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O processo migratório interno tem despertado a atenção dos estudiosos tendo em vista que no atual estágio da economia nacional algumas mudanças de roteiros e rotas de pessoas influenciam o crescimento desordenado de cidades. Aqui em Caxias do Sul já se observa nas últimas décadas um movimento de migrantes chegando em grande número. A prioridade é buscar oportunidades no mercado de trabalho. Por isso, vêem-se pessoas chegando da fronteira sul, principalmente, mas também de outros Estados, como Santa Catarina, Mato Grosso e até mesmo do Pará.
Surpreendentemente, existe outro viés que já estava sendo esquecido pela limitação de origem legal: as emancipações e anexações. Afora a conquista recente da comunidade de Pinto Bandeira que se separou de Bento Gonçalves, em decisão muito concorrida no judiciário, não se sabe de outro exemplo. A idéia de libertação dos grilhões que amarram pequenas localidades a uma sede central, quase sempre alheia aos reclamos dos colonos e campesinos do interior do interior, vez por outra renasce. A independência na condução de políticas locais mais próximas da realidade de vilas, povoados e distritos é um vírus que contamina gerações diferentes. No caso de anexação a um Município mais poderoso a idéia também é antiga. Por outro ângulo da discussão o resultado é que há um aumento da população e da área do Município que recebe essas “novas” comunidades.
No último final de semana, por exemplo, durante uma festa religiosa no Juá, foi praticamente instalado o movimento de anexação à Caxias do Sul. Parceiro da idéia está o distrito de Cazuza Ferreira, ambos pertencentes a São Francisco de Paula. Escolhida uma Comissão e presentes lideranças políticas e religiosas que até afetuaram o lançamento de um jornal-informativo que será a voz desse povo otimista e idealista.
Em 2007 lancei o livro “Os Fundadores de São Francisco” no qual procurei historiar resumidamente movimentos idênticos que se realizaram nas décadas de 1960, 1970 e 1990. Muitas reuniões e assembléias, levantamentos sócio-econômicos, requerimentos e contatos na Assembléia Legislativa do Estado. A fundamentação básica era de que o Município de São Francisco não tinha (e não tem) capacidade ou competência para atender à população ao mínimo necessário em termos de estradas, postos de saúde, telefonia, etc. Tudo corria maravilhosamente quando uma nova legislação proibiu tudo e que coincidiu com a derrota do plebiscito democrático ocorrido em Ana Rech.
Agora, em 2010, lancei “Criúva, um povoado brasileiro”. Nele indico que essa rebelião popular vem ainda do final do século XIX e mais adiante sendo bem sucedida, e o distrito que inclui a Mulada e o Rincão das Flores, foi anexado a Caxias do Sul pela Lei 2531, de 15/12/1954, assinada pelo Governador Ernesto Dornelles. Também relatei um fato pitoresco acontecido em 1919 quando essa área, em conjunto com Cazuza Ferreira e parte de São Marcos e do Juá, “criaram” o Município de RIO BRANCO! No entanto, Borges de Medeiros, com seu estilo astuto e sabendo das antigas richas entre Maragatos e Chimangos “degolou” o novo município e impediu a intenção libertadora. O que aconteceu é que poucos anos depois brotou novamente o movimento que conseguiu a anexação de São Marcos a Caxias do Sul (no caso, anos depois São Marcos se emancipou). Pois agora, surge novamente a esperança de passar uma área considerável de fontes de água, campos e matas para a metrópole de sucesso, em crescimento, e que gera maiores oportunidades. É um conjunto de fatores que se apresentam num momento de discussões em torno de qual será o futuro dos Campos de Cima da Serra. Espero que a politicagem fique fora do processo e não se aproveite dos ideais justos daquela gente que faz parte de antigas famílias povoadoras do Rio Grande do Sul.
Passado alguns dias após a decisão do STF, emoldurando um novo capítulo no ordenamento jurídico relacionado aos direitos dos homossexuais, tento refletir sobre os desdobramentos futuros.
Pessoalmente, entendo que a decisão deixou transparecer claramente que os gays são gente! Sendo assim, são protegidos por garantias constitucionais. O princípio da igualdade foi também associado ao simbólico tom de que são da mesma espécie humana, constituídos pela centelha biológica da inteligência, racionalidade e todos os atributos físicos e morais com defeitos e qualidades. Ocorre que muitas vezes a Lei não acompanha o pensamento da maioria e o Direito torna-se oblíquo ao processo social. Pode ser interpretado como uma imposição necessária.
A sociedade brasileira passa para outro estágio no qual barreiras são transpostas e velhos tabus caem por terra. Aceitar ou não aceitar novos paradigmas é uma questão pessoal ou coletiva? Vivemos em sociedade e os fatos reais sobrepõem à ficção ou as fantasias. Tudo gira em torno de preconceitos. Alguns assuntos têm a característica de serem escondidos, manipulados ou acalentados pela covardia ou o medo de expor desejos e intenções. O tecido social é vulnerável e muito sensível a determinadas questões. E as relações entre gays, transexuais, lésbicas e outros adjetivos que circulam entre grupos diversos, não soa muito bem em todos os níveis e classes sociais.
O insigne Prof. Sérgio Alves Teixeira afirma que “é imperativo dizer que qualquer que seja o elemento mobilizado para ativar preconceitos e discriminações e, por real que seja (etnia, sexualidade, gênero, etc.) o sinal negativo que o acompanha é um rótulo criado pela sociedade. É precisamente este sinal que é invocado para legitimar os preconceitos e discriminações”. Ora, o rótulo pode traduzir uma falsa idéia que induz ao sentimento de divisão, privilégios e dotes de incompreensão, maldade e falta de amor ao próximo.
Quem procura levar vantagem ou descobrir que é o “sabe-tudo” atrapalha a análise dos acontecimentos e da própria História. Se foram concedidos alguns direitos, os que assumem ser gays devem ter a bondade de respeitar opiniões em contrário e refletir muito sobre a nova situação. É um custo ou educação? Os Deveres também foram incorporados implicitamente.
Quando casais que estão “em união estável” forem solicitar adoção de crianças, por exemplo, deve existir muita compreensão de que a sociedade, de modo geral, não aceita a idéia. Assim, cuidados extras devem ser tomados. Consulta a psicólogos, psiquiatras e estudiosos sobre a temática deve ser uma rotina, pois o medo que as pessoas têm de que apareçam seqüelas irreparáveis no futuro aos adotados é procedente. Teoricamente, foi legalizada uma nova linhagem familiar, em termos genealógicos: pode estar aparecendo uma grande descendência de filhos, netos e bisnetos gays ou héteros criados em algumas gerações por casais gays!
Já existe na internet várias questões levantadas por grupos sedentos por debate ou simplesmente para entorpecer relacionamentos, como: “vão tirar de circulação as piadas sobre homossexuais?”. Ou “nos concursos públicos e fichas de cadastramentos, além de designação de Masculino ou Feminino, existirá outra alternativa?” O Exército aceitará soldados gays? Aqui, reprimo todo posicionamento adotado pelo Deputado Bolsonaro. Pretendo ser hétero até o fim, mas o meu coração manda ter muita compreensão e ter uma visão múltipla sobre a existência.
E qual a reação e postura das criaturas religiosas? Os liberais levarão na esportiva? Ou tudo será levado a sério? Let it be. Espero a convivência pacífica de todos para que daqui a 100 anos os cientistas sociais possam fazer um balanço sobre o nosso tempo, se foi bom ou ruim para você caro leitor...
Estamos passando pelo chamado “período de pentecoste”. No ritual antigo da Igreja Católica é uma solenidade celebrada no domingo que coincide com o quinquagésimo dia após o domingo da Ressurreição e com o décimo depois da Ascenção do Senhor. É uma das maiores festas litúrgicas de inspiração portuguêsa-açoriana. E que faz parte também do folclore de pequenas localidades do interior.
Para os devotos, comemora-se a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos no cenáculo (Atos, II) e, portanto, a fundação e fecundação da Igreja. Difundiram-se mensagens universais de Paz e de Bondade com senso altamente comunitário e popular.
Em nossa região as mais conhecidas festividades estão localizadas em Vila Seca e Criúva. E com o tempo foram adaptados rituais ao estilo da gente da terra. Ou seja, os campesinos de origem tropeira trocaram as vestimentas tradicionais da idade média por bombacha, pala, chapéu de aba larga e lenço no pescoço. Além disto, a sanfona e o violão substituíram a viola, a rebeca e o tambor. As bandeiras com o desenho da pomba e do explendor simbolizam o Divino Espírito Santo e enfeitam procissões e missas crioulas onde até os padres andam pilchados.
Em Criúva, acrescentou-se à programação a feitura de um queijo gigante que pode chegar a pesar mais de cem quilos. Cada família devota contribui com leite e depois o produto é rifado e disputado pelos participantes. Para chegar aos dias de hoje temos que lembrar o inesquecível Padre Pedro Rizzon que foi um dos que resgataram a festa e que seguiu sua organização com o Padre Osmar Possamai.
Em Vila Seca, introduziu-se o “Milagre das Rosas”, uma lenda medieval que teve origem na Rainha Santa Izabel de Aragão. Com Dom Diniz ela teve os filhos Dom Affonso IV e Constança que casou com Dom Fernando IV, Rei de Castela. Surpreendentemente, encontram-se descendentes da Santa em muitas regiões do País. No Rio Grande do Sul alguns personagens da nossa História mais recente são conhecidos: Bento Gonçalves, Jerônimo de Ornellas, Francisco Pedro de Abreu (o Moringue), Flores da Cunha e o celebrado Érico Veríssimo. Pela nossa região desfilam alguns troncos “abençoados” de descendentes: Lavra Pinto, Amaral Fontoura, Rangel, Ferreira de Castilhos, Ribeiro, Azambuja, Annes Dias, Fonseca, Scott, Concer, Teixeira, Duso, Bossle, Fettermann, Espíndola, Tonolli, Costamilan e Matté, entre outros. A combinação de lusos e italianos aparece nessa árvore genealógica.
O assunto é pouco explorado, mas os pesquisadores sabem que num determinado momento, os moradores dos campos de cima da serra não tinham simpatias com padres e houve uma diminuição no rebanho. Os sacerdotes, então, tiveram a idéia de atrair os desgarrados: juntaram-se a eles” Ou, incorporaram uma tradição mais antiga do que aquela ligada à imigração. Por esta razão, vários Vigários de São Marcos e Ana Rech são conhecidos como “Padres Gaúchos” e conseguiram entrelaçar duas culturas.
Pouca gente sabe, mas aqui na cidade, no início do Século XX essa festa religiosa era a mais importante e celebrada na Catedral! Num período onde o nacionalismo procurava diminuir a influência de Portugal e os imigrantes tinham suas próprias tradições religiosas, o evento caiu no esquecimento. No momento atual, deslumbra-se com muita clareza que a partir desta mobilização de devotos, o povo do interior tenta construir um modo diferenciado de vida, em contraste ou contraponto aos que vivem na área urbana. É uma manifestação de que a velha barreira construída entre o burgo e os camponeses continua desafiando a modernidade. É a diversidade e as múltiplas facetas de um povo que ainda tem esperança a partir do espiritual e do divino.
De vez em quando autoridades e políticos tentam defender ou tratar de modo diferenciado os usuários da Diamba ou Cannabis sativa (folhas e flores são empregadas como narcótico de efeitos semelhantes ao do ópio). Independentemente das razões humanitárias que envolvem toda uma política educacional, cultural e de saúde pública, surpreendentemente a proposta de descriminalização ou de apologia a Maconha parte de pessoas que acham que tem conhecimento técnico-científico sobre o assunto. Os ocupantes de cargos deveriam fazer reflexão profunda antes de aparições públicas: esquecem de analisar um conjunto de fatores que pesam em qualquer decisão.
Os palpiteiros estão longe da realidade. Não sabem dos efeitos nocivos ao cérebro das pessoas e como é difícil o tratamento e recuperação de viciados. Nos dias de hoje, a genética tem contribuído para seleção de espécies “mais potentes” da erva. Diferentemente da década de 60/70, são utilizados outros componentes químicos tecnologicamente misturados, embalados e prensados até chegar ao baseado ou ao fininho. É um processo que altera comportamentos e atitudes de uma forma drástica.
Na verdade, pouco se discute o que aconteceria se fosse legalizada a maconha e seus derivados. Imaginem-se, então, os seguintes cenários e situações:
1. Digamos que um Governador xis sofra de um mal repentino e tenha que ser submetido a uma cirurgia. A equipe de médicos e assistentes poderá livremente “puxar um fuminho” antes da operação? A família do doente o que pensará a respeito?
2. Como não será proibido, muitos traficantes do mundo todo, em grandes operações de lavagem de dinheiro terão o nosso País como paraíso para investir em grandes plantações do produto. Os bancos estatais terão uma linha de crédito especial para aprimorar pesquisas e técnicas de cultivo?
3. Os atletas de ponta poderão participar do time de chapados e a comissão especial de dopagem privilegiará os brasileiros e continuará punindo os demais países nas competições internacionais?
4. Os Senadores e Deputados Federais, em suas viagens aéreas até Brasília não se importarão se os pilotos sejam clientes e consumidores dos fornecedores da droga?
5. Os motoristas de caminhão que transportam cargas tóxicas e perigosas dirigirão melhor se provarem continuamente a marijuana nacional? A importada será sobretaxada? Os Sindicatos da categoria e empresas do ramo farão cursos dizendo que o desempenho e a atenção dos profissionais não se alteram com a maconhazinha? A Polícia Rodoviária poderá ficar tranqüila que sob este prisma nada é perigoso e o uso de bafômetro é só para casos de álcool?
6. Para os estudantes que têm dificuldades de raciocínio, serão ministradas receitas com bebidas usadas nas baladas noturnas misturadas com o produto em questão? Tudo para melhorar o desempenho? Ou será proibido nas escolas e universidades? Os advogados de plantão dirão que não existe comprovação de que o usuário diminui seu interesse por estudo e tem dificuldades no aprendizado (!)
7. O semblante e o olhar de um contumaz usuário se alteram? Os âncoras de TV que comentam sobre a violência urbana, criminalidade, acidentes em geral poderão antes de aparecer na telinha tomar a sua dose diária de fumaça com odor de esterco de animais? As direções das emissoras ficarão quietinhas, sem nenhum preconceito?
Enquanto não forem respondidos tais quesitos sugiro que os políticos que desejam um afrouxamento das penalidades apontem soluções para a construção de uma rede de creches para filhos de trabalhadores. A Defensoria Pública e o MP estão cansados de ingressar com centenas de ações por mês contra governos obrigando-os a encontrar vagas para crianças, o futuro do Brasil.
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