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Paulo Paim
Paulo Paim
Senador Paulo Paim é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.

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Acesso Restrito

HORA DE PAGAR A DÍVIDA COM O HAITI

Enviado Sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010 às 11:19:14 | Nenhum comentário »
 

Em Montréal, antes de iniciarem os trabalhos da Conferência Internacional para a Reconstrução do Haiti, os representantes das chamadas “nações doadoras” guardaram um minuto de silêncio pelas vítimas do terremoto que arrasou Porto Príncipe e arredores em 12 de janeiro. Nenhuma palavra de arrependimento foi pronunciada, mas Hillary Clinton e o primeiro-ministro canadense Stephen Harper frisaram que a ajuda financeira será rigorosamente monitorada para evitar desperdício ou roubo. “Temos a responsabilidade de assegurar aos nossos contribuintes que o dinheiro será gasto com transparência” disse a Secretária de Estado norte-americana, segundo o jornal Toronto Sun. A porta-voz do FMI, Caroline Atkinson, anunciou um empréstimo de US$ 100 milhões, enfatizando que será sem juros e com 5 anos para que o governo haitiano comece a pagar esta nova dívida. Perguntada se seriam perdoados débitos para com a comunidade internacional do país que é um dos mais pobres do mundo e está em situação de catástrofe, ela sorriu e gentilmente informou que este não era assunto para agora e sim para o futuro.

O terremoto de 7 graus pela escala Richter, foi uma desgraça anunciada. Em entrevista ao jornal haitiano Le Matin em 25/9/2008 o geólogo Patrick Charles da Universidade de Havana disse que o perigo de um abalo de 7.2 graus era iminente na falha Enriquillo que atravessa Porto Príncipe de lado a lado e é similar à San Andrés que ameaça a Califórnia. Idêntico alerta surgiu na Conferência de Geólogos do Caribe do mesmo ano, recordando o tsunami de 1946 e o terremoto que destruiu a cidade em 1770. Para o professor Jian Lin da Universidade Oceanográfica de Massachusetts, “os geólogos não deveriam se surpreender com o ocorrido no Haiti”. Os terríveis resultados – cerca de 200 mil mortes – devem-se a fatores como: a) o movimento das placas tectônicas ocorreu a baixa profundidade afetando mais a superfície; b) o abalo atingiu uma área muito populosa e com intensa pobreza que multiplicou as habitações precárias; c) a falta de previdência das autoridades que ignoraram os avisos e preferiram rezar para que nada acontecesse.

Sempre é possível justificar a ausência de medidas preventivas em relação a abalos sísmicos pela emergência de mil outras medidas, como a do controle da criminalidade e o combate à fome, mas é inegável que a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, a Minustah, criada já há quase seis anos (em abril de 2004 com o objetivo, entre outros, de favorecer o desenvolvimento institucional e econômico do país), foi apanhada inteiramente de surpresa, não conseguindo sequer evitar baixas em suas próprias forças, incluindo a morte de 18 militares brasileiros (além de 3 civis) e 21 canadenses. Agora, diante do caos, vem o corre-corre e os inevitáveis entrechoques. A ONU aumentará seu contingente de 7.200 para 10.700 homens. O Brasil decidiu mais do que duplicar sua presença enviando um grupo adicional de 1300 militares. Barack Obama agiu rápido e autorizou o envio de 10.000 homens e forte infraestrutura. Os franceses queixam-se de que um avião com um hospital foi impedido de descer no aeroporto de Porto Príncipe sob controle americano e seu Secretário de Estado, Alain Joyandet, quase causa um incidente internacional ao dizer que “eles se preocupam em ajudar o Haiti, mas não se preocupam por tê-lo ocupado”.

As desavenças são antigas. O Haiti cometeu o crime de rebelar-se contra o colonialismo francês: aboliu a escravidão e foi o primeiro país latino-americano a declarar sua independência, em 1804. Em represália por ter perdido seus escravos a França impôs à nova república a fantástica multa de 150 milhões de francos. Os EUA ocuparam o Haiti por dezenove anos (governo de Woodrow Wilson desde 1915) reinstituindo a escravidão; mais tarde apoiaram o ditador dominicano Rafael Trujillo ignorando o massacre que tirou a vida de 25 mil haitianos em 1937 e, já com John Kennedy, deram sustentação às três décadas de domínio da família Duvalier. O Haiti, apesar do açúcar, pagou tudo, foi à bancarrota e nunca mais se recuperou. Quando o presidente eleito Jean Bertrand Aristide (em 2003) exigiu a devolução do dinheiro que seu povo fora forçado a pagar à França, o ministro do exterior Dominique Villepin enviou sua irmã a Porto Príncipe para dizer-lhe que era hora de renunciar. Vale recordar que o Brasil atravessou o Império, no século XIX temendo sua “haitização”: uma revolta dos negros escravos que em 1850 representavam 44% da população do Rio de Janeiro. O devastamento do Haiti, por causas naturais, é uma excelente oportunidade para salvar as dívidas passadas. O país centro-americano nada mais tem a pagar e tudo a receber. O custo para o mundo rico e para os emergentes não há de ser alto, além de que enfrentar uma nova revolução causada pela desesperança certamente custaria bem mais do que qualquer estimativa de ajuda nas atuais circunstâncias. Um terço da Ilha Hispaniola (nos outros 2/3 está a República Dominicana) significa um território de 28 mil km2, o tamanho do estado de Alagoas, e ai vivem 9,3 milhões de pobres, menos do que os habitantes de São Paulo. Bill Clinton esteve lá e declarou que é necessário um Plano Marshall, referindo-se ao apoio dos EUA para recuperação da Europa no pós-guerra e que consumiu cerca de 13 bilhões de dólares. Nem tanto, nem tanto. O chefe do governo canadense falou em um esforço de dez anos para recuperar o Haiti. Espera-se que não seja um favor e que dure menos tempo

UM NOVO PACTO FEDERATIVO

Enviado Sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010 às 11:17:29 | Nenhum comentário »
 

Ao longo das últimas décadas, os municípios assumiram inúmeras responsabilidades da União e dos estados. Enquanto que, de maneira contrária, a sua participação no bolo tributário diminuiu. O governo federal abocanha 60% dos recursos. Os estados ficam com 25% e a municipalidade com 15%. Essa disparidade tem causado uma série de problemas para os prefeitos que vivem praticamente com o pires na mão.

Sempre quando tenho oportunidade eu falo que as coisas primeiro acontecem no interior. Lá nas terras distantes dos grandes centros, onde os cidadãos exigem do seu prefeito que o posto de saúde funcione adequadamente, que as escolas tenham mínimas condições de uso, que os professores sejam melhor preparados, que as estradas sejam bem cuidadas para o escoamento da produção.

Não é novidade alguma que o Congresso Nacional deixa a desejar quando a pauta é a revisão do pacto federativo brasileiro. Infelizmente, todos os anos a "casa do povo" posterga essa discussão para o ano seguinte, e assim por diante. Somos favoráveis a essa discussão, pois entendemos que é preciso que os recursos sejam melhor distribuídos e que as competências dos entes federados sejam definidas claramente.

Um novo pacto federativo deve efetivamente construir agendas sociais focadas na melhoria de vida e no bem-estar da população, com o devido corte das diferenças. Somos favoráveis à construção de um novo pacto federativo com responsabilidade social e que caminhe junto com políticas públicas efetivas contra as desigualdades sociais e regionais. É isso que queremos e lutamos.

Ao encontro de um novo pacto federativo está a proposta de emenda à Constituição (PEC 23/2005), de nossa autoria, que tem por objetivo regionalizar as discussões do Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

A ideia é instituir um orçamento participativo nacional. Uma ideia que não é nova, mas que se justifica pela proposta democrática de assegurar a participação do cidadão. A melhor fórmula de gestão pública é aquela que inclui a participação popular no processo decisório. Um OP poderá evitar desvios de recursos, pois a população saberá o que e como fiscalizar.

É preciso ouvir mais a população, planejar um orçamento que inclua os seus anseios, que valorize o homem e o meio ambiente em programas de cidadania, inclusão, segurança pública e direitos humanos.

Sim, o reajuste é possível!

Enviado Sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 às 11:32:39 | Nenhum comentário »
Aposentados e pensionistas esperam que seus proventos sejam reajustados com aumentos reais acima da inflação. Ano após ano quem recebe acima do mínimo não ganha o mesmo percentual de reajuste dado ao mínimo. Existe uma perda do poder de compra de seus benefícios que já chega a 75%.
 
O superávit da Seguridade, sem a incidência da DRU, entre 2000 e 2007 foi de R$ 400 bilhões. Com a DRU esse número cai para R$ 140 bilhões. Nesse sentido a PEC 24/03, de nossa autoria, proíbe qualquer bloqueio ou contingenciamento dos recursos da Seguridade.
 
Além disso, ao falarmos no saldo geral da Seguridade, precisamos lembrar das renúncias fiscais. No período de 1998 a 2009, mesmo obedecendo a legislação em vigor, houve uma renúncia fiscal de aproximadamente R$ 125 bilhões em receitas previdenciárias como incentivo às empresas optantes do Simples, filantrópicas e outros e sem previsão de devolução desses valores para a Previdência. Essas renúncias compreendem anistias, remissão, subsídios, crédito presumido, concessão de isenção de caráter não geral, entre outros benefícios. A LDO está prevendo entre 2010 e 2012 uma renúncia de R$ 63 bilhões, num total de R$ 188 bilhões.
 
Não se trata de discordar dos incentivos fiscais. Eles são legítimos, legais e necessários para a sobrevivência de muitas empresas. Mas, temos a obrigação de registrar que essa situação é que tem criado uma série de perigos para o equilíbrio financeiro e atuarial do RGPS, e não um aumento de 5% como reivindicam os aposentados e pensionistas.

Fator previdenciário é um redutor dos benefícios

Enviado Sexta-feira, 27 de novembro de 2009 às 17:36:26 | Nenhum comentário »

A CCJ da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, na última terça-feira o PL 3299/08. De nossa autoria, a matéria acaba com o fim do fator previdenciário. O resultado mostra que a Câmara está em sintonia com o que foi definido pelo Senado no ano passado.

 Criado em 1999, o fator é um redutor de aposentadorias e pensões. No momento de o cidadão se aposentar, a incidência do fator pode diminuir em até 35%, no caso dos homens, ou 40%, no caso das mulheres, os benefícios a serem recebidos. Isso porque a fórmula de cálculo usada leva em consideração a idade, a alíquota e o tempo de contribuição, e a expectativa de sobrevida, conforme tabela do IBGE. Ou seja, quanto maior a expectativa de vida do brasileiro, menor o valor do benefício a ser recebido pelo trabalhador ao se aposentar.

 Além disso, o fator só atinge os trabalhadores celetistas, os do RGPS. Aqueles do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, os quais recebem os mais altos salários, não sofrem os males do fator.

 Defendemos uma Previdência universal, com direitos e deveres iguais para todos os trabalhadores, sejam das áreas pública ou privada. Sabemos que a medida que o cidadão estuda, trabalha e se qualifica, seu salário vai sendo aprimorado e a sua qualidade de vida melhorada. É preciso eliminar os itens expectativa de vida e a idade estabelecida pelo fator. Pontos que atualmente obrigam o trabalhador a se aposentar depois dos 60 anos, prejudicando aqueles que entraram muito cedo no mercado de trabalho e que recebem os mais baixos salários.

O pré-sal e a Previdência

Enviado Sexta-feira, 13 de novembro de 2009 às 16:54:06 | 1 comentário »
Há um assunto que atinge cerca de 35 milhões de pessoas e que necessita ser incluído com urgência nos debates sobre o pré-sal. Falo da previdência social pública.
 
Mesmo que o tema seja apaixonante, é importante abdicarmos das emoções e dos ufanismos que em certos períodos da República até foram necessários e faziam parte do contexto.
 
É fundamental a nossa condição de homens públicos para fazermos um bom combate com imparcialidade e responsabilidade para que não sejamos cobrados pelas gerações futuras.
 
Desde a década de 1930, a Previdência foi alvo de manipulações de governos que utilizaram os seus recursos para investimentos em setores da economia.
 
O dinheiro dos trabalhadores foi aplicado na Companhia Vale do Rio Doce, Transamazônica, Ponte Rio Niterói, Itaipu, Companhia Siderúrgica Nacional, entre outros.
 
Já o custeio da construção de Brasília talvez tenha sido a maior injeção de recursos. Embora para o país a construção de sua capital tenha sido um avanço, até hoje há críticas relativas ao uso de recursos previdenciários nessa tarefa. Na realidade, havia uma forte ligação entre previdência e política econômica. Os recursos eram frequentemente solicitados para investimentos em setores de rentabilidade duvidosa, dentro de um leque que ia desde o clientelismo até a corrupção.
 
Não questionamos as obras construídas. Mas é importante destacar que um lado dessa “parceria para o bem do Brasil” foi penalizado e isso se deu através do achatamento dos benefícios previdenciários.
 
A história mostra com clareza que a Previdência Social sempre foi alvo de desmonte por parte de governos, à custa dos direitos, das conquistas e do suor de todos os trabalhadores.
 
O país atravessa um dos mais belos períodos de desenvolvimento. Cabe a nós montarmos no “cavalo encilhado” que ora se avizinha e fazermos justiça destinando parte do orçamento previsto de US$ 15 trilhões do pré-sal para a previdência social pública.
 
A proposta não é uma “bota salvadora” e tampouco está isolada, uma vez que “no passado existiu uma cota de previdência cobrada sobre a venda de derivados de petróleo para o custeio da Previdência Social e urbana”.
 
O pleito é viável, justo e peça-chave para uma melhor distribuição de renda. Chegou o momento de o Estado brasileiro retribuir o sacrifício dos trabalhadores, aposentados e pensionistas. Por isso, queremos que essa discussão não seja um porto de chegada. Mas um porto de saída e de esperança para os brasileiros
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