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A demora burocrática e política para o início da construção do Aeroporto Regional da Serra pode ter reflexos negativos para a economia da região. A possibilidade de Caxias do Sul ser um campo base da Copa do Mundo de 2014 também pode estar ameaçada. Apesar dos anúncios de reformas e de ampliações do Aeroporto Hugo Cantergiani, as medidas não são suficientes para aumento no número de voos – parte importantíssima de infraestrutura de uma candidata à subsede de competição mundial.
A atual estrutura existente do aeroporto não comporta o embarque e desembarque simultâneo de passageiros de mais de dois voos, por exemplo. Além disso, as limitações da pista são impeditivos para a chegada de aeronaves de maior porte. Isso ainda limita em muito o escoamento de produtos das empresas locais e regionais, que têm mandado e recebido materiais para as mais diversas partes do mundo.
Tendo como sede empresas do porte da Fras-le, Florense, Grendene, Guerra, Madal Palfinger, Marcopolo, Randon, Trombini, entre tantas outras, a região não pode ficar refém de manobras políticas para a definição e para o início de construção de uma ferramenta logística importante. A infraestrutura das cidades tem de ser melhor dimensionada por governos e governantes, independentemente de ideologias políticas.
As novas tecnologias surgem em um ritmo alucinante. Muito diferente da contrapartida pública, que pena em burocracia e embates políticos. Quem perde com isso é a população.
Com as empresas tendo de realizar manobras homéricas para distribuir seus produtos para grandes centros, com certeza, isso influencia consideravelmente na elaboração das planilhas de custos. Os resultados disso são a perda de competitividade e de capacidade de investimentos (que, exemplificando, implicam em uma menor contratação de mão de obra). Sem contar que os preços para os consumidores ficam mais caros. O local para a construção do novo aeroporto devia ter sido definido tecnicamente – ainda quando da elaboração do primeiro estudo, feito em 2003.
E para piorar, aquela avaliação não foi suficiente para uma definição de onde seria o local ideal para a construção de um aeroporto regional.
Nós, contribuintes, tivemos de desembolsar (por intermédio do pagamento de impostos) dinheiro para a realização de mais três análises. Sim, nós pagamos para serem feitos mais três estudos que chegaram sempre a mesma definição.
Não pretendemos discutir qual o melhor lugar para sediar o aeroporto? O que vale é discutir a demora para a execução de uma obra de vital importância para a nossa região. Os prejuízos à sociedade não se resumem aos custos desses quatro estudos. Eles se referem a uma falta de infraestrutura que deveria estar pronta há anos.
Todos perdemos: empresas, trabalhadores, comerciantes e o próprio governo (nas três esferas), que deixou de arrecadar ainda mais impostos com o crescimento que o aeroporto teria gerado para a região. Agora nos resta unirmos forças para fazer com que este novo governo estadual inicie a obra desta urgente necessidade da região.
