Enviado Segunda-feira, 19 de janeiro de 2009 às 09:16:57 |
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O presidente Lula fortaleceu consideravelmente a imagem do Brasil no exterior, muito em virtude de sua própria biografia, mas outro tanto em decorrência da bela imersão diplomática que realizou em suas viagens internacionais. O conceito do País melhorou bastante através da interiorização de princípios políticos respeitados no mundo todo, como o cumprimento de contratos, a estabilidade política e econômica, a solidificação das instituições e a responsabilidade fiscal.
Porém, em relação aos Países da América Latina, parece que a linha política adotada pelo núcleo do governo, muitas vezes a contragosto da própria diplomacia brasileira, não tem obtido o mesmo sucesso. Basta ver que está em curso, por parte de alguns presidentes vizinhos, uma tentativa de carimbar o Brasil com o rótulo de um imperialista sul-americano - um verdadeiro disparate conceitual e fático.
Evo Morales, presidente da Bolívia, encampou unidades da Petrobras sob o pretexto de estabelecer o monopólio estatal na exploração de combustíveis. Rafael Correa, do Equador, ameaça com o descumprimento de contratos firmados através do BNDES. Fernando Lugo, do Paraguai, recém eleito, já fala em revisar o acordo de Itaipu, alegando uma pretensa desvantagem na gestão da hidrelétrica.
Diante desses fatos – com potencial para causar grandes prejuízos ao País –, alguns membros do governo federal adotaram uma postura muito mais pautada pelas suas convicções ideológicas do que pelos interesses em jogo. Ora, não se pode tratar de questões dessa ordem com complacência ou benevolência. As preferências políticas jamais podem sobrepor-se à defesa do que realmente importa para a população brasileira. Ou seja: amizade é amizade, negócios à parte.
Não podemos regredir em nossas relações internacionais, especialmente no que diz respeito ao Mercosul. Entretanto, esse caminho deve ser construído através dos princípios diplomáticos modernos, tão bem encarnados pelo presidente Lula até aqui, e não meramente sob a inspiração de afinidades ideológicas. É preciso estabelecer uma relação altiva, respeitosa e, acima de tudo, fundada nos valores democráticos. A diplomacia brasileira tem excelentes quadros e, especialmente na relação com os vizinhos da América Latina, deveria ser mais ouvida pelo Palácio do Planalto.