Enviado Sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010 às 16:12:05 |
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Cidades, principalmente as industrializadas, vêm crescendo desordenada e assustadoramente, sem controle, muitas vezes sem verbas e alternativas de suprir as mínimas condições de infra-estrutura que a enorme demanda populacional exige. É preocupante, pois juntamente a esse processo desordenado de crescimento, surgem os cinturões de miséria, fome e desemprego. Pessoas que migram do interior, muitas vezes do campo em busca de melhores condições para suas famílias ( êxodo rural ) e se deparam com mercados de trabalho sobrecarregados de mão-de-obra, altamente exigentes de qualificação ou mercados de trabalho superados, reduzindo despesas e demitindo para não terem que fechar, restando a estas pessoas somente a exclusão social, o desespero muitas vezes e até a marginalidade.
A quem se atribui a culpa desse processo migratório e excludente?
Pode-se atribuí-la à falta de uma política de inversão, ou seja, ao invés do êxodo rural, incentivar o êxodo urbano. Como? Possibilitando e garantindo condições para que essas famílias continuem no campo, em suas propriedades, trabalhando e desenvolvendo ainda mais o setor agropecuário, além de viabilizar oportunidade de emprego no campo para trabalhadores urbanos, que estão excluídos do sistema. É inadmissível que num país com tantas terras, o agricultor tenha que abandonar o campo e se sujeitar à miséria na cidade e também inconcebível que o Brasil tenha que importar gêneros agrícolas variados de países que não possuem um décimo do nosso potencial produtivo terrestre.
Não sei se é falta de vontade política ou simplesmente submissão aos resquícios coloniais do latifúndio monocultor que não rende, torna o solo infértil e compromete negativamente o setor primário. Não significa abolir a industrialização e a tecnologia reconduzindo o Brasil a única e exclusiva condição de agroexportador, mas ao contrário, significa investir em pesquisa, em ciência, interligando-as a tecnologia e a indústria, para juntos alcançar a qualidade desejada no campo, com novas técnicas e recursos, favorecendo o trabalho e colocando o país no topo das exportações de alimentos. Outro fator determinante é o de possibilitar uma estrutura adequada para o agricultor, com cursos de qualificação e atualização, um sistema de crédito acessível, rede de saúde e educação próximas, tudo para garantir a manutenção e o desenvolvimento do sistema produtivo.Talvez assim possamos obter um modelo de crescimento qualitativo tanto rural como urbano, desafogando os centros urbanos e propiciando uma economia mais equilibrada entre os setores produtivos.
Parece uma alternativa utópica, porém não é, para que se viabilize irá depender de um conjunto de fatores e forças, tanto políticas, econômicas quanto sociais, de reivindicações e de um controle mais rígido sobre as ações, prioridades e investimentos do governo.