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E agora, José?

Enviado Sexta-feira, 24 de outubro de 2008 às 10:01:11 | Nenhum comentário »
A conquista do “bis pra ser feliz” significou, na minha modesta opinião, apenas uma vitória eleitoral-fisiológica e não uma vitória político-ideológica. O que estava em jogo não era um projeto político para Caxias, mas sim, a conservação da máquina pública, dos cargos ocupados pelos “aliados” e de toda a estrutura burocrático-assistencialista constituída nos últimos quatro anos.
     Uma coligação composta por 14 siglas partidárias - algumas inexpressivas eleitoralmente, fisiológicas apenas – gravitando em torno de um suposto projeto de desenvolvimento para Caxias, mas que na realidade significava apenas a manutenção do poder.
     A distribuição e o aumento dos cargos e a acomodação dos “apoiadores”, pode vir a gerar problemas e até mesmo dissidências. As fatias saborosas do bolo podem não satisfazer a fome de alguns partidos mais gulosos – com os olhos maiores do que a barriga – com muita fome de cargos e poder, o que exigirá uma grande destreza e habilidade política do prefeito.
     Como disse o poeta, o grande poeta Carlos Drummond de Andrade:
E agora, José?
A festa acabou, a luz apagou, a noite esfriou e agora José? E agora você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta, e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio, não veio a utopia.
E tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou e agora, José?
Com a chave na mão quer abrir a porta,
não existe porta;
sozinho no escuro qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua para se encostar,
sem cavalo preto que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
     O fisiologismo não é uma particularidade de um ou outro partido, mas o PMDB, no entanto, é o partido em que mais transparece essa característica por buscar, de qualquer forma, a manutenção do poder, independente de quem esteja no poder.
     Parece que não é mais possível governar sem recorrer a esta prática. As negociações visam fortalecer as coligações para os enfrentamentos, mas escancara a questão carguista e cacequista. 
     O fisiologismo político-partidário barato é uma demonstração comportamental amoral e antiética, que a grande maioria dos nossos políticos adotou e que se traduz em dar e receber apoio em razão do recebimento de benefícios pessoais ou do grupo que representa, em detrimento das obrigações com o eleitorado.

Educar para mudar

Enviado Sexta-feira, 10 de outubro de 2008 às 11:10:14 | Nenhum comentário »
 
     “Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.
     É com essa frase de Paulo Freire que eu começo esse artigo direcionado a parabenizar o verdadeiro educador, aquele que por vocação e não apenas por profissão dedica-se entusiasticamente no processo de construção da cidadania, de uma sociedade mais humana, inovadora e democrática.
     Vejo hoje o educador como um orientador, um sinalizador de possibilidades onde ele também está envolvido, onde ele se coloca como um dos exemplos das contradições e da capacidade de superação que todos possuem. O educador é um testemunho vivo de que podemos evoluir sempre, ano após ano, tornando-nos mais humanos, mostrando que vale a pena viver.
      Segundo o especialista José Manuel Moran, ao educar, tornamos visíveis nossos valores, atitudes, idéias, emoções. O delicado equilíbrio e síntese que fazemos no dia a dia transparece nas diversas situações pedagógicas em que nos envolvemos. Os alunos e colegas percebem como somos, como reagimos diante das diferenças de opiniões, dos conflitos de valores. O que expressamos em cada momento como pessoas é tão importante quanto o conteúdo explícito das nossas aulas. A postura diante do mundo e dos outros é importante como facilitadora ou complicadora dos relacionamentos que se estabelecem com os que querem aprender conosco. Se gostamos de aprender, facilitamos o desejo de que os outros aprendam. Se mostramos uma visão confiante e equilibrada da vida, facilitamos nos outros a forma de lidar com seus problemas, mostramos que é possível avançar no meio das dificuldades. Alguns educadores confundem visão crítica com pessimismo estrutural; eles só transmitem aos alunos visões negativistas e desanimadoras da realidade. Esse substrato pessimista interfere profundamente na visão dos alunos.
     Uma pergunta que todos os educadores precisam fazer a si mesmos é: O que significa educar, para mim? Ensinar o que está nos livros? Impor minhas idéias? "Doutrinar"? Moldar comportamentos? Oferecer perspectivas? Provocar reflexões?
     Percebemos, atualmente, uma insatisfação de muitos “profissionais da educação”, reclamando sobre sua prática, dizendo está cada vez mais difícil o desenvolvimento de um bom trabalho. Segundo estes, não se tem uma base, uma estrutura a qual possamos nos orientar. A cada dia surgem novos pensadores, pressupostos e propostas de mudanças na educação. A verdade é que essa busca por melhores condições de ensino-aprendizagem são de extrema importância. A valorização do magistério, o resgate da dignidade social e moral dos educadores, condições econômicas satisfatórias, auto-estima elevada, suporte didático de qualidade, além da participação da comunidade nas decisões, são alguns fatores essenciais para que se desenvolva uma nova prática pedagógica.
     A escola tem um papel importante nesse processo, assim como seus professores, diretores, comunidade escolar e o poder público. É interessante e necessário que cada setor saiba distinguir o seu papel, para que o processo educativo seja construído sem atropelos e sobressaltos. É com esse conjunto fortalecido, respeitado e comprometido, que se estabelece a matriz de formação e qualificação das nossas crianças e jovens que irão marcar presença na sociedade, ingressar no mercado de trabalho e contribuir para o desenvolvimento sócio-econômico do município, do Estado e do país – com ética, compromisso e responsabilidade crítico-construtiva. Um projeto educacional pedagógico deve ser construído por todos. Não é responsabilidade apenas dos professores e da escola. A educação é um processo contínuo e tem que estar assentada sobre pilares fortificados, consistentes e direcionados por princípios que representem os anseios e o desejo coletivo, e não em cima de decisões unilaterais, autoritárias, tecnocráticas ou ideológicas.
    Sem educação e participação, não formamos cidadãos. Educação para conscientizar e não para problematizar.
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