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Fábio Berti
Fábio Berti
*Jornalista, doutorando em Educação em Ciências (Ufrgs)

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Solução cada vez mais distante

Enviado Sexta-feira, 19 de setembro de 2008 às 14:07:49 | Nenhum comentário »
Na sociedade atual, o conhecimento é fator determinante para a superação das desigualdades sociais, agregação de valores, criação de empregos qualificados com renda diferenciada e melhoria da qualidade de vida. Os níveis de educação e desenvolvimento científico e tecnológico estão intimamente relacionados com a soberania dos países. A própria UNESCO, apêndice da Organização das Nações Unidas (ONU) para a educação, a ciência e a cultura, tem priorizado investimentos e ações baseados neste trinômio a fim de promover o avanço social.
 
O que já ultrapassou a barreira das tendências e tornou-se verdade universal, no Brasil ainda está longe do senso comum. A primeira edição da pesquisa anual do Ibope sobre educação, recentemente divulgada, destaca que o brasileiro não prioriza a educação na hora de votar. Segundo o levantamento, menos de 1% da população do país considera as propostas para a educação determinantes na escolha do prefeito. O estudo indica ainda que 70% dos entrevistados não têm a menor idéia do que o atual governante faz pela educação em seu município. O Ibope afirma que 63% da população não fazem nada pela educação, ou seja, não chamam para si a responsabilidade pela qualidade do ensino no país e tampouco participam da sua melhoria ou se sentem motivados a contribuir.
 
O desconhecimento sobre as questões relacionadas à educação é tanto que a população acredita que nosso Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é de 5,5. A estimativa é de que essa média seja alcançada somente em 2017. A média atual é de 4,2. Talvez seja mérito de uma propaganda institucional muito bem feita, mas exageradamente fantasiosa. Cerca de 90% dos entrevistados colocam a educação em 5º lugar na lista dos principais problemas do país, atrás de segurança, atuação dos governantes, trabalho e saúde.
 
É consensual que, somente por meio da educação, o indivíduo poderá evoluir intelectual e profissionalmente, contribuindo para o desenvolvimento de sua nação. A educação precisa estar voltada para a transformação da realidade, não podendo estar desvinculada do processo de produção e das relações sociais.
 
Considerando que o Brasil é reconhecidamente deficitário em suas metas educacionais em geral, o rescaldo desta pesquisa gera extrema preocupação. É a velha história: quem sequer conhece o inimigo, jamais conseguirá combatê-lo e, ainda, se tornará uma presa fácil.

Medalhas para a educação

Enviado Sexta-feira, 12 de setembro de 2008 às 12:52:25 | Nenhum comentário »
 

 

Cada manchete que atenta para o desperdício do dinheiro público nos torna um pouco mais incrédulos nos rumos do Brasil. A consciência de que haveria dinheiro para corrigir as distorções sociais aguça sentimentos de revolta que, pelo óbvio, devem permanecer sentimentos. Passada a Olimpíada, virou polêmica o cálculo de que cada uma das míseras 15 medalhas brasileiras na Olimpíada de Pequim demandou R$ 53 milhões. Evidentemente, a conta não é linear, mas chega-se a ela somando as verbas governamentais investidas no esporte – incluindo a Lei Piva de incentivo ao esporte, patrocínios de estatais e projetos como o bolsa atleta e dividindo pelo número de conquistas. O total investido chegaria a R$ 1,2 bilhão.

A primeira reação da sociedade é reclamar que o dinheiro teria melhor uso na construção de casas populares ou na redução das filas do SUS. Outra repercussão é a defesa aos atletas, cuja verba real recebida para treinamento é certamente muito inferior. Diversos atletas tiram do próprio bolso recursos para treinar e participar de competições classificatórias à Olimpíada. Lembram do judoca que chorou pedindo desculpas aos pais pelo quarto lugar? Justo ele que teve de mendigar a sua entidade federativa R$ 1,5 mil para o exame de faixa preta, sem a qual nem participaria dos Jogos. Então, onde foi parar esta diferença? E lá vem outra CPI no Congresso.

Mas o problema não é pontual. Nem se deve indispor os recursos, nem demagogizar o tema. A questão é sociológica. O investimento mais seguro seria relacionar o esporte à educação. A escola é o espaço apropriado ao desenvolvimento de futuros atletas e, antes disso, cidadãos capacitados a influenciar nos rumos da sociedade em que vivem. Também cabe às instituições de ensino superior o papel de congregar ensino e esporte. Especialistas alertam que a educação deve estar voltada à realidade, mais exatamente para transformá-la. É consensual que, somente por meio da educação, o indivíduo poderá evoluir intelectual e profissionalmente, contribuindo também para o desenvolvimento de uma nação. Ao governo, com espaço aberto ao envolvimento da iniciativa privada, é tarefa também criar centros de excelência nas diversas modalidades esportivas, tornando transparentes e criteriosos os investimentos.

O Comitê Olímpico Brasileiro promete uma reavaliação dos critérios de repasse entre federações esportivas visando ao ciclo de preparação para Londres-2012. Ninguém falou em esporte e educação. Sinal claro de que, infelizmente, nada vai mudar.

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