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Fábio Berti
Fábio Berti
*Jornalista, doutorando em Educação em Ciências (Ufrgs)

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Diálogos modernos

Enviado Terça-feira, 24 de março de 2009 às 16:49:23 | Nenhum comentário »
A vida contemporânea nos oferece muitas facilidades. Mas também nos traz uma carga de responsabilidade tal que os valores mais básicos passam por inevitáveis e perigosas mutações. Muitos de nós irão se identificar com o diálogo que segue:
- Paiê, vamos jogar bola? – pede o menino de sete anos ao pai recém chegado da estafante jornada de trabalho, que não lhe garante lastro financeiro para comprar muitos brinquedos, embora já tenha dado ao filho um super-mega-ultra viodeogame.
- Agora não! Tô cansado.
- Ô mãe, brinca um pouquinho comigo? – insiste o garoto, em tom de súplica, mudando o alvo para a mãe, habitualmente mais dócil.
- Já vai, meu amor... – responde a mãe, involuntariamente sem perceber que o efeito do seu "já vai" se prolongaria até a hora do menino cair de sono.
- Tá, então vou jogar viodeogame! – avisa o filho, entre o desânimo e a resignação, pois aquilo acontece com frequência.
Tenho lido nestes últimos tempos opiniões de diversos ‘interessados’ na repercussão da lei de autoria do deputado Kalil Sehbe que impede o acesso de crianças e adolescentes a games violentos. Seja por meio de grandes veículos de comunicação ou em blogs para adoradores de jogos eletrônicos, psicólogos, psiquiatras, jogadores eventuais e jogadores inveterados opinam sobre a conveniência ou não da lei recentemente sancionada pela governadora.
Sou pai de um menino de sete anos, orgulhoso por ele adorar ler e escrever, contudo um pouco frustrado em razão do diálogo fictício acima também já ter ocorrido na minha casa. Aprovo que o meu filho jogue viodeogame e use o computador com supervisão e regrinhas pré-acordadas, assim como considero fundamental softwares e jogos didáticos em sua educação.
Meu alento reside no fato de ele realmente preferir um bom livro, até mesmo um livro virtual, com historinha narrada em um site para crianças. Apesar de conhecer estudos que apontam prós e contras, estou convicto de que, melhor que um jogo que incita a bater em professores, seria incentivar nossos pequenos a ler, sem precisar vivenciar também em seu mundo virtual o mundo cruel em que já estamos vivendo.
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