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São diversas as causas que conduzem os jovens ao mundo das drogas. Entretanto, há um consenso objetivo entre todos os especialistas: a falta de planejamento familiar e a conseqüente desestruturação da família continuam sendo um esteio fértil para a adesão ao vício. É evidente que nem mesmo famílias aparentemente bem estruturadas estão livres dessa ameaça. Especialmente depois do advento do crack, não há mais ilhas de isolamento e o perigo ronda a casa de todos. Afinal, essa pedra se proliferou de tal modo que sua comercialização ocorre semelhante à de um produto oferecido no varejo, de fácil acesso. Porém, não resta dúvida de que a chance de aderir às drogas é muito menor para um filho fruto de gravidez planejada.
Ora, planejar o nascimento significa criar todo um ambiente para receber o nascituro, tanto no sentido afetivo quanto financeiro. Os pais, se conseguem dialogar e entrar num acordo sobre o momento certo para a paternidade, ficam melhor preparados para um acompanhamento criterioso e dedicado da educação dos seus filhos. Caso contrário, quando surge uma gravidez fora de hora, há uma desorganização da estrutura do lar, o que faz aumentar sobremaneira a incidência de vulnerabilidades de toda ordem. E eis, então, que está aberta a porta para a drogadição.
Foi por esse motivo que o Rio Grande do Sul criou a Lei nº 12.653/06, diploma que instituiu o programa “Te liga, gravidez tem hora!” como política pública estadual. Por iniciativa da então primeira-dama do Estado, Cláudia Rigotto, que se dedicou devotadamente a essa causa, nascia ali uma ferramenta para a realização de ações intersetoriais e educativas de promoção e prevenção à saúde, dirigida especialmente aos estudantes da comunidade escolar gaúcha. Inúmeras ações de conscientização foram realizadas mediante um trabalho técnico e articulado, envolvendo temas como a maternidade e a paternidade conscientes, a sexualidade, a gravidez planejada e a violência.
A pauta do planejamento familiar precisa ser uma preocupação contínua das políticas públicas e das reflexões da sociedade. Trata-se de um tema que não pode ser abordado de maneira impositiva ou preconceituosa, mas que deve vir acompanhado de um grande esforço de conscientização por parte da mídia, dos governos e das pessoas
