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Fábio Berti
Fábio Berti
*Jornalista, doutorando em Educação em Ciências (Ufrgs)

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Quem perde? Todos nós!

Enviado Sexta-feira, 21 de novembro de 2008 às 15:55:27 | Nenhum comentário »
Caxias do Sul e o seu povo estão perdendo uma grande oportunidade de seguir presentes na pauta diária nacional. Nem nossa pujança produtiva, nem nosso clima ‘europeu’, nem mesmo os estratosféricos índices de criminalidade são suficientes para garantir espaço na mídia nacional com a freqüência que nos acostumamos há mais de uma década. É consensual que a ausência do Esporte Clube Juventude na elite do futebol nacional, por pelo menos mais um ano, reduz sensivelmente o retorno de imagem para nossa cidade e, indubitavelmente, para a região da Serra.
 
Estes argumentos reforçam a responsabilidade que significa comandar um clube de expressão como o Juventude. Os equívocos, certamente, não passam impunes. E quem acaba pagando a mula roubada? Os apaixonados que, por toda a vida permanecem despidos de quaisquer interesses senão assistir a momentos gloriosos de seu clube do coração. Errar tentando acertar é passível de compaixão, e de uma nova chance, a que terá o presidente Florian, este sim, juventudista de berço.
 
O mais doloroso é observar o descaso com as simbologias. Para expor um guindaste, conseguiram enforcar o periquito! Sem intenções subliminares, quero dizer que penduraram um gimmick (boneco) do JU a, sei lá, 30 metros de altura, dando a nítida impressão de que estava sendo enforcado. Realmente simbólico para uma noite em que o time carimbava passaporte para permanecer na segundona diante do Corinthians treinado pela figurinha marketeira que abandonou a SER Caxias com as calças na mão havia pouco tempo.
 
Para mim, essa lembrança do periquito esganado é mais forte até do que os 8 a 1 no Gauchão que não defenestraram ninguém. Nem o Márcio Alemão – que não serviu sequer para o confiança de Sergipe na terceirona – nem o tal de Élvis, que mandava a torcida calar a boca com o consentimento de seus chefetes. A quem interessava dar tanto respaldo a uns carinhas desse naipe? Se alguém souber, por favor, me esclareça.
 
Já me encaminhando para os finalmentes, a cobrança deverá ser sempre a mesma. Os poderosos de Caxias do Sul, cujas marcas estão consolidadas nos cenários nacional e até internacional, evidentemente em razão da competência na gestão dos negócios, deveriam apoiar com vigor as instituições da cidade. Foi assim, com essa receitinha básica, feijão e arroz mesmo, que Avaí e Santo André acabaram de ascender à Série A. No clube catarinesnse, há cinco patrocinadores locais e outros 26 parceiros, todos sediados em Florianópolis ou arredores. Nos paulistas também, empresas locais estampam as camisas e demais produtos.
 
Fica o compromisso mútuo: o clube estar organizado, gerando confiabilidade no mercado e as empresas – e não só as indústrias – simplesmente ampliarem um pouquinho seu papel social. E olha que vou focar no futebol, para não falar do absurdo abandono a que todas as outras modalidades esportivas estão submetidas. Só com o dedo na moleira para mudar o statu quo.
 
 
 
 

Pérola das colônias do século 21

Enviado Segunda-feira, 03 de novembro de 2008 às 14:26:38 | Nenhum comentário »
 
 
Caxias teve dois bons candidatos a prefeito na última eleição. Um deles governou a cidade por oito anos e conquistou altíssima popularidade. O outro, em quatro, ganhou aprovação espetacular, refletida no resultado do pleito. Evidentemente, há méritos no trabalho de ambos e suas equipes. Entretanto, fico com a nítida impressão de que Caxias continuará sendo a mesma. Desenvolvimentista, sim, mas não mais do que a "Pérola das Colônias".
 
Jamais renegaria minhas origens – por parte de pai, sou tataraneto de Ana Rech e tenho um pé na Sicília. Nutro orgulho por termos progredido amassando uva e entortando ferro. Mas é no mínimo um contra-senso ocuparmos posição destacada em rankings de inovação tecnológica na indústria e continuarmos discutindo o básico na esfera pública. Ou muito me engano, ou só se falou em posto de saúde e viaduto durante essa campanha. Tá bom, para não ser injusto, falou-se em educação e segurança, outras demandas prioritárias da comunidade. E no bendito centro de eventos da Festa da Uva, nada mais que um terceiro pavilhão, que tem vários padrinhos e ninguém entende se já está concluído.
 
Alguém aí lembra dos candidatos terem passado perto de temas como pesquisa científica e inovação tecnológica? Tocaram em assuntos como transporte coletivo de massa não-poluente? Disseram se apóiam o Trino Park, que muito poucos caxienses imaginam que seu filho poderá encontrar lá a sua vocação, um ótimo emprego e um salário bem acima do mercado? Falaram que esse deveria ser o embrião de um grande parque tecnológico multisetorial?
 
Moro a cem quilômetros de Caxias há alguns anos, mas estou aqui semanalmente. Auto intitulei-me embaixador da terra, um juventudista que defende o SER Caxias, que tem paciência para explicar aos mais debochados sobre o prazer inigualável de uma polenta com molho de perdiz. Portanto, não posso estar tão desinformado assim. Em nossa cidade, o trânsito já é problemático e tende a ficar caótico em um punhado de anos. As empresas crescem, mas a riqueza não fica para a coletividade, já que pouco se cria e muito se copia.
 
Desejo que quando a sociedade despertar para essas relevantes questões, o preço da visão estreita e da falta de planejamento não seja impagável.
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