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Fábio Berti
Fábio Berti
*Jornalista, doutorando em Educação em Ciências (Ufrgs)

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Partidos em pré-falência

Enviado Sexta-feira, 22 de agosto de 2008 às 15:07:30 | Nenhum comentário »
O descrédito da sociedade em relação aos partidos políticos não surpreende. Pesquisa recente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) indica que 72% dos entrevistados não confiam nos partidos políticos. O dado faz parte do Barômetro de Confiança, instrumento de análise do grau de credibilidade dos brasileiros nas instituições e órgãos públicos do país, que destacou as Forças Armadas com o maior nível de confiabilidade (79%).
 
Estudos em sociologia e ciências políticas certamente explicam essa situação. O declínio da relevância das siglas em campanhas eleitorais é um fenômeno universal causado por uma transformação no ambiente midiático, por uma redução no percentual de identificação partidária no eleitorado e pelo aumento na afluência dos marketeiros. A decisão do voto está fortemente estruturada pelas imagens políticas e avaliações que o eleitor faz de algumas características pessoais dos candidatos com ênfase para atributos como honestidade/integridade e competência/bom desempenho administrativo.
 
Uma explicação bem mais simples e de fácil compreensão para a maioria dos cidadãos, embora totalmente sustentável, é o uso indevido dos partidos pelos próprios quadros. Algumas siglas existem apenas para sustentar três ou quatro caciques, que determinam as regras internas. Outras sobrevivem de fantasmas, sufocando lideranças emergentes. Há as que se associam indiscriminadamente em vésperas de campanhas eleitorais para garantir sobrevida financeira nos quatro anos subseqüentes. E as que se digladiam internamente e só fazem dar origem a sub-siglas, às vezes com nomes poéticos, cacifando interesses pessoais.
 
E o pior dos modelos do atual quadro partidário é o que só aparece na mídia quando tenta detonar pretensos adversários. Ou quem sabe, tenta detoná-los na busca de espaço na mídia. Não constróem, não agregam, não integram. Apenas detonam. Cassação de parlamentares, impedimento de governos - mesmo que haja procedência -, são as únicas ações. Tentam usurpar as funções do Ministério Público e do Poder Judiciário. Tudo isso conduziu os partidos a um estágio pré-falimentar e criou uma seríssima ameaça ao estado democrático de direito que tem neles um de seus pilares.
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