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Conviver com as diferenças

Enviado Segunda-feira, 16 de maio de 2011 às 11:21:21 | Nenhum comentário »

       Conviver em sociedade implica em conviver com as diferenças e isso é inerente ao ser humano. O desafio desse convívio é complexo e precisa ser encarado como sendo uma necessidade humana, na medida em que respeitamos o próximo, abrimos espaço para que nossas diferenças também sejam respeitadas, ao entender e compreender o outro, abrimos uma porta para que o mesmo possa nos entender e compreender.

     Diferentes culturas, religiões, etnias, ideologias e tantas outras diversidades, são fatores que constituem um universo cada vez mais dinâmico, mais encantador, porém, lamentavelmente, cada vez menos harmônico. No momento em que pensamos em diferenças, é impossível não destacar as diferenças socioeconômicas, como fator determinante que rege a sociedade. O preconceito socioeconômico existe sim e não é difícil nos depararmos com situações em que pessoas menos favorecidas são discriminadas e desprezadas. Na sociedade moldada pelo capitalismo, a hipocrisia e a intolerância predominam, infelizmente.

    A rigor, a desigualdade no acesso aos meios para organizar a própria vida, acaba comprometendo a plena existência da pluralidade cultural. Isso porque se alguns grupos pertencentes a uma sociedade, ou algumas culturas se afirmam em detrimento de outras, é sinal de que uma parcela dessa diversidade está sendo reprimida, constrangida ou até mesmo excluída.

     O grande problema da “sociedade” em que vivemos é as pessoas aceitarem o que realmente é diversidade, aceitarem o que é diferente dos padrões estabelecidos pela própria sociedade, estes, na maioria das vezes, retrógrados, conservadores e discriminantes. Nem todas as diferenças são positivas. Quando elas se transformam em desigualdades, precisam ser encaradas criticamente, debatidas e de preferência abolidas. Esse é o caminho.

     Caminhar lado a lado por caminhos diferentes. Talvez isso seja o mais difícil nas relações interpessoais. É preciso ceder muitas vezes, doar, ser solidário e respeitar a privacidade do outro. Cativar pela liberdade, amar sem invadir, aceitar o novo, o desconhecido e aí desbravar uma nova relação de respeito, interação e cordialidade entre as pessoas.

     Ninguém vive sozinho, somos seres sociais, e, portanto, se faz necessário aceitar as diferenças e respeitar opiniões, por mais estranhas ou revolucionárias que sejam. É preciso reconhecer que podemos errar e corrigir e que nem sempre atendemos as expectativas dos outros. Devemos reconhecer que apesar de atitudes e valores reacionários, a sociedade contemporânea está mais inclusiva, aberta às diversidades, porém, ainda gera discussões e questionamentos. Devemos reconhecer que a pluralidade cultural representa o acúmulo das experiências e conquistas do ser humano. Saber conviver com as diferenças, eis o grande desafio e o sinal de amadurecimento, civilidade e conscientização da suposta sociedade civilizada.

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