Você já parou para pensar quantas mudanças aconteceram ao seu redor nos últimos tempos?... A bolha da Bolsa de Valores estourou, Santa Catarina está sob o regime do caos climático, as guerras são digitais, embora os sacrificados continuem sendo os mais fracos e inocentes, temos uma reserva de petróleo que nos colocará em breve na OPEP, a Internet está cada dia mais próxima de todos, o poder aquisitivo no Brasil bateu recordes, mas a violência urbana também e as crianças são as maiores vítimas, empresas tradicionais foram engolidas por megacorporações, que explodiram na bolsa, as cidades estão cada vez maiores e o consumo atinge proporções nunca imaginadas...
Mas não fique apenas aí pensando, pois enquanto você está lendo esse artigo, muitas outras mudanças estão ocorrendo no mundo todo e comunicadas em tempo real a todos os rincões do planeta e é preciso atitude para sobreviver a toda essa avalanche de transformações.
Veja bem... até um tempo atrás comprar um sapato era comprar um sapato, agora é diferente, você vai ao shopping com uma marca na cabeça e compra sua marca preferida. Vivemos numa época onde mudaram conceitos de relacionamento, já não se namora... se fica... mudou a economia... o maior valor de uma empresa hoje são seus intangíveis, ou seja, sua imagem, sua marca e não mais o seu patrimônio físico, mudou também a política... e tudo isso em muito pouco tempo...
Até um tempo atrás as grandes cidades é quem detinham as principais opções para todas as pessoas, era preciso vir para as capitais para ter os melhores serviços, as melhores universidades, os melhores hospitais... mas em curto prazo de tempo isso tudo mudou... graças à tecnologia hoje podemos dispor de ótimas alternativas em qualquer lugar que estejamos, entretanto é preciso que nossas atitudes como empreendedores e empresários estejam de acordo com essa tendência de transformação. Os produtos e serviços precisam estar preparados para níveis cada vez mais ousados de concorrência, onde a lucratividade é uma meta quase impossível de ser alcançada.
É necessário compreender a diferença entre simplesmente entregar um produto e interagir com o consumidor durante todo o processo. Pois, as pessoas hoje estão muito mais espertas, sabem muito mais a seu respeito e não vão ser iludidas por belas e enganosas propagandas... simplesmente porque esse tempo já passou!
Se o seu produto encalhou na prateleira ou se seu serviço não atrai mais ninguém, não procure responder com as velhas táticas vitoriosas de ontem, elas estão obsoletas e, literalmente, não valem mais nada. Por mais difícil que isso possa parecer, é preciso encontrar novas alternativas, romper laços com o passado e ter coragem de caminhar rumo ao novo, por mais desafiador que possa transparecer.
Lembre-se que depois de vencida a validade, os remédios não tem mais utilidade, ou até mesmo podem causar danos irreversíveis e se a coisa não vai bem, pode até piorar.
Pense bem, é preciso encontrar o valor certo que as pessoas atribuem ao meu produto ou ao meu serviço e me esforçar para que essa seja a imagem da minha empresa: que tenha atitude convicta de valorizar quem compra ou consome e saiba perpetuar isso como um namoro antigo, pois, ao menos nisso, o mundo não mudou.
Cada vez mais o mundo dos negócios está exposto ao global. As pessoas deixaram de ser meros consumidores e estão aptas a discutir sob vários pontos de vista com as empresas e seus representantes, às vezes com um arsenal de informações até então inimaginado. Satisfação já não é garantia, assim como qualidade deixou de ser fator de retenção há muito tempo. Nenhum produto ou serviço sobrevive sem um bom atendimento e qualidades desejadas.
Aí é que o problema surge: o que é um bom atendimento? E o que é qualidade? Infelizmente somos obrigados a descobrir isso no dia-a-dia, com um custo elevado e com riscos incalculáveis, mas, se quisermos sobreviver, precisamos conhecer estas condições que fazem o consumidor se tornar nosso cliente e, melhor que isso, nosso propagandista não remunerado.
Mas, estamos tão atarefados em organizar o serviço, repor estoques, gerenciar funcionários, sobreviver aos impostos, que quase não temos tempo para olhar para nosso cliente. Que coisa estranha, não? O cliente sabe cada vez mais sobre o que procura e à respeito de nós mesmos, todavia é um desconhecido para nossa organização.
Oh! Mundo cruel! O que fazer? Fingir que conhecemos é perigoso, desde pequenos somos lembrados de que mentira tem pernas curtas. Vamos enganar quem? De novo somos as vítimas!... O mundo conspira contra... será?
Claro que não! Precisamos de uma palavra mágica a nosso favor: pesquisa. Entretanto, chega de pesquisas de satisfação anestesiantes, basta de conhecer desejos e necessidades (que loucura dizer isso!), temos que entender a forma de consumo!
Parece coisa complicada... e é! Não pode ser conduzida por amadores, precisa tempo e paciência, que às vezes não temos, mas é a diferença entre sucesso e mesmice, também conhecida como commodities. Theodore Levitt (1980) disse que não existem produtos commodities, acredite nisso!
Precisamos conhecer nosso consumidor e futuro cliente no seu ambiente, isso sim faz a diferença: como ele faz ? porque faz dessa forma ? Responda essas questões e o céu é o limite! Pesquisa etnográfica, etnomarketing, antropomarketing, estratégia naturalista, dê o nome que quiser, mas faça-se um favor: conheça seu cliente!
Enquanto o mundo olha atônito as notícias da crise financeira, as rodas e engrenagens seguem seu rumo sem perceber que alguma coisa mudou. Talvez um freio acionado de maneira ainda discreta, não mais que isso, movimento esse causado pela Síndrome do Curioso, algo mais ou menos assim: alguém que está andando e não motivo nenhum para deter seu curso, de repente interrompe seu caminhar para olhar curiosamente uma situação que não pertence ao seu roteiro. Ao parar sem avisar, produz um efeito brecante naqueles que vem atrás e a tendência passa a ser geral, gerando até mesmo alguns fatos extremos de retirar algumas pessoas de sua rota. Quanto mais importante for o fato que ocasionou a mudança de velocidade, maiores serão os impactos no sistema e mais significativas as conseqüências.
Essa é a imagem que tenho do Brasil hoje, enquanto as notícias de crise, depressão e estagnação circulam, o país quase para contemplativo e diminui seu ritmo de crescimento. Não estou afirmando que não tenhamos que nos preocupar com o que está circundante, mas que temos obrigação de olhar para frente e viabilizar o nosso próprio fluxo. Curiosidade demais pode ser danosa, pois enquanto paramos para acompanhar a novidade, perdemos tempo e coragem.
Toda vez que assistimos a uma cena insólita e impactante, temos a impressão de que seremos os próximos, por isso, naturalmente, diminuímos nosso passo e ficamos mais cuidadosos. Isso não quer dizer que tenhamos que parar e acompanhar o desfecho daquele acontecimento. Preocupar, sim. Parar, por quê?
Se somos um país emergente, não há possibilidade de interromper a busca pelo ar da superfície, pois nossa capacidade de retenção de oxigênio é limitada e os danos podem ser irreversíveis. Vale tudo para continuar subindo, inclusive ignorar a queda dos grandes e poderosos, afinal, não eram eles que nos mantinham abaixo da linha da dignidade?
Lutar é a ordem do dia! Não perca o foco, não disperse sua energia com notícias que não lhe dizem respeito, pelo menos enquanto elas forem só notícias e os pessimistas de plantão não forem maioria.