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Cada manchete que atenta para o desperdício do dinheiro público nos torna um pouco mais incrédulos nos rumos do Brasil. A consciência de que haveria dinheiro para corrigir as distorções sociais aguça sentimentos de revolta que, pelo óbvio, devem permanecer sentimentos. Passada a Olimpíada, virou polêmica o cálculo de que cada uma das míseras 15 medalhas brasileiras na Olimpíada de Pequim demandou R$ 53 milhões. Evidentemente, a conta não é linear, mas chega-se a ela somando as verbas governamentais investidas no esporte – incluindo a Lei Piva de incentivo ao esporte, patrocínios de estatais e projetos como o bolsa atleta e dividindo pelo número de conquistas. O total investido chegaria a R$ 1,2 bilhão.
A primeira reação da sociedade é reclamar que o dinheiro teria melhor uso na construção de casas populares ou na redução das filas do SUS. Outra repercussão é a defesa aos atletas, cuja verba real recebida para treinamento é certamente muito inferior. Diversos atletas tiram do próprio bolso recursos para treinar e participar de competições classificatórias à Olimpíada. Lembram do judoca que chorou pedindo desculpas aos pais pelo quarto lugar? Justo ele que teve de mendigar a sua entidade federativa R$ 1,5 mil para o exame de faixa preta, sem a qual nem participaria dos Jogos. Então, onde foi parar esta diferença? E lá vem outra CPI no Congresso.
Mas o problema não é pontual. Nem se deve indispor os recursos, nem demagogizar o tema. A questão é sociológica. O investimento mais seguro seria relacionar o esporte à educação. A escola é o espaço apropriado ao desenvolvimento de futuros atletas e, antes disso, cidadãos capacitados a influenciar nos rumos da sociedade em que vivem. Também cabe às instituições de ensino superior o papel de congregar ensino e esporte. Especialistas alertam que a educação deve estar voltada à realidade, mais exatamente para transformá-la. É consensual que, somente por meio da educação, o indivíduo poderá evoluir intelectual e profissionalmente, contribuindo também para o desenvolvimento de uma nação. Ao governo, com espaço aberto ao envolvimento da iniciativa privada, é tarefa também criar centros de excelência nas diversas modalidades esportivas, tornando transparentes e criteriosos os investimentos.
O Comitê Olímpico Brasileiro promete uma reavaliação dos critérios de repasse entre federações esportivas visando ao ciclo de preparação para Londres-2012. Ninguém falou em esporte e educação. Sinal claro de que, infelizmente, nada vai mudar.
