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Existem dois caminhos

Enviado Sexta-feira, 29 de outubro de 2010 às 17:35:48 | Nenhum comentário »

Em sua obra “Ensaio sobre a riqueza das Nações”, Adam Smith (1723-1790), faz uma crítica sobre a intervenção do Estado na economia. Segundo ele, a economia deve ser dirigida pelo livre jogo da oferta e da procura de mercado (laissez-faire), e o trabalho representa a fonte de riqueza das nações, sendo conduzido pela iniciativa privada. Uma crítica ao papel do Estado e um louvor aos fundamentos teóricos que alicerçaram o “liberalismo burguês econômico”, às benesses do livre-cambismo, à eficiência da “mão invisível” do mercado para o funcionamento da economia, à importância da iniciativa individual e dos malefícios da exagerada intervenção do Estado na economia.

     Passados mais de dois séculos, as ideias liberais semelhantes às de Adam Smith, ressurgiram e ainda hoje se apresentam como modernas, revolucionárias e progressistas, porém com rótulo diferente, “neoliberal”. Fernando Pupo, em seu artigo “Neoliberalismo: promessas e realidade” (Revista Princípios nº20) já levanta uma interrogação. O que há de “neo” no liberalismo? Segundo Celso Furtado, em “O Capitalismo Global” (1998), a globalização e o neoliberalismo significam um retrocesso, ou seja, voltamos ao “modelo do capitalismo original, cuja dinâmica se baseava nas exportações e nos investimentos estrangeiros”, limitando o Estado a manter a ordem e sanear a moeda.

     Já para os neoliberais, que se denominam avançados e modernos, respeitar os interesses nacionais e de seu povo é sintoma de atraso e arcaísmo, pois o único a merecer atenção e respeito é o mercado. O cidadão agora é denominado consumidor e seus benefícios tornaram-se mercadoria, inclusive saúde e educação, tudo em nome da modernidade. Modernidade essa que é só fachada, propaganda sustentada em ideias que procuram despolitizar a política, impondo a tese de que governar é atividade para especialistas, e que o Estado é neutro, acima das classes e da luta de classes, que as reivindicações trabalhistas ainda são caso de polícia, e que uma política nacionalista consistente, voltada ao atendimento das necessidades do povo, do país e de sua economia, são ideias que não condizem com a ordem mundial vigente.

     O papel do Estado Neoliberal é do estado mínimo, enxuto, afastando-se cada vez mais de suas obrigações sociais, que passam a ser controladas e administradas pela iniciativa privada, monopolista muitas vezes. O Estado desempenha um papel medíocre, ou seja, por traz dos bastidores acompanha o andamento do sistema financeiro comercial, reduz gastos e investimentos públicos, porque são ineficientes e improdutivos, além de subordinar a saúde das empresas e da economia nacional aos interesses do capital e das classes proprietárias.

     O modelo iniciado por Collor e aperfeiçoado por FHC conduziu o país para o antinacionalismo, à integração subordinada ao mercado mundial, ao antidemocratismo, a privatização das empresas estatais, ao desmonte dos sistemas de educação e saúde públicos, a repressão e perseguição aos trabalhadores, limitação das liberdades de organização e manifestação sindical, expansão das dívidas interna e externa, desemprego e miséria dos trabalhadores e do povo em geral. Esse modelo perverso tem representante nas eleições do dia 31. Chama-se Serra.

     Não podemos escolher o caminho errado. Não podemos retroceder novamente. O modelo desenvolvimentista, nacionalista e popular do governo Lula, conduziu o país a índices jamais alcançados em toda a nossa história, com distribuição de renda, geração de emprego, investimentos em saúde, educação, energia, transportes, habitação, etc., fazendo com que o Brasil passasse a ser respeitado no cenário internacional. A escolha é somente nossa.  

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