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Paulo Paim
Paulo Paim
Senador Paulo Paim é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.

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Acesso Restrito

A vez da juventude

Enviado Sexta-feira, 16 de abril de 2010 às 20:36:16 | Nenhum comentário »
Todos sabemos que a vivência de muitos jovens hoje é o alcoolismo, o uso de drogas ilícitas, a violência, a miséria e a fome. Sem falar no desemprego que, segundo o Ipea, é 3,5 vezes maiorentre jovens de 15 a 24 anos do que entre os trabalhadores adultos, com mais de 24 anos. Conforme a OIT o desemprego mundial atingiu quase 200 milhões em 2006, onde 44% tem de 15 a 24 anos. Estes rapazes e moças se vêem diante de uma realidade excludente, injusta, comparável à aridez do deserto. 
 
Na minha trajetória tenho lutado por um mundo onde as expectativas de justiça social, de solidariedade, de igualdade de oportunidades se façam reais.
 
Nós temos ações positivas como o ECA que protege sua integridade, como o Prouni que concede bolsas de estudo a estudantes em instituições privadas de educação superior, como as escolas técnicas e o Fundo de Desenvolvimento da Educação Profissional, projeto de minha autoria que busca gerar trabalho e renda, melhorando o acesso ou permanência no mercado de trabalho e também protegendo os desempregados, com investimentos produtivos e da qualificação profissional. O MEC abrirá 143 cursos técnicos a distância, é o Sistema Escola Técnica Aberta do Brasil que oferecerá 50 mil vagas gratuitas para jovens de todo o país.     
 
Vem por aí também a nova lei de estágio, que irá substituir a lei de 1977. Segundo o Inep há no Brasil 4,6 milhões de estudantes matriculados no nível superior, mas pesquisa realizada pela Abres mostra que somente 715 mil deles conseguem estagiar.
 
O potencial que a juventude tem é uma fonte inesgotável de recursos humanos e eles podem contribuir muito para mudanças sociais favoráveis e o recente lançamento do Pacto pela Juventude fortalece esta idéia.
 
A PEC da Juventude, aprovada na Câmara e com tramitação no Senado é outra ação positiva pois estende direitos para os jovens que já eram garantidos para crianças, adolescentes ou idosos. Pessoas entre 15 e 29 anos poderão ter prioridade em direitos como saúde, alimentação, educação, lazer, profissionalização e cultura. Negociamos a sua votação com todos os lideres partidários e agora esperamos que entre na pauta o quanto antes.
 
Precisamos cada vez mais criar meios de que a vida que pulsa de forma tão intensa na juventude encontre esteio no mundo que se abre a cada novo dia.  
 
Senador Paulo Paim - PT/RS 

Quando menos é mais

Enviado Sexta-feira, 26 de março de 2010 às 16:38:41 | 1 comentário »
É cada vez mais notória a busca por uma vida mais saudável e com mais espaço para se dedicar à família e a atividades de lazer. Porém, em nosso país, essa realidade só é permitida a uma minoria. A grande parte da população ainda está muito distante dessa meta. São vários os fatores para isso, mas um dos principais deles é carga de trabalho e todos os males físicos e psicológicos, conseqüências dela.
 
Durante a Constituinte conseguimos avançar ao diminuir as então 48 horas semanais para as atuais 44 horas de trabalho por semana. Agora, buscamos avançar mais e reduzir a jornada de trabalho para as 40 horas de trabalho. Isso sem que haja redução salarial, tal como propomos na PEC 232/95, de nossa autoria com o senador Inácio Arruda. A matéria está na pauta do plenário da Câmara dos Deputados e deve ser apreciada neste ano.
 
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a aprovação da proposta criará dois milhões de empregos. Isso considerando-se o número de pessoas com contrato de 44 horas semanais registrados em 2005, as quais somavam mais de 22,5 milhões. Se, futuramente, essa redução for ampliada para as 36 horas de trabalho semanais, os números de empregos a serem criados chegariam a seis milhões.
 
Outros países já reduziram a jornada e não tiveram problemas com isso. Na França a redução foi de 39 horas semanais para 35 hora, feita pelo governo de Lionel Jospin (1997-2002). Foram criados 1 milhão de empregos. O exemplo francês trouxe benefícios, pois, além da geração de mais empregos, foi capaz de reduzir os custos das empresas através da diminuição de contribuições.
 
Outro ponto positivo da redução de jornada é a diminuição do número de acidentes de trabalho os quais, ainda segundo o Dieese, acontecem, em sua maioria, no fim da jornada dos trabalhadores em razão do cansaço. Além disso, com mais tempo, os trabalhadores poderão se dedicar à qualificação. Mais ainda, estaremos fortalecendo o ciclo natural da economia, incrementando assim o mercado interno.
 
Não defendemos que essa redução seja imposta, mas sim fruto de um entendimento entre empregados, empregadores e governo. Ao mesmo tempo em que defendemos o lado da qualidade de vida do trabalhador, olhamos para o empresariado. Acreditamos que ele necessita de incentivos para a produção e para a redução de custos, ao passo que os empregados, força viva do trabalho, necessitam de uma participação maior no sistema para ter uma vida digna. É certo que teremos avanços. As empresas se capitalizaram mais e, obviamente, investirão mais em postos de trabalho.
 
Queremos, juntos, encontrar alternativas que contemplem as aspirações do conjunto da sociedade para que tenhamos um Brasil melhor para todos.
 
 
 
 

HORA DE PAGAR A DÍVIDA COM O HAITI

Enviado Sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010 às 11:19:14 | Nenhum comentário »
 

Em Montréal, antes de iniciarem os trabalhos da Conferência Internacional para a Reconstrução do Haiti, os representantes das chamadas “nações doadoras” guardaram um minuto de silêncio pelas vítimas do terremoto que arrasou Porto Príncipe e arredores em 12 de janeiro. Nenhuma palavra de arrependimento foi pronunciada, mas Hillary Clinton e o primeiro-ministro canadense Stephen Harper frisaram que a ajuda financeira será rigorosamente monitorada para evitar desperdício ou roubo. “Temos a responsabilidade de assegurar aos nossos contribuintes que o dinheiro será gasto com transparência” disse a Secretária de Estado norte-americana, segundo o jornal Toronto Sun. A porta-voz do FMI, Caroline Atkinson, anunciou um empréstimo de US$ 100 milhões, enfatizando que será sem juros e com 5 anos para que o governo haitiano comece a pagar esta nova dívida. Perguntada se seriam perdoados débitos para com a comunidade internacional do país que é um dos mais pobres do mundo e está em situação de catástrofe, ela sorriu e gentilmente informou que este não era assunto para agora e sim para o futuro.

O terremoto de 7 graus pela escala Richter, foi uma desgraça anunciada. Em entrevista ao jornal haitiano Le Matin em 25/9/2008 o geólogo Patrick Charles da Universidade de Havana disse que o perigo de um abalo de 7.2 graus era iminente na falha Enriquillo que atravessa Porto Príncipe de lado a lado e é similar à San Andrés que ameaça a Califórnia. Idêntico alerta surgiu na Conferência de Geólogos do Caribe do mesmo ano, recordando o tsunami de 1946 e o terremoto que destruiu a cidade em 1770. Para o professor Jian Lin da Universidade Oceanográfica de Massachusetts, “os geólogos não deveriam se surpreender com o ocorrido no Haiti”. Os terríveis resultados – cerca de 200 mil mortes – devem-se a fatores como: a) o movimento das placas tectônicas ocorreu a baixa profundidade afetando mais a superfície; b) o abalo atingiu uma área muito populosa e com intensa pobreza que multiplicou as habitações precárias; c) a falta de previdência das autoridades que ignoraram os avisos e preferiram rezar para que nada acontecesse.

Sempre é possível justificar a ausência de medidas preventivas em relação a abalos sísmicos pela emergência de mil outras medidas, como a do controle da criminalidade e o combate à fome, mas é inegável que a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, a Minustah, criada já há quase seis anos (em abril de 2004 com o objetivo, entre outros, de favorecer o desenvolvimento institucional e econômico do país), foi apanhada inteiramente de surpresa, não conseguindo sequer evitar baixas em suas próprias forças, incluindo a morte de 18 militares brasileiros (além de 3 civis) e 21 canadenses. Agora, diante do caos, vem o corre-corre e os inevitáveis entrechoques. A ONU aumentará seu contingente de 7.200 para 10.700 homens. O Brasil decidiu mais do que duplicar sua presença enviando um grupo adicional de 1300 militares. Barack Obama agiu rápido e autorizou o envio de 10.000 homens e forte infraestrutura. Os franceses queixam-se de que um avião com um hospital foi impedido de descer no aeroporto de Porto Príncipe sob controle americano e seu Secretário de Estado, Alain Joyandet, quase causa um incidente internacional ao dizer que “eles se preocupam em ajudar o Haiti, mas não se preocupam por tê-lo ocupado”.

As desavenças são antigas. O Haiti cometeu o crime de rebelar-se contra o colonialismo francês: aboliu a escravidão e foi o primeiro país latino-americano a declarar sua independência, em 1804. Em represália por ter perdido seus escravos a França impôs à nova república a fantástica multa de 150 milhões de francos. Os EUA ocuparam o Haiti por dezenove anos (governo de Woodrow Wilson desde 1915) reinstituindo a escravidão; mais tarde apoiaram o ditador dominicano Rafael Trujillo ignorando o massacre que tirou a vida de 25 mil haitianos em 1937 e, já com John Kennedy, deram sustentação às três décadas de domínio da família Duvalier. O Haiti, apesar do açúcar, pagou tudo, foi à bancarrota e nunca mais se recuperou. Quando o presidente eleito Jean Bertrand Aristide (em 2003) exigiu a devolução do dinheiro que seu povo fora forçado a pagar à França, o ministro do exterior Dominique Villepin enviou sua irmã a Porto Príncipe para dizer-lhe que era hora de renunciar. Vale recordar que o Brasil atravessou o Império, no século XIX temendo sua “haitização”: uma revolta dos negros escravos que em 1850 representavam 44% da população do Rio de Janeiro. O devastamento do Haiti, por causas naturais, é uma excelente oportunidade para salvar as dívidas passadas. O país centro-americano nada mais tem a pagar e tudo a receber. O custo para o mundo rico e para os emergentes não há de ser alto, além de que enfrentar uma nova revolução causada pela desesperança certamente custaria bem mais do que qualquer estimativa de ajuda nas atuais circunstâncias. Um terço da Ilha Hispaniola (nos outros 2/3 está a República Dominicana) significa um território de 28 mil km2, o tamanho do estado de Alagoas, e ai vivem 9,3 milhões de pobres, menos do que os habitantes de São Paulo. Bill Clinton esteve lá e declarou que é necessário um Plano Marshall, referindo-se ao apoio dos EUA para recuperação da Europa no pós-guerra e que consumiu cerca de 13 bilhões de dólares. Nem tanto, nem tanto. O chefe do governo canadense falou em um esforço de dez anos para recuperar o Haiti. Espera-se que não seja um favor e que dure menos tempo

UM NOVO PACTO FEDERATIVO

Enviado Sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010 às 11:17:29 | Nenhum comentário »
 

Ao longo das últimas décadas, os municípios assumiram inúmeras responsabilidades da União e dos estados. Enquanto que, de maneira contrária, a sua participação no bolo tributário diminuiu. O governo federal abocanha 60% dos recursos. Os estados ficam com 25% e a municipalidade com 15%. Essa disparidade tem causado uma série de problemas para os prefeitos que vivem praticamente com o pires na mão.

Sempre quando tenho oportunidade eu falo que as coisas primeiro acontecem no interior. Lá nas terras distantes dos grandes centros, onde os cidadãos exigem do seu prefeito que o posto de saúde funcione adequadamente, que as escolas tenham mínimas condições de uso, que os professores sejam melhor preparados, que as estradas sejam bem cuidadas para o escoamento da produção.

Não é novidade alguma que o Congresso Nacional deixa a desejar quando a pauta é a revisão do pacto federativo brasileiro. Infelizmente, todos os anos a "casa do povo" posterga essa discussão para o ano seguinte, e assim por diante. Somos favoráveis a essa discussão, pois entendemos que é preciso que os recursos sejam melhor distribuídos e que as competências dos entes federados sejam definidas claramente.

Um novo pacto federativo deve efetivamente construir agendas sociais focadas na melhoria de vida e no bem-estar da população, com o devido corte das diferenças. Somos favoráveis à construção de um novo pacto federativo com responsabilidade social e que caminhe junto com políticas públicas efetivas contra as desigualdades sociais e regionais. É isso que queremos e lutamos.

Ao encontro de um novo pacto federativo está a proposta de emenda à Constituição (PEC 23/2005), de nossa autoria, que tem por objetivo regionalizar as discussões do Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

A ideia é instituir um orçamento participativo nacional. Uma ideia que não é nova, mas que se justifica pela proposta democrática de assegurar a participação do cidadão. A melhor fórmula de gestão pública é aquela que inclui a participação popular no processo decisório. Um OP poderá evitar desvios de recursos, pois a população saberá o que e como fiscalizar.

É preciso ouvir mais a população, planejar um orçamento que inclua os seus anseios, que valorize o homem e o meio ambiente em programas de cidadania, inclusão, segurança pública e direitos humanos.

Sim, o reajuste é possível!

Enviado Sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 às 11:32:39 | Nenhum comentário »
Aposentados e pensionistas esperam que seus proventos sejam reajustados com aumentos reais acima da inflação. Ano após ano quem recebe acima do mínimo não ganha o mesmo percentual de reajuste dado ao mínimo. Existe uma perda do poder de compra de seus benefícios que já chega a 75%.
 
O superávit da Seguridade, sem a incidência da DRU, entre 2000 e 2007 foi de R$ 400 bilhões. Com a DRU esse número cai para R$ 140 bilhões. Nesse sentido a PEC 24/03, de nossa autoria, proíbe qualquer bloqueio ou contingenciamento dos recursos da Seguridade.
 
Além disso, ao falarmos no saldo geral da Seguridade, precisamos lembrar das renúncias fiscais. No período de 1998 a 2009, mesmo obedecendo a legislação em vigor, houve uma renúncia fiscal de aproximadamente R$ 125 bilhões em receitas previdenciárias como incentivo às empresas optantes do Simples, filantrópicas e outros e sem previsão de devolução desses valores para a Previdência. Essas renúncias compreendem anistias, remissão, subsídios, crédito presumido, concessão de isenção de caráter não geral, entre outros benefícios. A LDO está prevendo entre 2010 e 2012 uma renúncia de R$ 63 bilhões, num total de R$ 188 bilhões.
 
Não se trata de discordar dos incentivos fiscais. Eles são legítimos, legais e necessários para a sobrevivência de muitas empresas. Mas, temos a obrigação de registrar que essa situação é que tem criado uma série de perigos para o equilíbrio financeiro e atuarial do RGPS, e não um aumento de 5% como reivindicam os aposentados e pensionistas.
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