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Colunista
Edson Nespolo
Edson Nespolo
Professor e Secretário Municipal do Planejamento

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Acesso Restrito

VALE A PENA?

Enviado Sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 às 17:10:25 | 1 comentário »
 

Li esta semana um artigo de Gustavo Cerbasi, que é consultor financeiro e autor do livro “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, que descreve a forma racional com que orientava seus clientes, principalmente na arte de economizar muito para, no futuro, terem uma média ou grande fortuna. Ele passou grande parte de sua vida ensinando clientes a reduzirem seus gastos com restaurantes, viagens, roupas, bebidas e outros “supérfluos”. Economizar num cafezinho por dia seria suficiente para comprar um automóvel novo em 30 anos.

Alguns clientes, muito motivados, passaram do ponto de equilíbrio e começaram a poupar bem mais do que o sugerido, sonhando com metas ousadas, como conquistar o primeiro milhão em poucos anos. Com o passar do tempo, percebeu-se que fazer poupança significava, para muitos, privar-se da felicidade presente para tê-la no futuro. E a infelicidde acabava com a motivação de poupar.

Mudou sua forma de atuar e orientar, observando hoje, que é uma vida feliz e segura que garante a poupança, e não o contrário. Por isso, a pergunta recorrente: “vale a pena”? Trabalhar como louco, privar-se do convívio simples de amigos e familiares para resolver problemas e ambições particulares, muitas vezes de caráter individualista, vale a pena? Apagar incêndio, contemporizar, servir como elo de ligação, integrar, pensar no coletivo, quando ao seu redor, com raras excessões, cada um só pensa em si, vale a pena?

Quantas vezes ouvimos frases do tipo “trabalhou tanto e se foi tão cedo”. Ou outra do tipo “agora que podia aproveitar a vida”. As fortunas reais estão nas coisas simples e verdadeiras. Viver bem o momento presente é a melhor forma de preparar a chegada do futuro. A ansiosa preocupação com o futuro prevê males que, na maioria das vezes, jamais acontecerão. Por mais que lamentemos o passado, ele jamais voltará, por mais que nos preocupemos com o futuro, ele nunca virá por antecipação.

Com o passar dos anos, aprendemos com experiências simples do dia-a-dia. O consultor financeiro Cerbasi mudou sua forma de orientar, observando a reação de seus clientes e afirma: “o futuro é importante, mas também é a simples continuação de sua vida presente. Valorize mais seu hoje, sem esquecer o amanhã”.

No entanto, apesar de tudo isso, é terrível constatar que a vida humana é muito frágil. Nossos dias passam velozes. Não nos adianta toda a segurança do mundo, toda a riqueza e poder. Estamos sujeitos sempre aos incômodos, incluindo-se as doenças e morte. Portanto, devemos viver nossos dias com sabedoria , pois a vida é uma só, uma única e poderosa oportunidade para realizarmos projetos grandiosos e enobrecedores, capazes de produzir efeitos enriquecedores nos outros e principalmente em nós mesmos.

 

A ética como uma virtude

Enviado Sexta-feira, 13 de junho de 2008 às 17:46:08 | 1 comentário »
Na semana que passou muito ouvimos falar em ética, todavia, minha intenção não é estender o assunto para a questão do julgamento de fatos em si, mas sim, discorrer e refletir sobre o tema, já que estamos falando de um princípio que deve nortear o comportamento humano, que se estabelece para o individuo e para a sociedade, como via de conseqüência.
A palavra Ética é originada do grego Ethos, (modo de ser, caráter) através do latim mos (ou no plural mores) (costumes, de onde se derivou a palavra moral). Filosofia é a ciência mais indicada a falar sobre Ética, contudo, como objetivo é a reflexão cotidiana, adentrarei neste tema.
A realidade social está diretamente ligada à ação e o comportamento humano, seus aspectos culturais e contexto histórico. Possuímos uma consciência moral, que nos permite “avaliar” e “julgar” as pessoas e suas ações, classificando-as como justas ou injustas, más ou boas, certas ou erradas.
A ética é um valor universal perseguido pelo homem, é virtude, se traduzindo em relações justas e aceitáveis. É conduta moral. É caráter. É o que desejamos num grupo social. Podemos exigir das pessoas atitudes éticas, porém, isso não é garantia de que ela desenvolva assim seu comportamento, pois é o seu modo de agir e o tempo que a revela.
Professores, médicos, advogados, sociólogos, psicólogos, administradores e muitos outros profissionais desenvolvem trabalhos no campo da ética. Reverências são oferecidas em nome da ética. Os políticos estão sob o olhar atento e contundente da população para que desenvolvam sua vida pública pautada pela ética.
A vida em sociedade exige que tenhamos um comportamento baseado em determinadas regras morais que influenciem o grupo social de modo a criar um ambiente bom e do bem. São estabelecidas normas como meios para que os valores morais de um grupo social se manifestem e adquiram um caráter normativo e obrigatório.
Diante dos dilemas da vida, temos a tendência de conduzir nossas ações de forma quase que instintiva, automática, fazendo uso de alguma "fórmula" ou "receita" presente em nosso meio social, de normas que julgamos mais adequadas de serem cumpridas, por terem sido aceitas intimamente e reconhecidas como válidas e obrigatórias. Fazemos uso de normas, praticamos determinados atos e, muitas vezes, nos servimos de determinados argumentos para tomar decisões, justificar nossas ações e nos sentirmos dentro da normalidade.
Assim, devo concluir dizendo que para um professor de geografia, ética é daquelas palavras que sabemos o que é, mas que para explicar torna-se complexo, até porque ela deve estar muito mais relacionada a atitudes, comportamentos e caráter do que a teorias em si.

O Trânsito e a cultura individualista

Enviado Sexta-feira, 09 de maio de 2008 às 17:21:45 | Nenhum comentário »
O trânsito nas cidades de grande e de médio porte tem sido um caos nos últimos anos. O que era um problema evidenciado nos horários de grande pico de automóveis nas ruas, agora vem se agravando de forma rápida e, por vezes, incontrolável ao longo do dia. Nos grandes centros urbanos, as filas de engarrafamento são quilométricas. A situação chegou a tal ponto que o trânsito vem sendo tratado como um problema de saúde pública, pela Organização Mundial da Saúde.
 
                        Às vezes, tão drástica quanto a situação, são as medidas adotadas pelos administradores para fazer frente a essa problemática. Em São Paulo já vem sendo adotado há algum tempo o sistema de rodízio. É bem verdade que essa iniciativa também pretende baixar os índices de poluição na capital paulista. Outras cidades estabeleceram horários diferenciados para o início das atividades em escolas, indústrias e o comércio.
           
                        O certo é que melhorias no sistema de trânsito são bem-vindas em qualquer cidade do mundo que passa por algum tipo de dificuldade nessa área. Os problemas são de diferentes causas que vão desde carros sem condições de trafegabilidade até a falta de infra-estrutura dos centros urbanos. Mas, eu quero me ater a duas grandes questões que considero agravantes nesse universo e que são, respectivamente, o excesso de veículos despejados no mercado diariamente e a vida moderna que nos leva a hábitos cada vez mais individualistas.
 
                        Vários especialistas têm colocado uma discussão em pauta, que se trata do aumento brutal de veículos nas ruas. O certo é que a situação caótica do trânsito está diretamente associada com a facilidade de adquirir um automóvel. Estima-se que em São Paulo, cerca de 1.000 veículos novos por dia são colocados nas ruas. Se por um lado comprar um carro ficou mais barato, por outro estamos onerando um processo que já não era tranqüilo. Aliado a esse cenário aparece outro gerado pelo individualismo próprio dos centros urbanos: é difícil dar ou obter uma carona. A grande maioria dos veículos em movimento levam uma única pessoa a bordo, duas no máximo. A falta de otimização do uso dos automóveis é outro grande “aperto” nesse gargalo. O individualismo, no entanto, não pode ser vulgarmente condenado. É difícil confiar e até ser solidário com os outros diante de um mundo cada vez mais agressivo e inseguro.
 
                        Nesse contexto não é justo transferir todo o problema do trânsito para as autoridades, temos ciência de que o poder público tem a obrigação de buscar alternativas e, principalmente, criar condições de trafegabilidade, entretanto, não há um sistema de planejamento ou de obras que consiga acompanhar o “despejo” de mil veículos por dia nas ruas, como ocorre em São Paulo.
 
                        Em Caxias do Sul, para se ter uma idéia, a Prefeitura vem investindo pesado nessa área. Concluiu o segundo trecho da Perimetral Norte; executou a Rótula da Avenida São Leopoldo; está em vias de iniciar, em parceria com a concessionária, uma série de melhorias na rodovia de saída para Flores da Cunha e está concluindo a construção da elevada na RS 122, em direção a Farroupilha. São obras de grande vulto e de grande impacto no sistema viário caxiense. É possível dizer que estão sendo corrigidos gargalos históricos do trânsito de Caxias. Isso, sem dúvida, é fruto de um grande trabalho de planejamento que, por outro lado, não será suficiente se enfrentarmos um aporte cada vez maior de veículos em circulação.
                       
                        Dessa forma, enquanto perdurar essa cultura individualista e consumista, com a compra e utilização de automóveis em larga escala, talvez não possamos presenciar melhorias na área. A solução passa por investimentos públicos no trânsito, por qualificação do sistema de transporte coletivo e, principalmente, por uma mudança de hábitos e de posturas da nossa sociedade.

Não é caridade. É obrigação

Enviado Sexta-feira, 28 de março de 2008 às 16:20:27 | Nenhum comentário »
A esfera municipal ganhou crescente importância no Brasil nos últimos anos. Depois da abertura democrática e da Constituição de 88, vimos crescer a descentralização do poder do estado central para as esferas menores de governo, principalmente a municipal. Por outro lado, se ocorre uma transferência de poder, também presenciamos a reconcentração dos recursos junto à União. O pacto federativo e a transferência do poder, ainda não foi acompanhada pela descentralização do bolo tributário.
 
                         Enquanto que cada vez mais são repassados para a gestão municipal, serviços e responsabilidades, o mesmo não acontece com a parte financeira. Muito antes pelo contrário, a participação financeira dos municípios diminuiu. Enquanto isso o governo federal trata de recuperar sua capacidade fiscal, através de artifícios como a criação de contribuições sociais e tributos não sujeitos à repartição com estados e municípios.
 
                        Diante de uma nova realidade, onde a saúde, educação, segurança e outros serviços prioritários passaram a ser atribuições do município, nada mais justo que o governo federal também repasse os recursos condizentes e que garantam a sustentabilidade desse novo modelo de administração.         É óbvio que essa conta está longe de ter equilíbrio, ou seja, ganhamos muito mais deveres, do que recursos.
 
                        Por isso, o repasse de recursos do governo federal ao nosso município, não se trata de nenhum favor. Não se trata de nenhuma caridade. Ao repassar recursos para Caxias do Sul, assim como para outros municípios, faz aquilo que deveria fazer de forma sistemática, ininterrupta e justa, ainda que outros governos não o tenham feito.
 
                        Portanto, não consigo entender certos discursos assistencialistas que nos rebaixam a uma situação de mendicância. Não posso compactuar com idéia de que devemos nos curvar agradecidos, por aquilo que nos é de direito. É claro também que não podemos desprezar a contribuição para com o nosso município. Melhor assim do que nada. Mas não quero crer que por trás desse tipo de discurso, encontra-se alguém que defenda o poder centralizador e antidemocrático. Volto a insistir: não se trata de caridade. Recebemos recursos federais numa equação ainda injusta, pois deveríamos receber muito mais. A parte que nos cabe nesse grande bolo tributário, é muito maior. Não queremos e não vamos nos alinhar com uma política de migalhas. Quem gosta de Caxias não pode se contentar com pouco, seja esse pouco oriundo de qualquer governo que esteja instalado no Palácio do Planalto.
 
                        Neste momento de reformas, vamos observar que o nosso modelo tributário concentra enorme parte do arrecadado para a União, o que fomenta essa situação de dependência para com o poder central, mais uma vez distorcendo o modelo federativo. Acrescentam-se aos problemas de ordem financeira e administrativa, os desafios do desenvolvimento sustentável. É bom lembrar que de nada adiantaria o repasse de recursos federais, se no âmbito do município eles não tivessem um destino apropriado. De nada adiantaria o repasse de recursos, se aqui não encontrasse uma administração disposta a fazer parcerias em nome da coletividade e com competência financeira para fazer a sua contrapartida. Da mesma forma, de nada adiantaria o repasse de recursos, mesmo que a conta-gotas, se aqui eles não encontrassem a guarida de bons projetos. Assim, vale frisar, novamente, que Caxias do Sul só tem recebido recursos da União porque a atual administração vem apresentando projetos e planejamento eficiente.

A NOSSA FESTA VAI COMEÇAR

Enviado Sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 às 16:25:51 | Nenhum comentário »
  Não poderia deixar de escrever, nessa edição, sobre a nossa Festa da Uva. Sei que corro o risco de escrever “um pouco de tudo aquilo que já foi dito antes”. Sei também que incorro no risco de cair em chavões, de ser repetitivo, ou de simplesmente não acrescentar nada de novo sobre o tema. Mas, mesmo assim vou insistir no assunto.

 Para começar devo admitir que sou fã da Festa da Uva. Essa admiração nasceu antes mesmo de vir morar em Caxias do Sul, o que aconteceu no início da década de 80. Morando em outro estado, no caso em Santa Catarina, município de Concórdia, ouvia falar de Caxias do Sul, por causa da Festa da Uva. De longe, já apreciava. Quando vim morar neste município passei a acompanhar de perto toda a agitação que tomava conta de Caxias do Sul, por ocasião de cada novo evento. Passados alguns anos, em virtude de minhas funções públicas, acabei me envolvendo mais diretamente na organização da festa, ora como responsável pelo setor de infra-estrutura, ora como coordenador dos desfiles do Corso Alegórico e agora, nesta edição, como vice-presidente da Festa.

 

São muitos os motivos que me levam a declinar o meu amor por essa festa. Gosto do clima de euforia que toma conta das pessoas e da agitação natural que antecede mais uma edição do evento. Aprecio o retorno às origens que a Festa e todas as suas atividades, como as Olimpíadas Coloniais e os filós, proporcionam a quem aqui vive ou a quem visita o nosso município. Reconheço o quanto a festa é responsável pela projeção da nossa Caxias do Sul para todo o país e também para países vizinhos. Sei de todas as fontes de renda que são geradas a partir do evento, desde a geração de empregos, até fomento no comércio e na rede de turismo, além de tantas outras formas de produzir e gerar recursos. Mas, acima de tudo, admiro a forma de envolvimento e de participação de milhares de pessoas que simplesmente se doam para tornar a festa possível.

 

Por tudo isso, fico extremamente triste quando ouço que a Festa da Uva está com a sua fórmula esgotada. Já me deparei, inclusive, com opiniões mais drásticas, de que a festa deveria ser extinta. Acredito sim, que a festa pode ser renovada. A Festa pode receber nova roupagem e novas atrações. Podemos incrementar e melhorar cada vez mais, o que, aliás, é nossa obrigação. É muito natural que ela cresça na mesma medida em que aumentam as expectativas e o nível de exigência da população. Por isso, é muito natural que permanentemente tenhamos que buscar inovações e a sua qualificação. Certamente, ao longo de sua existência, todos os administradores preocuparam-se em melhorar esse evento. Não será agora, que iremos deixar de galgar o lugar mais alto do pódio para a nossa festa maior. Entretanto, refuto veementemente, qualquer possibilidade de desqualificar a Festa da Uva, por causa de descontentamentos isolados, sejam eles gerados por convicções políticas, por insatisfações financeiras ou por quem não quer enxergar o quanto a Festa da Uva faz bem para Caxias do Sul.

 

É preciso estabelecer, de uma vez por todas, a importância desse evento para o nosso município e, a partir de então, concentrar forças para melhorar o evento. É preciso ter claro que a Festa da Uva nos projeta, enquanto cidade e enquanto povo. Ela faz movimentar recursos, incrementa o turismo e oportuniza cultura e entretenimento. Mais do que isso, ela congrega raças e integra pessoas. Para quem temia incorrer em clichês, não posso fugir de mais um, o de agradecer a população de Caxias, da cidade e do interior, por possibilitarem mais uma edição dessa linda festa. Os resultados de toda essa participação, seja do poder público, seja da população, poderão ser conferidos de 21 de fevereiro a 09 de março próximo. Tenham a certeza de que os frutos dessa colheita serão doces. Venham todos, porque a nossa festa vai começar.

Edson Humberto Nespolo

Professor e Secretário de Planejamento

 

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