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Germano Rigotto
Germano Rigotto
Ex-governador do Rio Grande do Sul e coordenador da Reforma Tributária no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (www.germanorigotto.com.br)


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Acesso Restrito

Muito aquém do que podemos

Enviado Sexta-feira, 29 de agosto de 2008 às 14:46:27 | Nenhum comentário »
Cada uma das conquistas olímpicas brasileiras deve ser recebida com grande orgulho cívico. Entretanto, concluída a competição de Pequim, precisamos interpretar nosso desempenho global com realismo e responsabilidade. E o fato é que claramente não fomos bem. Ora, um país com as dimensões e as potencialidades do Brasil não pode satisfazer-se com o 23º lugar no quadro geral de medalhas, atrás de nações como Etiópia, Bielorrússia e Ucrânia, essa última – 11ª colocada – com uma área territorial semelhante ao Estado de Minas Gerais e uma população que não chega a 50 milhões de habitantes.
 
 
 
Dos que ficaram acima na tabela, nosso país é superior a muitos no que diz respeito à densidade populacional – tem mais de 186 milhões de habitantes, um dos maiores do mundo – e à extensão territorial – representa quase metade de toda a América do Sul. Temos ainda um clima propício para a prática de diversas modalidades, diferente do que acontece em muitas partes do Planeta. Mais: nosso povo é vocacionado para o esporte, uma vez que a constituição cultural brasileira tem íntima ligação com as atividades físicas de caráter competitivo.
 
 
 
Para reverter esse quadro, há muitos flancos a serem atacados. A Educação Física, por exemplo, precisa ser mais valorizada no currículo escolar. Todavia, não apenas como mera atividade lúdica, mas também como um laboratório de formação e de seleção de novos atletas. O Brasil só vai alcançar melhores resultados nas Olimpíadas quando der às práticas esportivas, seja na escola ou nos clubes, um tratamento mais criterioso e exigente. O esporte continuará sendo lazer para quem desejá-lo desse modo, mas poderá ser sinônimo de inclusão e de sentido existencial para quem a ele decidir dedicar-se profissionalmente. E essa é uma porta que precisa estar aberta sempre.
 
 
 
Houve, nos últimos anos, algumas evoluções. As medalhas que obtivemos, entretanto, decorreram muito mais de um grande esforço individual dos próprios competidores e das entidades que os apoiaram. A trajetória dos vitoriosos quase sempre repete um mesmo roteiro de esforço pessoal, por um lado, e de pouco apoio, por outro. Até por isso eles são, verdadeiramente, heróis olímpicos! Por isso, há muito por fazer. Investir no esporte significa economizar, logo ali adiante, em saúde e em proteção social. A emoção que todos sentimos com as conquistas brasileiras são legítimas e justificadas, mas a Olimpíada de Pequim teve um caráter pedagógico para o Brasil: mostrou que podemos muito mais e que por isso muito tem que ser feito para nos transformarmos numa potência olímpica.

Incentivo à qualidade e à produtividade

Enviado Sexta-feira, 15 de agosto de 2008 às 15:23:12 | Nenhum comentário »
  Se fizermos uma comparação entre o setor público e o setor privado, chegaremos à conclusão de que, enquanto o setor privado trava incessante batalha para a melhoria da qualidade e preço de seus produtos e serviços em face da acirrada concorrência imposta pelo mercado, o setor público busca a excelência dos serviços prestados ao contribuinte com a utilização equilibrada da receita pública.

 

Além dos investimentos em tecnologia, treinamento, melhoria de processos, redução de despesas e publicidade, o setor privado, já há algum tempo, e o setor público, mais recentemente, descobriram que é necessário incentivar a melhoria da qualidade, a produtividade e a criatividade daqueles que são seu maior patrimônio: os trabalhadores.

 

Ao vencerem os desafios que lhes são propostos, os trabalhadores auxiliam seus empregadores a proporcionar um produto ou um serviço melhor ao contribuinte ou ao consumidor e atingem a realização pessoal e profissional ao superarem as metas estabelecidas pelas empresas em campanhas motivacionais.

 

Há um século o setor privado adota campanhas de incentivo para motivar seus colaboradores a cumprirem metas quantitativas ou qualitativas, e reconhece esses esforços recompensando-os com prêmios.

 

As campanhas de incentivo são adotadas para incremento de vendas, melhoria da qualidade dos produtos e serviços, do processo produtivo, redução de custos operacionais e administrativos e implementação de novas idéias.

 

No que diz respeito ao setor público, se sucedem iniciativas motivacionais, como, por exemplo, a premiação por desempenho no desenvolvimento e implementação de projetos em órgãos da administração direta e indireta de estados e municípios.

 

No entanto, é curioso notar, que embora as empresas privadas brasileiras adotem campanhas motivacionais há 30 anos para premiar seus colaboradores, carecem de uma lei específica para evitar dubiedade de interpretação por parte dos órgãos fiscalizadores como também do Judiciário.

 

Já as campanhas de incentivo adotadas pelo setor público, normalmente são definidas em lei estadual ou municipal e contêm regras claras quanto ao objetivo das campanhas, público-alvo, metas e premiação àqueles que atingirem os objetivos, mas, em contrapartida, não há uma lei federal específica que regule a matéria.

 

Levando-se em consideração que a atividade de marketing de incentivo existe no mundo há dezenas de anos, motivando trabalhadores e proporcionando a melhoria da qualidade dos produtos por eles produzidos, não estaria o Brasil na contramão do mercado, perdendo em competitividade para outros países, sobretudo os mais desenvolvidos, por falta de uma lei específica que defina claramente os parâmetros a serem utilizados para motivar e premiar?

 

Recentemente o Brasil foi considerado um país seguro para investimentos, mas precisa caminhar com as reformas tributária e trabalhista, a redução dos gastos públicos e a melhoria da qualidade de ensino para que tenha efetivamente um desenvolvimento duradouro e sustentável.

 

Nossas empresas necessitam exercer suas atividades com segurança, baseadas em regras claras e objetivas, de modo a que possam ser mais competitivas no cenário internacional.

 

Neste momento, o Executivo analisa a normalização do setor de marketing de incentivo e tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei para regular a atividade. É necessário que tenhamos rapidez nesta regulamentação, de modo a garantir que o incentivo, que a motivação volte a ser a força motriz da aceleração do crescimento dos setores público e privado, fomentando a competitividade do Brasil no cenário internacional.

 

 

Inflação e juros: é preciso acertar a dosagem

Enviado Sexta-feira, 08 de agosto de 2008 às 16:25:56 | Nenhum comentário »
A inflação é uma chaga da qual o Brasil não tem saudades. O governo, até aqui, tem tomado as medidas corretas para conter esse perigo. E, de fato, não se pode brincar com ele. Basta ver que, nos últimos 12 meses, o IPCA alcançou um patamar de 6,06%, o maior desde novembro de 2005. Entretanto, é preciso observar também o outro lado dessa balança e equilibrar os remédios aplicados. Isto é: uma elevação exagerada dos juros pode gerar conseqüências desastrosas para nossa economia.
 
A previsão de crescimento do país já sofreu uma queda em suas estimativas, segundo a CNI. A atividade industrial sente o impacto do aumento dos juros aliado à alta dos preços, o que diminui a capacidade de compra da população. Nosso superávit comercial também está em descenso. Mesmo com a balança registrando resultado positivo em julho - de quase US$ 3 bilhões - é preciso verificar que, no mesmo período de 2007, alcançávamos a marca de cerca de quatro bilhões. A conclusão é simples: a aceleração das importações ocorre num ritmo muito maior do que as exportações.
 
Resta claro, diante de tais constatações, que o aumento da taxa de juros, apesar de compreensível, já alcança um estágio perigoso. O Copom deve avaliar com cuidado redobrado cada decisão tomada daqui para frente. Se o acréscimo for acima do necessário, o câmbio vai responder com uma valorização ainda maior do real, situação cujos sintomas já estamos sentindo. A superestimação da nossa moeda frente ao dólar derruba o faturamento dos exportadores, responsáveis por 25% do faturamento industrial brasileiro.
 
Um remédio excessivo vai frear o desenvolvimento e gerar uma série de efeitos em cascata no ambiente econômico e social do Brasil. O governo, portanto, não pode errar agora: nem fazer de conta que o perigo da inflação é inexistente, nem pesar demais a mão em relação aos juros. Ou seja, é preciso ter um olho nos números, sem populismos e demagogias, e o outro na realidade do país, sem pragmatismos exagerados.
 
 
 
 
 
 

O RS e a nova conjuntura

Enviado Sexta-feira, 01 de agosto de 2008 às 15:18:38 | Nenhum comentário »
O Rio Grande do Sul, não faz muito tempo, pedia chuva. As estiagens de 2004 e 2005 marcaram amargamente a economia local. Em 2006, apesar da melhora nas condições climáticas, a falta de preço sacrificou o agronegócio. Nosso governo enfrentou, naquele momento, o pior quadro conjuntural das últimas décadas. Hoje, felizmente, o cenário é totalmente diferente. Em vez de pedir chuva, o Estado pede mais e mais investimentos. A economia cresce acima da média nacional e a arrecadação, por sua vez, segue o mesmo patamar.
 
Há diversos fatores que explicam essa mudança. No plano internacional, 2007 e 2008 foram os anos em que houve a grande explosão da demanda por alimentos. Trata-se de um processo já em curso há décadas, é verdade, mas que só agora eclodiu com mais força. Incide, ainda, a questão dos bicombustíveis, cuja produção, em alguns países, utiliza insumos alimentícios. Pontualmente, há poucos dias, a região do Mississipi (EUA), que está entre as maiores produtoras de cereal do planeta, foi assolada por uma enchente de dimensões históricas. Enfim: organismos internacionais projetam que, por pelo menos cinco anos, o setor primário brasileiro vai gozar de um tranqüilo ciclo de valorização. Isso, por óbvio, gera uma elevação considerável nos preços, o que representa mais renda no campo e maior capacidade de investimento do Poder Público.
 
No plano local, mesmo em meio àquelas secas, conseguimos realizar uma minuciosa obra anímica, que significou manter a auto-estima dos gaúchos elevada. Nunca esmorecemos, tampouco permitimos que o pessimismo tomasse conta da sociedade. Nosso governo se manteve ao lado de quem sofria e lutou por uma nova política para o setor primário. O meio rural gaúcho teve mais de R$ 1,3 bilhão do orçamento estadual. Através de uma negociação bem sucedida com o Banco Mundial, refinanciamos o RS Rural e com recursos da instituição e do Tesouro investimos 145 milhões de reais levando a mão do Estado na direção de 65 mil famílias de pequenos produtores. Reabrimos cinco frigoríficos e, num trabalho conjunto com a Fetag e a Farsul, garantimos uma política de sanidade animal, que abriu novos mercados e valorizou a nossa carne. Atraímos ainda significativos investimentos no setor leiteiro, como a Nestlé, a Embaré, a CCGL e a ITALAC, além da ampliação das empresas que já estavam instaladas no Estado. Esses movimentos foram fundamentais para o momento que vive o agronegócio gaúcho.
 
Todo esse esforço, hoje, faz com que o Rio Grande do Sul esteja pronto para desempenhar um papel destacado na nova conjuntura que se apresenta. Se, há poucos anos, a economia jogava o Estado para trás, a realidade atual é bem diferente. Há uma convergência de fatores que fazem o planeta inteiro olhar para a capacidade produtiva brasileira, e especialmente a gaúcha, e reconhecer que esse pode ser o endereço do maior celeiro de alimentos da humanidade. Há problemas a serem resolvidos, claro, mas estamos diante de uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Afinal, o mundo pede o que o Rio Grande do Sul tem de melhor.
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