Cadastre-se na nossa newsletter e receba as notícias em seu e-mail.
Em 1983, numa das capas do jornal Tribuna da Luta Operária, lembro a seguinte manchete: Aqueles que fizeram a crise que paguem a crise. Até hoje tenho na memória esse refrão, porque de fato aqueles que fazem a crise sempre procuram transferir para as costas dos trabalhadores o seu pagamento, mantendo seus lucros. Isso é um absurdo.
Aliás, quero cumprimentar o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, porque foi firme nessa questão, do ponto de vista de dizer aos empresários: “Vocês pegaram bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador, dinheiro do Fundo de Garantia, para financiar a venda de veículos, para baixar juros, e agora querem reduzir salários?” Já não chega o banco de horas, que é uma violência contra os trabalhadores – e os sindicatos tiveram que engolir –, agora querem reduzir salários, horas e pessoas. Isso é um absurdo, é um acinte. Acho que o governo não pode permitir, e os sindicatos não podem concordar, sob hipótese alguma, com a redução de salários. Que os empresários agora, quem sabe, dividam um pouco do lucro que tiveram durante todos estes anos. Que dividam um pouco o lucro, pois sempre sobra para os trabalhadores o preço da crise da qual não são responsáveis.
A imprensa noticiou que no ano passado, só no Rio Grande do Sul, ao contrário do resto do Brasil, a indústria automobilística vendeu 25% a mais de veículos. Portanto uma contradição estarem segurando os veículos nos pátios das fábricas e forçando as revendas a reduzirem suas taxas, forçando a comercialização.
Há muitos empresários, lamentavelmente inclusive na nossa cidade, que se aproveitam dos momentos de crise para fazer o chamado rodízio, tirando o máximo proveito da desgraça dos outros. Demitem de uma empresa o sujeito que está ganhando R$ 2 mil, forçando-o a buscar emprego em outra empresa que vai pagar R$1,5 mil, talvez muito, muito menos. E as outras empresas fazem a mesma coisa, forçam o salário para baixo. Essas questões os sindicatos têm denunciado. A população de Caxias do Sul precisa ser solidária e denunciar esse tipo de situação. Muitas vezes as empresas só reduzem o seu quadro para fazer rodízio. Logo em seguida contratam outros trabalhadores por salários menores, aproveitando a fila do desemprego que está lá fora para faturar ainda mais e lucrar ainda mais nas costas dos trabalhadores.
Portanto aqueles que fizeram a crise que a paguem.
