia Yuma, no livro Pés nus sobre a terra sagrada, fala das mudanças que presenciou com a chegada dos homens: “A doença veio com o homem branco e centenas de nós morreram. Onde está a nossa força?... nos velhos tempos éramos saudáveis. Costumávamos caçar e pescar. Plantávamos um pouco de milho e melões. Comemos a comida do homem branco e ela nos deixa fracos. Vestimos as pesadas roupas do homem branco e elas nos deixam doentes. Fomos culpados de um só pecado – possuir o que o branco cobiçava. Os brancos não se importam com as sorte dos índios, só querem satisfazer a própria voracidade, não se importam com a natureza, com os pássaros, com as arvores, com o próprio homem, são irracionais. Gostaria de acreditar que nossas gerações futuras não mais sentirão os efeitos das medidas opressivas que nos foram impostas de maneira tão pouco liberal; e que a paz e a felicidade serão sua recompensa. O homem branco, na sua insensibilidade à natureza, tem dessacralizado à face da Mãe-Terra”.
     A capacidade tecnológica do homem resulta desta falta de consideração pelo caminho espiritual e modo de ser das coisas vivas. Seu desejo de poder e riqueza material o impede de raciocinar sobre o mal e a dor que causa ao mundo. O passado machuca, mas não pode ser esquecido. Tantos povos e culturas se perderam devido à ação indiscriminada do que hoje são os heróis da nossa história e constam nos livros como bravos homens que proporcionaram o avanço da civilização e do cristianismo em terras repletas de bárbaros. Se o branco quer viver em paz com o índio, basta que todos sejam tratados com igualdade, que a mesma lei se aplique a todos. Como dizia um grande chefe indígena no início do século XIX: “... assim como os rios não voltam para trás, não se pode esperar que um homem que nasceu livre se contente em viver confinado e sem liberdade de ir onde quiser. Se amarrarem um cavalo num poste, esperam que ele engorde e cresça? Se confinarem o índio num pequeno pedaço de terra e o forçarem a permanecer ali, ele não se conformará e não irá crescer e prosperar”.  
 
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