A história do maior evento propulsor do enorme conceito e respeito que possui hoje, nossa Caxias do Sul, no cenário estadual, nacional e internacional está sendo parcialmente contada neste caderno especial que celebra e comemora os 80 anos de existência e celebração de nossa FESTA DA UVA.
A história destas vinte e oito celebrações passadas, feitas por milhares de mãos e cabeças da comunidade caxiense e regional, está sendo correta e brilhantemente contada por tantos de seus expoentes brilhantes e históricos.
Ouso, como leigo apaixonado pelo evento e cidade, arriscar-me em opinar e tentar pensá-la daqui para seu futuro.
Dizer que a Festa da Uva foi construída até aqui pelo Trabalho, Superação, Entrega, Boas Intenções, União e Sucesso dos Caxienses de todos seus tempos é repetir o óbvio e repetir tantos mais letrados e merecedores de frases maiúsculas como a que propositadamente escrevo. Cada membro de cada Comissão Dirigente, Organizadora ou Comunitária, além de suas Soberanas, fez e faz o melhor que pode, o que de melhor consegue, o possível para mantê-la grande, vitoriosa, representativa e atual.
Mas ouso escrever que, apesar da história de sucesso destes 80 anos, é preciso e necessário a cada dois anos repensá-la, melhorá-la, modificá-la, reinventá-la.
Escrevo e falo com pouca experiência em relação a tantos mais que viveram e respiraram muito mais Festa da Uva do que eu, mas também tenho alguma autoridade de opinião, por tê-la vivido sempre intensamente nos últimos 50 e poucos anos e dirigi-la comercial, administrativa e financeiramente em edições passadas. E de sucesso de público, obras e resultados.
A Festa da Uva, dirigida por sua Comissão Comunitária desde 1994, está desde o evento de 2000 (divisor histórico no acréscimo de patrocínios) praticamente dependente de três tipos de receitas que a viabilizam e lhe garantem sucesso de público e satisfação. A saber:
1. Média de 40% de suas receitas/despesas é fruto de Patrocínios Privados e Institucionais.
2. Média de 30% de suas receitas/despesas é fruto de Venda de Espaços Comerciais e Institucionais no Parque e Eventos.
3. Média de 30% de suas receitas/despesas financiadas pela Bilheteria/Estacionamento.
Repensá-la, reinventá-la, tentar modificá-la é antes de tudo ouvir o que dizem suas pesquisas de opinião e satisfação, sempre feitas na última década. E elas apontam em pouco ou nenhum acréscimo de público de turistas/visitantes de outros estados, pela cada vez menor atratividade com o nome trabalhado, costumes e a história da colonização italiana de 1875 e suas descendências contado durante a estada.
Penso ser positivo e atraente que se direcionem as atrações populares/turísticas cada vez mais no sentido de relembrar e celebrar as raízes da colonização italiana e mesclá-la com lazer, arte e eventos dos novos habitantes da metrópole do século XXI, suas dezenas de novas miscigenações, amantes de cavalos, laço, rodeios e trabalho.
Quase 100% dos visitantes da Festa desaprovam o que chamam de Camelódromo da Festa, pouco mais de 150 espaços comerciais que rendem algo como 12 a 15% da receita do evento e o deslustram e chocam em muito no sentido de satisfação e encantamento. Além de prejudicarem o comércio estabelecido local.
É preciso substituir esta pequena receita e substituí-la por atrações culturais, históricas e de entretenimento que incrementem a receita de patrocínios que quase sempre são conquistados pelo apelo histórico, popular e de força da cidade nas instâncias de poder político e financeiro. Com coragem e decisão, fica mais fácil conseguir.
Um pretensioso raio X da Festa na atualidade demonstra:
A Festa da Uva, junto com a Octoberfest de SC são os eventos populares de maior concentração de público e lazer do Sul do Brasil. Mesmo assim os números de 700 ou 800 mil participantes é exagerado e insustentável, embora compreensível que se use pelas repetições de pessoas participantes em vários tipos e dias de eventos, o que a reduz a 200 mil pessoas a mais (desfiles de rua, evento de escolha da rainha e convidados/cortesias no parque) do que o público pagante divulgado ao final para prestação de contas. O que dá um número espetacular de mais ou menos 500.000 participantes. O que é ótimo e suficiente para ampliá-la a cada evento se todos falarmos que ela estava ou está maravilhosamente bela, e sua história envolvente e bem contada.
O turista/visitante de fora da região nordeste do Estado do RS não chega mais a 10% deste público, o que precisa melhorar, mexendo nas principais insatisfações expressas. O camelódromo que choca e decepciona e o ainda pouco, embora crescente nas últimas festas, apelo/atuação histórica em cima da uva e da colonização.
Listo sugestões simples recolhidas de tantos:
1- É preciso transferir e retomar as disputas das Olimpíadas Coloniais para todos da Festa, fazendo-as acontecer na praça e no Parque de Exposições da Festa. O concurso de arremesso de queijo, a corrida de carriola, a corrida de tratores, o concurso de amassamento das uvas, o de descascar milho, fazer bigoli, quem sabe a corrida da Carreta de bois, da galinha, do porco, do canto do papa-banana e do sabiá poderiam satisfazer novos apreciadores entre os visitantes.
2- A difusão das atrações do parque de exposições por gringos e pelos-duros da terra com seus sotaques e expressões típicas alegrando e divertindo permanentemente quem o visita dariam um clima de Festa da Uva na metrópole industrial.
3- A valorização e visita guiada às réplicas de 1875, do coreto e igreja históricos e a permanente exibição do espetáculo Som & Luz ajudaria a encantar-nos a todos que o visitam.
4- A história e visitação guiada ao monumento e parque do Jesus Terceiro Milênio, Via-Sacra, Capela do Cristo, Museu de Artes Sacras e Gruta de N.Sra. do Caravággio, tudo no complexo próprio, é atrativo apreciado e diferente, afora a vista privilegiada da cidade e seus entornos.
5- A retirada da casa da RBS do local tradicional que desenlustra o complexo histórico e substituição pelo Museu da Festa da Uva, a organização de modelos de estantes “estilo Festa da Uva” com apelo colonial/histórico para os principais apoiadores institucionais do evento escolherem entre eles, também dariam um ar diferente ao novo Centro de Eventos, local privilegiado e moderno, que por si só se impõe como fator da pujança industrial/comercial da cidade.
6- Ocupar o local do chamado Camelódromo (quente e relativamente desconfortável) com a degustação abundante de uvas gratuitas comuns, venda das uvas e vinhos finos, lembranças da festa e cidade, padarias coloniais, pastelarias, grostolis, café colonial, salamaria colonial, queijaria idem, museu e comércio de objetos antigos, sebo, bonecas, campeonatos de bochas, triset, quatrilho, canastra, bisca, escovão e todos tipos de atividades de trabalho e lazer que atraiam os que querem aprender e usufruir dos prazeres dos colonizadores. Cursos de degustação de vinho, educação no trânsito, preservação ambiental, agronegócio orgânico e exposição de nosso potencial hídrico e de coleta e reciclagem do lixo local também ocupariam bem este espaço nobre e importante.
7- Ocupar os restaurantes existentes preferencialmente com comida típica colonial ou ativar diariamente o novo espaço do Salão Paroquial pode ajudar, e muito, na nota de satisfação do visitante/turista.
8- Espalhar, como já está acontecendo, humoristas, embaixatrizes, colonos e esquetes teatrais pelo parque todo em pequenos quiosques ou tendas para alegria, entretenimento e passagem da história de Caxias do Sul, para quem por ela se interessar ou oportunizar. Dará cultura e satisfação/publicidade ao participante e evento.
9- Mesclar toda esta história, em local próprio, com os novos tempos da Caxias do século XXI, dos torneios de vaca parada, dos 3 tambores, do laço mirim, prenda, peão e pai e filho é atrair, agradar, reconhecer os novos tempos e moradores da cidade que evoluiu e cresceu fruto do trabalho de todos.
A D Ú V I D A,
O E N I G M A,
O D E S F I L E.
10 - Sobre os nove itens acima que englobam mais de duas centenas de ações de ação/marketing/trabalho/organização tenho quase nenhuma dúvida a pensar, embora tudo a melhorar e aprender, mas chego no “imbróglio” perigoso e necessário de cada tempo de festa que se aproxima.
O local certo para o Desfile de Carros Alegóricos seria a Rua Sininbu, passando pelo centro de Caxias ou seria a Av. Perimetral Norte, da Moreira César até o complexo do Jesus Terceiro Milênio?
Administrei, sob as ordens e liderança do presidente Ovídio, a construção e inauguração do Jesus do 3º Milênio, do projeto à inauguração com o mirante, Museu de Artes Sacras, Via-Sacra e Missa Inaugural Nacional. Por isto deveria dar-me por impedido. Mas como é uma colaboração com a cidade e sua festa maior, e dentro do estilo corajoso e destemido que muitos me dizem tê-lo, arrisco-me a dizer que penso ser hora de concentrar toda a Festa na área da Festa e cercanias. Fico com a Perimetral Norte, sem segurança e convicção total, mas pelos argumentos e modificações abaixo:
A MANTER:
1- Conforto, arquibancadas confortáveis, distribuição de uvas finas, água e lembrança da Festa e cidade, para os portadores de ingressos pagos que nos visitam.
2- Temas históricos para os Carros Alegóricos e conjunto de pessoas que percorrem a avenida do desfile.
3- Música permanente e uva em todo o trajeto do Corso.
4- Foco e importância principal no Carro da Rainha, como apogeu e autoridade representativa maior da Festa Popular.
5- Reaproveitamento de Festa em Festa dos trajes típicos usados, para com novos temas e soluções, baratear o enorme custo de atividade essencial e predominantemente gratuita da Festa da Uva.
A MODIFICAR/INCREMENTAR:
1- A apresentação dos mestres de cerimônias das últimas ou todas as festas está errado ou subaproveitada. Em vez do caráter político ou técnico das escolhas, é preciso “dialeto vêneto, toscano e romano” no púlpito principal, é preciso mesclar com historiadores, músicos, trovadores dos dois mundos envolvidos, humoristas dialetos para o tempo entre blocos ou carros e algum teatro “brigão” entre eles para disputar o que é mais importante e atraente. Os nomes não são importantes aqui, mas pensem que temos Iotti e seus personagens, Maneco e Nadir e seus Miseri Coloni, Ladir e seu Sul Paion, Michielon, Cleodes, Tânia e Migot e suas histórias e Corais típicos que fazem sucesso entre o clima criado pela festa. O sotaque, a música e a alegria farão acontecer.
2- Parece necessário que voltem as carretas de bois, os moinhos de farinha, os navios, o carro dos caçadores, da uva, da nona, a religiosidade e por fim a rainha, princesas e o luxo roxo de seu carro triunfal.
3- Informar/divulgar durante o desfile, as outras atrações da cidade (turísticas, gastronômicas, notívagas) no intuito de levar o movimento financeiro do parque, explorado em mais de 60% por profissionais de outros centros, profissionais que pouco deixam aqui e muito daqui levam, para o comércio de rua e shoppings locais, incrementando e expandindo a festa para todos os pontos da cidade.
4- Fazer coincidir a data da Festa e dois de seus desfiles com o período de Carnaval dos anos pares, para aproveitamento do enorme potencial de viagens de grupos que não apreciam a festa momesca e a 3ª idade, grande viajante e consumidora.
5- Terminar o desfile em “gran finale” que deixe seus espectadores propícios a bem avaliar e recomendar a cidade e seu evento, com criatividade, beleza e surpresa.
E TRABALHAR COM FÉ, CRITÉRIO E ORGANIZAÇÃO.
“avanti”