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"Minha intenção, meu objetivo de vida como educador, é trabalhar com toda dedicação para a construção de um mundo melhor, de uma "sociedade" mais harmônica e humanizada, onde todas as pessoas possam viver com um mínimo de decência e dignidade. Tamanha pretensão a mina. Não acham?
Por vezes me sinto impotente e penso estar cada vez mais distante desse objetivo, principalmente quando me deparo com certos abusos ou absurdos, com a insensibilidade das autoridades, com a ganância desenfreada e a mediocridade de muitas pessoas, com a falta de consciência, educação e civilidade da nossa "sociedade". Pergunto-me frequentemente. Que mundo estamos construindo? Ou será que estamos destruindo? Qual caminho estamos percorrendo? Onde iremos chegar? Indagações que me inquietam, que não permitem que eu me acomode, que me incitam a pensar, questionar e refletir.
Enquanto alguns esbanjam, consomem incessantemente, a maioria passa necessidades, infelizmente. Sem ter o que comer, o que vestir, onde morar e estudar, maltratados pela própria existência, crianças jogadas na marginalidade, sem piedade, condenados pela ignorância, pobre sobrevivência. Crucificados pelo sistema, que submete a maioria à exclusão e torna o mundo cada vez mais cruel, violento, inseguro, doentio e deformado em seus valores.
Tarefa árdua, à de lutar por um mundo mais humano no meio de tanta bestialidade. Que mundo mais humano? Se o próprio homem desconhece suas qualidades de ser humano.
Estamos vivendo em uma era violenta; sofremos violências cada vez maiores e mais constantes, assistimos quotidianamente manifestações de violência, que já entra em nossas casas, muda nossas vidas, nossos valores, nossas famílias, nossos comportamentos. A violência é um sinal, um sintoma de uma "sociedade" que não criou apreço pelos valores e acabou formando adultos sem referencias de cidadania e de respeito pelo próximo. A violência é a marca de uma "sociedade" excludente, que exclui em todos os sentidos, até afetivos.
A solução. Será que existe? A longo prazo talvez com uma verdadeira revolução na maneira de educar nossas crianças e jovens. Muito mais importante do que favorecer uma avalanche de conhecimentos e informações está o fato de nós os formarmos enquanto pessoas humanas, incentivando-os a darem o melhor de si. Devemos juntos, educadores, pais e responsáveis, tomar essa atitude diante de nossas crianças, tornando isso nossa missão: colaborarmos para a formação humana integral das mesmas. Estimulando valores e no dia a dia poderemos comprovar isso. À medida que a criança for utilizando a intensa capacidade amorosa que existe dentro dela, germinarão os valores humanos em seu coração, o que se refletirá no comportamento familiar, social e profissional.
Independentemente de dificuldades, sofrimentos e decepções que, como todo ser humano, ela encontrar em sua trajetória sobre a terra, será feliz. Porque felicidade, afinal, não é estar radiante de alegria e de bom humor diariamente, mas permanecer em harmonia com sua natureza humana. As leis da natureza humana só serão cumpridas quando conseguirmos ser leais à verdade, o que nos levará à retidão, à qual nos proporcionará a paz. Estando em paz, torna-se possível para nós viver e entender o verdadeiro amor incondicional. Com esses valores aflorados, somos capazes de praticar a não-violência, que é a abstenção de ferir o outro pelo pensamento, palavra ou ação.
Só assim, talvez consigamos construir um mundo mais humano, justo, solidário e harmonioso, onde impere o amor, o respeito e a felicidade de todos.
