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PATRIMÔNIO CULTURAL

Enviado Segunda-feira, 24 de janeiro de 2011 às 10:51:46 | 1 comentário »

Nos próximos dois anos concluirei um Inventário do patrimônio cultural das pequenas localidades de São Francisco de Paula e Caxias do Sul. É um modesto projeto pessoal, sem patrocínio, que realizo há muito tempo sobre nossa gente.

            No Rio Grande do Sul, por exemplo, são 496 Municípios, entre grandes e pequenos. Este é um dado que pode esconder comunidades inteiras, dependendo dos conceitos e visões que temos sobre as entranhas do Brasil. Na política administrativa e na geografia dos planos de governos, às vezes, são esquecidos os métodos de como um Município é dividido. A base dos cargos de confiança de um Prefeito ou de uma Prefeita, além de secretarias, cria subprefeituras que têm deveres e proximidades com o povo do interior do interior (somem-se as chamadas Áreas Administrativas). Sendo assim, cerca de 4000 Distritos estão catalogados e nem aparecem nos mapas.

            A visão de profundidade - de conjunto - sobre o que nós somos em termos de Estado e Nação, às vezes, passa despercebida, pois nesta estrutura ainda existem vilas, povoados, capelas e pequenas localidades que têm como ponto de referência uma Igrejinha ou um bolicho de beira de estrada. Pois esses pontos escondidos entre latitudes e longitudes do RS passam dos 10.000! E olha que aí moram criaturas que também representam o chamado patrimônio nacional. A tão falada “diversidade cultural” brota nesses rincões e querências sem privilégios ou logomarcas.

            Na região de Cima da Serra ou aqui no Campo dos Bugres, nada é diferente. Além dos sete distritos de São Chico e mais seis de Caxias, descobre-se cerca de 150 pequenas localidades. Aí reside meu interesse em inventariar alguns “vestígios” de nossa identidade, incluindo os falares, a gastronomia, os mitos, a religiosidade, a história e a genealogia. É um levantamento que não precisa de grandes projetos acadêmicos.

            O leitor sabe, por exemplo, onde fica o grand cânyon caxiense? Veja que nosso conhecimento sobre o desbravamento de serras e peraus inóspitos não levou em conta que temos um potencial turístico inexplorado. Ali na Mangueirinha (Vila Oliva) está um exemplo que poucos conhecem, além dos jipeiros e piquetes de cavalgadas que se aventuram pelas picadas e trilhas nos finais de semana. As Pontes do Raposo e do Kroeff, marcos da rota tropeira, o Passo das Mulas, a Cachoeira de Santa Terezinha o Cânyon dos Palanquinhos, a Ponte do Passo do Inferno, o Lava-pé, Tunas Altas, Flor do Campo, Juá, Cadeinha, Canastra, Contendas, Passo do S, Pedra Lisa, Colônia Felicidade, Colônia Victalina, Cerro da Glória, Bem-te-vi, Zona Lise e por aí vai.

            A Diocese de Caxias também mostra uma relação interessante sobre as comunidades com nomes quase desconhecidos como Nova Camáldoli, Bom Jesus das Macieiras, NSra. da Uva, Linha Canudos, Divino Espírito Santo, Travessão Porto, Linha Sebastopol, Santa Isabel da Hungria, Santa Clara de Assis, Linha Sol Nascente, NSra. das Neves, Santo Anselmo da Zona Alegre, NSra. Graffignana, Quebra-cabo, Cará Piai e muitas outras.

            Quando nós eleitores vislumbramos que alguns conhecidos assumiram cargos importantes no Governo do Estado, como Luiz Antônio de Assis Brasil (Cultura) e Abigail Pereira (Turismo), torcemos para que eles não reneguem suas raízes. Os conceitos capitalistas que gostam de marketing pensam apenas em eventos embalados com artistas globais (e caros). Os pequenos “tiros de laço”, festas, serões, tertúlias de galpão, filós, música, dança, bailes, cardápios saborosos, artesanato nativo e outros atrativos folclóricos da gente simples do interior também faz parte deste inventário multicultural da nossa região. São centenas de eventos que nem constam nos calendários dos governos. E ainda tem gente diplomada que diz que a região “não tem atividades culturais”... E os recônditos bucólicos e rurais são apenas vagas citações nos livros, revistas e jornais urbanos financiados pelas tribos da Selva de Pedra. É assim mesmo?

 

 

(*) Escritor, Economista, Historiador: www.fuj.com.br

 

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