Se os partidos políticos brasileiros fossem realmente fortes e a política tivesse lógica, o velho Ulysses Guimarães, o homem das diretas já de 1984, teria sido eleito Presidente da República nas eleições de 1989.
É só recordar que, nas eleições de 1986, o PMDB, presidido e liderado por Ulysses, tinha elegido quase todos os governadores dos estados, mais de 50% dos deputados federais e 90% dos senadores. Uma vitória esmagadora que estava a indicar que o partido conquistaria a Presidência da República nas eleições de 1989.
E o seu candidato natural, que era Ulysses Guimarães, era um verdadeiro símbolo da luta pela redemocratização do Brasil. Ele foi o Presidente da Assembléia Nacional Constituinte. Dirigiu, com extraordinária competência, o extinto MDB. Foi seu timoneiro maior em todas as tempestades enfrentadas pela oposição durante o regime autoritário de 1964. Com a redemocratização do país, foi um dos fundadores do PMDB. Sob sua presidência o partido obteve, em 1986, a maior vitória eleitoral de um partido na história política do Brasil.
Mas com todo este passado, dele e do partido, Ulysses foi abandonado nas eleições de 1989 pelos seus companheiros do PMDB. Eles preferiram votar em outros candidatos, como Fernando Collor de Mello, Leonel de Moura Brizola, Luiz Inácio Lula da Silva e Mário Covas. Ulysses foi fragorosamente derrotado. Ficou com menos de 5% dos votos. Perdeu até para o seu tradicional adversário paulista, Paulo Maluf, então candidato do PDS, sucessor da antiga ARENA.
Baseados nestes fatos, chega-se a conclusão que as lideranças políticas brasileiras, principalmente as lideranças partidárias, se desgastam rapidamente. A longevidade é reservada apenas para os grandes líderes carismáticos, como foi Getúlio Dornelles Vargas. Mas o inolvidável Presidente foi maior, muito maior, do que o seu partido e era admirado e querido pela maioria dos brasileiros.
As lideranças oriundas das matrizes partidárias duram pouco, destruídas pelas disputas internas, pela antropofagia das tribos partidárias, cujos pequenos caciques regionais se devoram entre si. E muitas vezes estas disputas atingem líderes maiores, como foi o caso; em 1989, de Ulysses Guimarães.
É por isso que se diz que, quase sempre, o maior adversário de um candidato está dentro do seu próprio partido, onde as traições e a ingratidão estão presentes.
Ontem, hoje e, por certo, amanhã.
Li, não me recordo onde, que menos de 1% da população da cidade do Rio de Janeiro já visitou o Corcovado. E menos de 0,5% já estive no Pão de Açúcar.
E o Corcovado e o pão de Açúcar são os dois pontos turísticos mais famosos da Cidade Maravilhosa. Todo o turista que chega ao Rio visita os dois locais e fica entusiasmado com as vistas que eles oferecem da mais bela cidade do mundo. Mas a maioria dos cariocas vai deixando a visita ao Corcovado e ao Pão de Açúcar para outro dia e termina nunca indo até os dois locais.
Mas tais fatos não acontecem apenas no Rio. Vejamos o caso da nossa Caxias do Sul. Muitos locais turísticos da cidade nunca foram visitados por grande parte da população caxiense. Não conheço, e nem sei se já foram feitas, estatísticas a respeito, como ocorreu no Rio. Mas é de se perguntar:
Quantos caxienses conhecem o Parque das Represas S. Paulo, S. Pedro e S. Miguel?
Quantos já estiveram na Barragem do Faxinal, com seu amplo lago com 307 hectares de área banhada, responsável por quase 70% do abastecimento de água da cidade?
Quantos conhecem a Gruta da Terceira Légua? Ou o Zoológico da Universidade?
Quantos já foram até a Fonte das Águas Azuis em Santa Lúcia do Piai, onde o Padre Cristóvão de Mendoza, o introdutor do gado no Rio Grande do Sul, foi trucidado pelos índios?
Talvez seja mais conhecida pela população a Réplica de Caxias 1885 no Parque da Festa de Uva. Mas quantos já assistiram ao espetáculo de som e luz que lá é apresentado?
Há ainda caxienses que não conhecem o aprazível bairro Ana Rech. Lá pode ser visitado o parque do Hotel Bela Vista, a capelinha da Vila dos Pinheiros, a Igreja Nossa Senhora de Caravaggio, o Presépio de Rolhas, que é uma verdadeira obra de arte e muitos outros locais. Em dezembro, Ana Rech apresenta a sua grande promoção “Encanto de Natal”, com suas dezenas de presépios que se espalham pelas ruas da vila.
Outras atrações turísticas caxienses devem ser visitadas pelos que ainda não as conhecem. Entre elas posso citar:
O Museu Municipal, localizado no prédio da antiga Prefeitura, na rua Visconde de Pelotas.
O Monumento Nacional ao Imigrante, na cripta do qual existe um museu.
O Museu do Vinho em Forqueta.
A Casa de Pedra, no Bairro Santa Catarina.
A Igreja de São Pelegrino, com as magníficas pinturas de Aldo Locatelli e a Réplica de Pietá.
O Castelo Chateau Lacave, às margens da BR 116.
A Igreja de São Cristóvão (em forma de caminhão) no bairro do mesmo nome, também conhecido como Encruzilhada de Ana Rech.
O Memorial dos Bertussi, na Mulada – Distrito de Criúva.
E, por falar em Criúva, vale a pena uma visita a este simpático distrito caxiense. Lá podem ser visitados, entre outros locais, Pontes do Korff, construída no início do Século Passado, o Cânion dos Palanquinhos, os inúmeros Balneários lá existentes, a Igreja da vila, etc. Isto sem falar da própria vila de Criúva, com suas pousadas.
Há muitos e muitos outros locais em Caxias, na cidade e no interiro, que merecem uma visita e que seria longo aqui enumerar.
Para encerrar uma sugestão para os finais de semana: conhecer melhor sua Caxias do Sul, visitando alguns dos locais antes citados.
Vocês, por certo, vão gostar.
O Brasil, infelizmente, ainda não tem plena noção do poderio da sua agricultura e, principalmente, do futuro que a ela está reservado. Mas os americanos conhecem muito bem a potencialidade agrícola brasileira.
Fui informado de que existe um minucioso relatório, elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, sobre a agricultura brasileira e que foi entregue a alguns parlamentares americanos. Tal relatório diz que o Brasil tem potencial para ultrapassar os Estados Unidos em área cultivada nos próximos anos.
O território ainda disponível para a expansão da agricultura no Brasil é maior do que o total de áreas utilizadas para plantações nos Estados Unidos, informou o dossiê para espanto de quem teve acesso ao mesmo. O relatório complementa dizendo que esta expansão seria possível sem que haja mais desflorestamento na bacia amazônica.
Segundo os especialistas americanos, o Brasil teria condições de adicionar mais 170 milhões de hectares à sua área cultivada, hoje em torno de 45 milhões de hectares.
Estados Unidos e Brasil têm aproximadamente o mesmo tamanho. Só que os americanos contam hoje com 175 milhões de hectares cultivados, o que representa 19 % da sua área. Já o Brasil tem menos de 7% do seu território ocupado por cultivos agrícolas, ou seja, 45 milhões de hectares.
Temos, portanto, um vasto território a ser ainda ocupado pela agricultura. Todo este chão ainda não cultivado permitirá ao Brasil extrapolar para outros produtos o destaque que já tem na produção mundial de café, cana-de-açúcar, laranja e soja.
No entanto, assinala o Relatório do Departamento Agrícola dos Estados Unidos, a confirmação deste potencial brasileiro depende de algumas medidas importantes, como adoção generalizada de variedades de plantações de colheitas extensas e mais investimentos em transportes e infra-estrutura para a produção agrícola. O receituário também inclui um procedimento polêmico: a legalização das sementes geneticamente modificadas.
Dizem que este relatório reforçou a política da manutenção dos subsídios agrícolas dos produtos americanos e na taxação imposta para a importação de produtos agrícolas brasileiros.
Em resumo: a divulgação do relatório preocupa os agricultores norte-americanos, que pressionam seus parlamentares a manterem e até ampliarem os subsídios aos seus produtos. Ao Brasil, que poderia se tornar o maior produtor agrícola do planeta, deveria servir de estímulo para nortear a conduta de nossas autoridades, visando o futuro de nossa produção agrícola. Vocês não acham?
A comunidade caxiense recebeu, no sábado que passou, a triste notícia da morte do ex-vereador Waldemar Jones Biglia. Um cidadão exemplar. Um político digno, ético e leal que marcou com méritos sua atuação na política caxiense.
Estivemos juntos na atuação política municipal. Ele foi sempre um companheiro dedicado, que primou sua atuação pela lealdade e companheirismo. Lealdade nos bons e nos maus momentos.
Biglia foi o grande líder do meu governo na Câmara Municipal de Vereadores. Hábil negociador político, respeitado e querido por todos os seus colegas no Legislativo Caxiense, posso dizer que foi o braço direito de minha administração junto à Câmara.
Se algum sucesso obtive como prefeito de Caxias devo dizer que grande parte disso devo ao Biglia.
Começamos a nossa segunda administração com minoria na Câmara Municipal. Tínhamos apenas seis vereadores em 21. Um número que não conseguia sequer manter um veto. Mas Waldemar Biglia, com seu extraordinário espírito conciliador, foi conversando com os seus colegas, mostrando as vantagens que o nosso programa de governo representava para a comunidade. Conseguiu, com o decidido apoio do falecido ex-vereador Marino Kury, trazer a bancada do PDT para a base do governo. Com isso todos os projetos de interesse da administração municipal foram aprovados. Biglia os defendia com entusiasmo e seriedade. Começamos a administração com uma bancada de seis vereadores e terminamos com uma sólida base de 12 vereadores. Graças ao trabalho, a dedicação, o idealismo, a paciência e a extraordinária habilidade política do grande líder.
Caxias sentirá profundamente a falta de Biglia. Ele poderia continuar por mais algum tempo sua atuação em benefício da comunidade caxiense, mas Deus o chamou para junto de si. Mas ele, por certo, lá na mansão dos bons e dos justos, estará sempre com o seu pensamento voltado para a sua Caxias do Sul, que ele tanto amou.
Vão, através destas colunas, os meus mais sentidos pêsames a sua esposa Virgínia, aos seus filhos, aos seus irmãos e demais parentes e amigos.
Biglia partiu para uma nova vida, mas seu exemplo ficará com todos nós.
Seus familiares, hoje repletos de dor pela grande perda, podem ter orgulho do Biglia. Ele foi um caxiense que ajudou a construir e honrou a cidade em que nasceu.