Enviado Quinta-feira, 17 de setembro de 2009 às 11:26:59 |
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Toda crise traz lições importantes, e com a atual não tem sido diferente. No que diz respeito à balança comercial brasileira, a turbulência deixou evidente duas frentes de ação para as quais o Brasil precisa voltar-se urgentemente: ampliar a rede dos parceiros comerciais e diversificar os produtos importados. Claro que o primeiro passo é cuidar bem do que já temos. Contudo, o país não pode ficar dependente de um único comprador e tampouco centrar suas vendas numa única espécie de mercadoria.
Esse é um risco que hoje corremos em relação à China. Nossa balança de exportações com os chineses está muito voltada a commodities agrícolas e minerais, enquanto importamos elaborados e semi-elaborados. Mesmo sendo verdade que a China é a grande locomotiva mundial, o Brasil não pode estabelecer com ela a mesma relação de dependência que tinha com os Estados Unidos e a Europa há alguns anos. Por óbvio que é preciso reconhecer o valor estratégico desses negócios, mas isso não significa, por exemplo, fechar os olhos para a concorrência predatória que ocorre em determinados setores, como no caso dos calçados.
Medidas antidumping, portanto, não podem deixar de ser tomadas sob qualquer pretexto. Essa é uma vigilância que o Brasil precisa adotar sempre que necessário, algo que ocorre naturalmente no ambiente do comércio internacional, independente de implicações que porventura possam existir em outros negócios. A prática de dumping deve ser combatida com rigor de modo a não proliferar cada vez mais. A concessão que se faz hoje em relação a um setor pode estar atingindo muitos tantos logo ali adiante.
Outro aspecto que merece atenção: a China procura comprar terras na América Latina para gerenciar produções locais, o que revela interesse de tomar conta da logística de envio de produtos para seu país. Também há notícias de mercadorias que chegam absolutamente prontas e, quando aportam no Brasil, apenas recebem um selo nacional. Ou seja: todo o valor agregado da produção fica lá.
O protagonismo chinês é a grande mudança no cenário do mercado internacional dos últimos anos. Isso impõe, inclusive, novos contornos políticos e relacionais às nações. A parceria entre o Brasil e China tem tudo para ser vantajosa a ambos, desde que estejamos precavidos ao risco iminente da dependência. Se continuarmos priorizando a exportação de commodities, se delegarmos a logística aos chineses, se não combatermos as más práticas comerciais e se não agregarmos valor aos produtos que vendemos, em vez de parceiro, o Brasil pode tornar-se um grande refém. E isso é tudo o que não precisamos.