A semana foi pródiga em amarrações necessárias, convencionais e pouco democráticas no jogo da sucessão nacional e estadual.
NO PLANO FEDERAL
O almoço da última terça, 17, entre os pré-candidatos do PSB, deputado cearense/paulista Ciro Gomes e do PSDB, governador Aécio Neves, azedou não somente o jantar dos partidários de José Serra, PSDB/SP bem como tirou o sono e produziu reuniões de cúpulas de vários dos partidos pretendentes às vagas de vice, apoiadores e interessados em cargos federais do período 2011/2014.
Aécio já havia jogado à imprensa ainda no sábado, 14, o resultado da pesquisa espontânea do Vox Populi que o dava como o mais lembrado candidato a presidente, citado espontaneamente com 11% das citações, logo abaixo do presidente “Lula” da Silva com 13% dos desinformados eleitores pesquisados. Na terceira posição, Serra PSDB com 6%, logo após Dilma PT, Marina PV, etc...
Para quem não lembra, Ciro Gomes, hoje no PSB, foi ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco, nos idos de 1993/94, substituindo FHC quando este saiu para a candidatura presidencial vitoriosa de 1994. Desde lá os tucanos não se bicam ou bicavam, já que Ciro migrou mais adiante para o atual PSB. Mas continua antipatizando e sendo antipatizado por FHC e Serra, caciques mor do tucanato.
A jogada do almoço da terça, 17, foi simples. Ao declarar apoio com a frase: “Se o governador Aécio Neves se viabilizar candidato a Presidente da República, eu penso que a sua presença é tão importante para o Brasil que a minha candidatura não é necessária...”, afirmou Ciro, em entrevista ao lodo de Aécio.
Qual a inteligente jogada eleitoral e de marketing.
Ciro sabe que está bem nas pesquisas, mas não tem condições de com seu partido no governo federal, ocupando cargos e ministério, lançar-se candidato junto com a ministra Dilma PT, da base do governo Lula. Sabe que ao aliar-se com Aécio, pré-candidato não preferencial do PSDB, embaralha o PSDB, a base aliada e ainda, se inviabilizado Aécio lá adiante, pode sobrar-lhe ainda mais apoios políticos de seus frustrados (se acontecer) apoiadores, além de próceres políticos de vários estados brasileiros.
Se tudo correr certo, e Aécio viabilizar-se candidato, já que leva boa parte do PP, visto ser parente próximo do senador Francisco
Dornelles, presidente nacional do partido, buscar o presidente do PSB e governador Eduardo Campos, do pernanbuco e da base aliada, neutralizar ou conquistar o ministro Hélio Costa PMDB-MG, líder nas pesquisas de intenção de voto de MG, por óbvio interrese estadual e tantos mais da base aliada que se somam ao eterno neto de Tancredo Neves, o pai da Nova República.
Um jogo de ganha-ganha, que teve resposta do DEM na quarta ou quinta com jantarzinho na casa do governador Arruda DEM-DF que quer a vaga de vice de Serra.
Por isto, espetacular o lance Ciro-Aécio. Com as vagas de vices ocupadas pelo PMDB na candidatura Dilma PT e DEM na candidatura Serra, a dupla abriu brecha enorme na polarização PT X PSDB, que prejudica o jogo eleitoral do próximo ano.
NO PLANO ESTADUAL
O PTB lançando o deputado estadual LARA para governador, o PDT dizendo-se parte da frente trabalhista, mas já com pré-candidatura centrada no deputado federal Vieira da Cunha e os dois incoerentemente participando das reuniões da frente de esquerda com foco na candidatura do deputado federal Beto Albuquerque PSB, virou um jogo do cachorro louco, onde ninguém mais sabe quem está falando sério, ou quem abre mão ou gostaria de coligar com quem.
Embora isto sempre foi assim, os políticos e os partidos já tiveram (não muita) mais ética com estas articulações.
Mesmo assim, para quem pensa em renovação total da classe dirigente e não profissionais para as áreas legislativas, está bom de observar movimentos que lá adiante deverão ser cobrados pelos pensadores, formadores de opinião, analistas e eleitores.
Estas bronquinhas e disputas de “belezas’, quem ficará com maior força e representatividade interna, quem aparecerá mais, no jornal, na instância partidária superior, terá mais pessoas no diretório municipal, no estadual, ..., sempre aconteceram em quase todos os partidos da cidade, mas eram camufladas, nos pequenos partidos, por discursos de que há consenso, está tudo bem, somos um time só etc, etc, etc.
Quase sempre é mentira. Os mais ferrenhos adversários políticos estão ao lado, na foto da composição anunciada, no mesmo partido a conquistar. O discurso apenas é de que lutamos contra o adversário do partido tal. O inimigo mesmo, aquele a que nutrem “ódio” disfarçado, é o do colega partidário que nos “sufocou” ou no voto ou na malandragem.
Nos grandes da cidade, PT e PMDB, isto quase sempre ficou claro, pelas frases pré e pós convenções partidárias.
A boa notícia é que o PDT, com o crescimento violento da última década, também entrou nessa. Ficou grande.
E por quê?
Por ter criado boas novas lideranças e ter achado votos entre os munícipes. Foi o partido que mais renovou lideranças. E quem eram estas há exatos 10 anos atrás.
- Kalil Shebe Neto era suplente de deputado estadual no exercício de mandato estadual.
- Edson Nespolo tinha eleito seu assessor Vinicius Ribeiro, após 1 único mandato e em uma única candidatura vencedora.
- Alceu Barbosa era vereador de 1ª legislatura e líder do 1º governo Pepe em Caxias.
- Vinicius Ribeiro elegera-se pela 1ª das 3 vezes que concorreu a vereador com sucesso.
Hoje todos estão na ordem do dia, para postos maiores de deputação, prefeitura, vice e tantas missões mais. E ninguém, felizmente, sabe mais quem é maior no respaldo popular. Em vereança e na deputação federal, Vinicius ganhou. Na deputação estadual, por ora, Kalil é o campeão. E Alceu é vice-prefeito reeleito. Nespolo é o que tem a melhor imagem administrativa. Logo, briga de “gente” grande.
E A G A Z E T A ENTROU NO ANO 23. U F A !
A cada ano que comemoramos de edições semanais de nossa Gazeta de Caxias, voltamos ao assunto. É gratificante, bom, duro e difícil tocar um jornal numa cidade quase que dominada por diário forte, rico e bem administrado por “judeus” da área de comunicação como nosso bom jornal regional Pioneiro. Mas dá e vale a pena.
Chegamos ao ano 23 do nosso outrora minúsculo Pellegrino, mensário do bairro que virou semanário da grande Caxias. Missão boa e bem cumprida.
Em Dezembro próximo, chega de volta O Caxiense, é a notícia da área de comunicação gráfica do mês.
Pelos nomes comentados, será publicação de sucesso e de ótimo valor editorial.
Notícia para a cidade comemorar.
Veículo para a cidade prestigiar e fortalecer.
Pode estar aí a melhora na editoria de todos, como em bons tempos passados.
Entra escândalo e sai escândalo na esfera política nacional e o povo ou guarda grande surpresa para 2010, 2012, 2014 ou está anestesiado, contagiado, desesperançado com a corrupção que aparece em muitos dos segmentos da vida nacional, em especial nas esferas políticas de poder nacional.
O SENADO DESTA SEMANA
Em apenas mais dois episódios desta semana, podemos recomprovar a má-fé, o engodo e a incompetência de nossos edis da Câmara Alta da República.
- A Mesa Diretora, liderada por José Ribamar SARNEY – PMDB-AP , mais Marconi Pirillo, Demóstenes Torres e menos importantes, depois de alardearem aos quatro cantos do país implantação da reforma administrativa sugerida pela fundação Getúlio Vargas, que reduziria chefias, CCs e outras vantagens mais do que suspeitas, ao passar algumas horas descobriu-se artiguinho, alínea que davam vantagem especial a pelo menos 40 chefes do Senado, que poderiam passar dos R$ 30.000, 00 mensais de remuneração quando o “teto” é o provento de ministro do Supremo Tribunal Federal de aproximadamente R$.25.000,00 mensais. Denunciada a manobra, o presidente Sarney saiu-se como sempre com uma pérola da enrolação política: “Deve ter havido algum engano na hora da feitura da lei da reforma” - Me poupe, Dr, Maribondo.
- O Supremo Tribunal Federal - STF é o guardião da Constituição Brasileira, logo a principal instância da justiça brasileira. Pois o STF cassou o mandato do senador Expedito Jr. do PSDB- TO e mandou a mesa diretora cumprir a ordem e dar posse ao suplente, segundo mais votado do PDT. Pois a Mesa diretora simplesmente não quis, não queria, e se não ameaçada pelo presidente do STF, não cumpriria o mandato da justiça. Um motivo mais do que suficiente para o que propôs o senador Cristovam Buarque do PDT – DF: Cassar e prender os membros da mesa do Senado.
O mais interessante de todas estas absurdas atitudes dos “senhores” senadores é que pipocam aqui e acolá pesquisas eleitorais em vários estados de quem serão os próximos governadores, senadores eleitos no próximo ano de 2010. Quase sempre os mais votados pelo povo que se aparenta indignado com o senado, o líder ou mais votado das pesquisas são seus senadores de seus estados.
Resumo da Ópera: O Rio Grande do Sul (e seus eleitores) odeia o senado federal, os senadores de quase todos os partidos e estados, mas idolatra ou exime de culpa os seus.
O estado das Alagoas odeia o senado federal, e os senadores de quase todos os partidos, mas vota bem e dificilmente deixará de reconduzir o ex-presidente renunciante (para não ser cassado) Renan Calheiros nas pesquisas de intenção de voto.
Expedito Jr., o cassado, a pesquisa aponta eleger-se-ia hoje governador do Estado.
E vale o mesmo para Romero Jucá do Nordeste, para Mercadante, Suplici e Tuma de São Paulo, para Maldaner, Colombo de Santa Catarina, para Azeredo, Jerreissati, Perillo e tantos mais que imaginava estariam fora em 2011, pela vontade popular.
Parece que o povo gosta de pessoas famosas e não cumpre e lembra da frase de Eça de Queiroz, já falecido, que escreveu: “os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente, e pela mesma razão”.