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Educação ética e empreendedora

Enviado Sexta-feira, 21 de novembro de 2008 às 15:54:16 | Nenhum comentário »
Uma estratégia de educação empreendedora deve explicitar sua racionalidade e sua ética: a quem e para que serve? A Educação Empreendedora baseia-se no entendimento de que o empreendedorismo, por ser essencial na eliminação da miséria e na diminuição da distância entre ricos e pobres, tem como tema central o desenvolvimento humano e social sustentável.
     O conceito de empreendedorismo como valor social traz no seu âmago a intencionalidade da geração de melhoria na qualidade de vida de uma coletividade e não apenas de valores exclusivamente individuais e econômicos.
      Com uma proposta voltada para o desenvolvimento, a educação empreendedora assume o princípio ético que vincula os resultados do sonho individual à geração de valores humanos e sociais (e não só econômicos) para a comunidade. Em outras palavras, o empreendedorismo-ético é aquele capaz de gerar e distribuir renda, conhecimento, poder e riqueza. Assim sendo, o sonho (significando aqui a pulsão empreendedora) deve subjugar-se à ética, promover a cidadania, a cooperação, à democracia. Deve, enfim, construir a humanidade. A melhoria das condições de vida da comunidade deve ser o alvo dos resultados do sonho individual, uma das infindáveis representações peculiares do sonho coletivo.
     Embora não haja consenso sobre o que realmente seja empreendedorismo, é consenso que se trata de um fenômeno social, importante para o desenvolvimento sócio-econômico de uma nação.
     O processo empreendedor está em transformar idéias em resultados práticos, não apenas ou essencialmente lucrativos, mas sim, resultados que correspondam aos interesses da coletividade e que sirvam para transformar as relações sociais através do caráter humanístico.
     O desejo de riqueza significa que o caráter empreendedor é motivado pelo individualismo e pela oportunidade de ganhar mais, acumular e aumentar seu patrimônio pessoal. Esse modelo de empreendedorismo (do lucro a todo custo), onde predomina a ética do lucro, tem sido apontado como o principal gerador de problemas éticos (corrupção principalmente) e sócio-ambientais dos países capitalistas. O empreendedorismo social é aquele vinculado e engajado às causas e lutas sociais, com o objetivo de resolver os problemas sociais e, portanto, com ações pautadas nesse sentido. Reduzir a pobreza, a baixa escolaridade, à violência e a fome são alguns exemplos de ações.
     É necessário, também, propor uma nova "explicação" para o fenômeno empreendedor, enfrentando a ausência na literatura de um conceito amplo, capaz de cobrir tanto a esfera do fazer quanto o âmbito do ser e, dessa forma, migrar da área empresarial, onde foi primeiramente construído, para todas as atividades humanas.
     Se o sonho de uma pessoa for abrir uma empresa, o produto ou serviço dessa empresa deve oferecer valores para a comunidade (o que, de certa forma, deveria ser implícito à finalidade da empresa). Assim, se o pacto for esse, não vale uma fábrica de armas, um produto poluente, uma agricultura que não seja saudável.
     Não é suficiente o crescimento econômico sem que todos usufruam a riqueza gerada. O que é relevante para a Educação ética-empreendedora é a qualidade de vida da comunidade, o acesso de todos à liberdade, saúde, democracia, cidadania e renda. Essa é a visão de empreendedorismo que deve ser trabalhada nas escolas e universidades, pois somente através dela é que conseguiremos avançar no processo de ruptura com essa mentalidade individualista, egoísta e gananciosa de cada vez ter mais. Essa mentalidade é a geradora da desigualdade.

As várias faces da República

Enviado Sexta-feira, 07 de novembro de 2008 às 14:47:07 | Nenhum comentário »
 
     Nos seus 119 anos a nossa República já teve inúmeras feições, diversas Constituições, inúmeros avanços e retrocessos, além da manutenção dos privilégios políticos e econômicos da classe dominante.
     A República da Espada foi transitória, mas deixou marcas de autoritarismo, repressão às questões sociais e uma Constituição (de 1891 - a primeira republicana) elitista e antidemocrática. Com as oligarquias não foi muito diferente, uma grande troca de favores, principalmente em função do coronelismo, da prática assistencialista e patrimonialista que manipulava, corrompia e fraudava o processo eleitoral, submetendo às camadas populares à miséria e a exploração.
     Vem a crise de 1929, o declínio do modelo agro-exportador e o golpe de 30, dando início à Era Vargas, que apesar de alguns traços de centralismo político, possibilitou grandes avanços para o Brasil, especificamente com relação à industrialização (de base) e aos direitos dos trabalhadores (CLT), mesmo que com o objetivo de controla-los. O nacionalismo pragmático e o trabalhismo varguista deram início ao modelo populista de governo; modelo este que gerou temor e desagrado aos setores reacionários e entreguistas da sociedade brasileira.
     Na República Populista, iniciada após 45, os governos presidenciais adotaram diversos planos e programas econômicos acentuando o papel do Estado como promotor e coordenador do desenvolvimento nacional. O país estava dividido entre duas propostas de desenvolvimento: a nacionalista-industrial e a desenvolvimentista-industrial, esta defensora da participação do capital estrangeiro na economia brasileira. Acentua-se também no decorrer deste período uma radicalização entre partidos de esquerda e direita, relativa à orientação dada aos assuntos econômicos e políticos, nas relações internas e externas.
     O pacto-populista e o nacional-reformismo janguista se desfazem com o golpe militar de 1964. Esse tendo por pretexto, evitar a ameaça “comunista” e defender a democracia e a liberdade. Somente pretexto, pois com ele iniciavam-se os vinte e um anos marcados pelas restrições aos direitos e garantias individuais, pela extinção dos antigos partidos políticos e pela violência, típica dos regimes ditatoriais. O novo e cruel regime tinha como ideologia a Segurança Nacional, com o intuito de combater justamente a democracia e a liberdade, sinônimos de subversão ou esquerdismo. Que enorme contradição. Censura, repressão, “milagre brasileiro”, AI-5, Lei Falcão, guerrilhas, manifestações de estudantes e operários, anistia, foram algumas marcas desse período ainda obscuro.
     Desde 1985, o Brasil vive um momento de sua História que muitos chamam de Nova República, mas que de nova não tem nada. Politicamente, a Nova República é a velha e arcaica burguesia, ou seja, a estrutura praticamente não se alterou. As elites continuam no poder, garantindo seus interesses através de favores, fraudes, corrupção, negociatas inescrupulosas, tudo em nome da manutenção de seus lucros e privilégios. Os caciques são os mesmos - ou deixaram herdeiros - os ricos mantiveram-se em sua exploração e os pobres continuam em sua miséria. A democracia é de fachada, representativa de uma minoria encastelada no poder e que continua mandando no jogo (onde só existe um vencedor) e a gente sabe quem é. Um filme que nós conhecemos muito bem.
     Socialmente a população brasileira continua alijada dos princípios democráticos, afastada de seus direitos básicos de cidadania, marginalizada e explorada. A insegurança, a discriminação social, intelectual e racial, a instabilidade, a exclusão, a ausência de perspectivas, a falta de educação são alguns problemas graves encontrados, sem falar da altíssima carga tributária que esfacela o bolso do povo brasileiro. Porém há de se ressaltar que o atual governo vem fazendo um esforço gigantesco para romper com essas amarras do passado e tem tido resultados interessantes e positivos no campo sócio-econômico, com distribuição de renda e diversos programas destinados às camadas menos favorecidas. E viva a República!
 
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