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Colunista
Edson Nespolo
Edson Nespolo
Professor e Secretário Municipal do Planejamento

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Acesso Restrito

Recortes de uma Semana Importante

Enviado Sexta-feira, 31 de agosto de 2007 às 15:33:28 | Nenhum comentário »
Essa foi uma semana importante, não só para Caxias do Sul, como para o país. Começamos a semana com uma discussão referente à construção do Aeroporto Regional.

Órgãos técnicos e públicos analisaram diversos municípios da região, como Bento Gonçalves, Farroupilha, Flores da Cunha e definiram que Caxias do Sul, mais especificamente o distrito de Vila Oliva, teria condições de abrigar o empreendimento. Isso é fato. Os estudos técnicos devem ser, no mínimo, considerados. Ninguém está inventando nada ou querendo ser melhor do que ninguém. A construção de um Aeroporto Regional não passa por mesquinharias que rifam uma série de municípios, para ver quem merece mais, ou menos.

Não vamos nos desvirtuar do foco. Mais uma vez querem empobrecer a discussão dizendo que tratam-se de pretensões provincianas e bairristas. Isso é uma bobagem. Eu, assim como muitos, sou “forasteiro” nesta terra. Mas, aprendi a respeitar esse povo que cresce e se desenvolve, porque tem espírito inovador, empreendedor e lutador. Esse povo é exigente e as instituições públicas precisam responder à altura. Por isso mesmo é que não vamos esmorecer na luta pelo crescimento, agregando a esta terra, tudo o que ela tem direito. Entre quem defenda que o Aeroporto Regional deve ser lá ou aqui, eu digo que fico com Caxias do Sul.


Também foi nessa semana que tivemos a aprovação de um importante, talvez o mais importante, projeto dos últimos anos. O Plano Diretor Urbano, apresentado pela Administração Sartori/Alceu, recebeu a aprovação unânime da Câmara de Vereadores. O Plano trata de todas as questões referentes aos aspectos urbanos, rurais, sociais, econômicos e ambientais do nosso município, inclusive a área do futuro aeroporto em Vila Oliva. Ele disciplina a forma de crescimento de Caxias do Sul, assegurando que ocorra de forma equilibrada e sustentável.

Tão importante quanto os seus resultados, foi o processo de construção do Plano Diretor Urbano. Ele começou pela base. Foi construído a muitas mãos. Eu não vou falar em nomes, porque sempre podemos esquecer de um ou de outro, o que seria uma injustiça. Então, é preciso reconhecer a participação efetiva desta administração, em especial dos técnicos da Prefeitura que não mediram esforços para elaborar o projeto. É preciso reconhecer a participação da população, em especial das entidades que representam os mais diferentes segmentos da sociedade, que trabalharam exaustivamente na construção da proposta. É preciso enaltecer a contribuição fundamental da Câmara de Vereadores, em especial da Comissão de Desenvolvimento Urbano, Transporte e Habitação que apresentou sugestões e propôs melhorias, de modo a aperfeiçoar a matéria. Quem ganhou foi Caxias do Sul.



Essa semana também foi muito importante porque nem tudo acabou em pizza. Contrariando aos mais incrédulos, o Supremo Tribunal Federal, pela primeira vez na história do país, decidiu aceitar acusações criminais contra políticos de alto escalão envolvidos no mensalão – esquema de pagamento de propinas deflagrado no primeiro governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um a um, os 40 envolvidos no esquema nefasto, foram sendo transformados em réus e não por pouca coisa. Pesa contra eles crimes como corrupção passiva, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e até formação de quadrilha. A decisão, não só honrou o Judiciário do país, como deu uma trégua para as almas aflitas do povLiberdade com Responsabilidadeo brasileiro.

Vamos aprender com as crianças!

Enviado Sexta-feira, 17 de agosto de 2007 às 17:31:02 | Nenhum comentário »
Falar da Terra, ao mesmo tempo em que a concebemos como um organismo vivo, dotado de capacidade de se manter saudável, deve soar como um alerta para que possamos lembrar que a própria Terra tem o poder de eliminar formas de vida que a ameacem,compreendendo, principalmente, a raça humana.

Há 90% de certeza de que o aquecimento global é causado pelas atividades humanas, que seus efeitos no clima já começaram e que continuarão pelos próximos séculos, ainda que haja um corte nas reduções dos chamados gases de estufa, que provocam o efeito conhecido pelo mesmo nome.

Uma das conseqüências dessa situação é o derretimento de áreas das calotas polares e dos picos mais altos, com o conseqüente aumento do nível dos oceanos. Com o degelo, a luz solar, antes quase totalmente refletida pela neve, alcança o solo é absorvida e aquece a superfície, acelerando ainda mais o descongelamento. Essa água despejada nos oceanos está reduzindo a salinidade do mar. Isso muda seu peso e interfere nas correntes marítimas. Essas, por sua vez, modificam o regime de ventos e chuvas.

Uma questão particularmente preocupante para o Planeta tornou-se evidente: a dos extremos climáticos, que se caracterizam por pancadas de chuva violentas alternadas por longas secas. Cada ano, recordes extremos de calor e frio são batidos nos dois hemisférios. Fenômenos antes pouco conhecidos como ondas gigantes, tsunamis, furacões, tufões, já fazem parte do nosso vocabulário.

As reduções das emissões dos gases devem acontecer em várias atividades econômicas, especialmente nas de energia e transportes. Os países devem cooperar entre si por meio de ações básicas como a promoção do uso de fontes energéticas renováveis, a eliminação de mecanismos financeiros e de mercado inadequados ao meio ambiente, a redução das emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos e na proteção de florestas e outros sumidouros de carbono.

Enquanto potências mundiais continuam poluindo e a Convenção de Kyoto, não é concretamente respeitada, façamos a nossa parte, formando a consciência de que, quem faz o meio onde vivemos somos nós, com atitudes responsáveis e de preservação, comprometidos com a qualidade de vida.

Vamos aprender com a mentalidade e exemplos das nossas crianças. Uma nova geração que no dia a dia oferece lições de respeito à natureza e preocupação com o meio ambiente.

Constrangedor e, com freqüência, observamos nossas crianças e jovens advertindo os adultos por suas atitudes imprudentes na utilização de papéis, plásticos, água, lixo, árvores, restos de cigarros entre outros. O consumo e o destino que damos a esses bens materiais, renováveis ou não, estão intimamente relacionados com a qualidade de vidas das nossas gerações presentes e futuras.

Não podemos esquecer de que atitudes imediatas e responsáveis resultam num amanhã mais saudável. Não temos o direito de arruinar o futuro de nossas crianças com a idéia de que somos a última geração na Terra.

A vaia e a luta de classes

Enviado Sexta-feira, 03 de agosto de 2007 às 16:41:18 | Nenhum comentário »
Muito se falou, desde a abertura dos Jogos Pan-Americanos, sobre o efeito da “vaia”, essa expressão sonora de desaprovação. Os homens públicos, independente de partido, de época ou de lugar, às vezes são expostos a esse tipo de manifestação. Obviamente que ninguém gosta. Mais óbvio ainda é buscar justificativas para entendê-la.

Devo confessar que não sou adepto da vaia. Sou daquele tipo de pessoa que, se não estou gostando de uma situação, pego meu boné e vou embora. Mas, sei que nem todo mundo pensa ou age dessa forma. Muito pelo contrário. Por sermos racionais, somos seres complexos e diferentes na nossa essência. Lidar com as diferenças, é um desafio constante do processo democrático.

Por tudo isso, as vaias direcionadas ao Presidente Lula no Maracanã e mais recentemente, em solenidade em Cuiabá, no Mato Grosso, não precisam de tantas e tão exaustivas explicações sociológicas e antropológicas, por parte dos defensores do Presidente.

De tudo que se falou e se escreveu, o mais lamentável é ter que suportar essa “ladainha” de que a “vaia” do Maracanã não expressa a opinião da população brasileira. Isso porque as pessoas que estavam no estádio, no dia da abertura dos Jogos, eram da elite brasileira, afinal de contas, a população pobre não teria R$ 150, 00 para pagar o ingresso.

Vamos admitir que a platéia do Maracanã era composta, na sua maioria, pela classe média. Vamos admitir ainda, como os inconformados com a “vaia” gostam de dizer, que essa platéia era composta, na sua maioria, pela “elite pequeno-burguesa”. Mesmo assim e tão grave assim, é desmerecer a manifestação porque ela foi oriunda da classe média. Essa constatação equivale a dizer que a classe média deste país não está contra enquanto população brasileira. É o mesmo que afirmar que essa classe média, que trabalha, que gera renda e que paga impostos, não tem o direito de se manifestar. Eles, os inconformados, estão afirmando que essa parcela da população não tem legitimidade para se expressar.

É triste ter que constatar essa linha de raciocínio, especialmente porque seus principais articuladores são, na sua quase totalidade, oriundos dos partidos intitulados de “esquerda”. O paradoxo está colocado. Questionar a vaia em si e a sua necessidade ou não, pode ser entendido. Agora, desmerecer a manifestação porque ela não foi oriunda da “classe pobre Brasileira” é empobrecer a discussão. Mais do que isso, é levar a discussão para um campo retrógrado e antidemocrático.

De todas as “pérolas” exaradas a respeito do assunto eu ainda fico com a do Lula: Deus fez o homem perfeito com duas orelhas: uma para escutar vaias e outra para ouvir aplausos. Eu só acrescentaria que, dividindo essas duas orelhas, existe um cérebro, e esse sim faz toda a diferença.
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