E TERMINOU PARAISO
Enviado Sexta-feira, 28 de setembro de 2007 às 16:13:40 |
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Chega ao fim mais uma novela de grande repercussão nacional. Paraiso Tropical teve duração de quase um ano e representou personagens e cotidiano que prenderam a atenção de vários telespectadores. Mas, convenhamos, quanta enrolação. Quantos capítulos e tempo neste período desperdiçados sem revelar e esclarecer absolutamente nada. Uma novela poderia ser condensada em uma semana ou quinze dias e tudo seria descoberto e revelado no último capítulo. Mas, felizmente, a novela chegou ao fim, com grande ibope e muitas comemorações.
Se transportamos essa conclusão para o nosso dia a dia, veremos quantas situações se arrastam como uma novela e nada de conclusão ou motivo para comemorações.
A reforma do Judiciário que se arrasta no Congresso, por exemplo não ataca o foco central da lentidão dos processos, que é a burocracia. Apenas remendos são feitos às pressas, principalmente na legislação criminal, sempre que crimes bárbaros são cometidos no país.
Com o avanço rápido da globalização da economia e necessidade de agillizar às atividades empresariais, passou a ser um fator competitivo decisivo ter uma Justiça capaz de dar veredictos transparentes e rápidos para as demandas entre empresas e delas com os governos e os consumidores.
E a reforma política? Estamos a um ano de novas eleições e tudo continua praticamente igual. Temas como financiamento público de campanha, adoção da fidelidade partidária, sistema de votação em listas fechadas, redução de número de partidos para dificultar a existência de siglas de aluguel, cláusula de barreiras, entre outros, transformam-se em verdadeiras novelas de enrolação.
E a reforma tributária? Como pode uma “novela” dessas ficar tanto tempo no ar.
E o final dos capítulos ocorridos no Senado Federal com a “novela” Renan Calheiros. Arrastou, arrastou, enrolou e no final o vilão foi absolvido como herói. Sobre isso quero reproduzir uma pérola de ironia do analista político da “Folha de São Paulo”, Clóvis Rossi,”o réu sai do banco dos acusados, pula o estrado, senta-se ao lado do júri e ainda tem direito a voto”.O corporativismo falou mais alto. Precisou a indignação do povo para que os Senadores terminassem com a votação secreta.
Projetos de reforma só costumam vir à tona em momentos de crise e, por esse motivo, acabam se restringindo aos interesses de momento e às questões que detonaram a crise. Portanto, só pressão da sociedade sobre o Congresso poderá ser eficiente e conduzir a mudanças desejadas.
Reformas como do Judiciário, a Política, a Tributária, entre outras, são verdaderias “novelas”. Diferentes de ficções, estas atingem diretamente nosso cotidiano e, pior que as novelas globais estas estão longe do fim.
O RS deve separar do Brasil?
Enviado Sexta-feira, 21 de setembro de 2007 às 13:58:19 |
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Após o sucesso da Semana Farroupilha, com a beleza de demonstrações culturais, do culto a nossa tradição e orgulho de revivermos a história do povo gaúcho, forjada com garra e determinação, surge a pergunta se o Rio Grande seria melhor separado do restante do Brasil.
Vamos imaginar algumas situações:
Você tem certeza que se todos os Senadores do Brasil fossem do Rio Grande do Sul, o Renam Calheiros seria cassado por unanimidade?
O Rio Grande como nação, seria muito diferente deste Brasil que aí está, agonizando pela corrupção?
O respeito aos valores humanos e a natureza, seriam muito diferentes, se o nosso Estado estivesse separado do Brasil?
Tenho orgulho da história e do povo gaúcho. A determinação, a garra, a obsessão em lutar até o fim é herança cultural que vem desde a ocupação do Estado até a Revolução Farroupilha. A vinda de migrantes das mais variadas etnias, enriqueceu nossa história e nos ensinou a respeitar diferenças entre as pessoas.
Nosso povo é maravilhoso. Nossa história e tradição devem ser comemoradas e cultivadas. Entretanto não podemos confundir orgulho com soberba, avanços com auto suficiência, ou mesmo imaginarmos que somos os únicos que efetivamente lutamos e trabalhamos neste Brasil.
Se fossemos tão bons assim como muitos imaginam, por que deixamos o Estado do Rio Grande do Sul chegar ao estágio de quebradeira que se encontra hoje?
São muito diferente os escândalos em alguns Municípios do RS, em relação a outros do Brasil afora?
Devemos lembrar que povo presunçoso ou como se diz popularmente, que muito se acha, capitaliza para si o ódio e a revolta dos outros. A história da humanidade está repleta de acontecimentos que comprovam isso.
Vamos lembrar de inúmeros irmãos gaúchos, que nas últimas décadas deixaram o nosso Rio Grande, para construir nova vida em outros Estados, muitos por necessidades e outros buscando novas oportunidades. Não podemos imaginar estes irmãos separados por fronteiras entre países.
Saudemos o povo do Rio Grande do Sul e o orgulho de ser gaúcho. Saudemos a integração com outros Estados do Brasil, seja no intercâmbio comercial, cultural, na troca de matéria-prima ou mesmo no respeito as diferenças.
Vamos manter valores que caracterizam o povo gaúcho, de luta, de garra, de trabalho, mas também um povo fraterno, acolhedor e principalmente agregador.
Quem é “joio” e quem é “trigo”?
Enviado Sexta-feira, 14 de setembro de 2007 às 18:39:13 |
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Confesso que antes de começar a escrever a coluna desta semana, tentei fugir do assunto Renan Calheiros. Busquei outros temas, divaguei sobre outras possibilidades e não teve jeito. É inevitável. É quase impossível não falar de um assunto que traduziu-se em mais um nocaute, na tão frágil credibilidade do povo em relação aos seus governantes. O golpe foi duro e atingiu, senão a totalidade da população brasileira, a sua esmagadora maioria. De alguma forma, mesmo as pessoas mais simples ou aquelas poucos simpáticas ao meio político, foram atingidas .
Então, diante do inevitável, sou mais um a tocar neste assunto. Sou mais um a discursar sobre indignação, que me parece ser a mesma indignação de muitos. Acho que não vou acrescentar nada de novo ao escrever sobre o triste episódio envolvendo o Presidente do Senado da República e seu lamentável desfecho. Mesmo assim, sinto-me no compromisso de dizer que eu não compactuo com essa decisão e sinto-me enojado por esse mau exemplo vindo de Brasília. Mau exemplo que coloca todos, independente de ser justo ou não, no mesmo “balaio” que abriga e elite corrupta deste país. Mau exemplo que coloca em xeque as instituições e o processo democrático brasileiro. Mau exemplo que respinga sobre todos aqueles que exercem uma função pública, seja por meio de um mandato eletivo ou por gestão executiva. Mau exemplo que afeta a todos, independente de quem é “joio” ou de quem é “trigo”.
Mesmo sendo o momento pouco propício, é necessário reafirmar que existem as boas e as más sementes. No Senado por exemplo, há aqueles – não mais de 35 no momento, que podem andar de cabeça erguida e, se quiserem, até propagar seus feitos por justiça. Há entretanto aqueles - 40 para ser mais exato, que vão se esconder ou vão tentar escamotear suas intenções e seus reais temores por trás de seus votos. Há outros porém, exatamente seis, que nunca vão conseguir explicar nada e muito menos convencer ninguém, pois a omissão é tão nefasta quanto a corrupção. Existe ainda a tropa de choque que agiu de fora para dentro, fazendo pressão, trocando voto por favores, costurando acordos e alinhavando outros conchavos que jamais saberemos.
De tudo que presenciamos fica o gosto amargo da impunidade. Fica a sensação de incredulidade diante do fatídico dia em que era votada a cassação de Renan Calheiros. Não satisfeitos com o voto secreto, os comparsas do Presidente do Senado, conseguiram emplacar que a sessão de cassação também fosse secreta. Com o circo armado e um cenário propício, a absolvição nem chegou a ser uma grande surpresa. Mas, certamente foi muito indigesta.
O episódio agrava a crise política desse país, é bem verdade. Entretanto, não posso e não quero terminar essa coluna deixando a impressão de que só nos resta a desilusão, até porque eu atuo no meio político e me orgulho muito disto. Não vamos esquecer que a corrupção é tão antiga quanto o poder e não é uma condição limitada ao Brasil. Talvez nunca consigamos nos livrar dessa praga que ataca as esferas de governo, a iniciativa privada, entidades de classes e todos os segmentos, indistintamente.
Mesmo assim, quero exercitar meu senso propositivo e invocar o lado bom, ou o menos ruim, dessa história. A crise leva a discussões, que levam a novos posicionamentos e que culminam em novas alternativas. Talvez tenha chegado a hora de rediscutir as instituições e o modelo político representativo, em vigor no Brasil. Sem dúvida precisamos amadurecer e aprimorar nosso processo democrático, sem nunca, é claro, perder o foco na democracia.