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Meu primeiro contato com a interessante “Teoria das Janelas Quebradas”, foi através de uma palestra no histórico Palácio Provisório, que abriga o Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Como contar velhas histórias é um meio muito eficiente de levar conhecimento e proporcionar questionamentos, vamos a ela:
Entre os anos de 1970 e 1980 a criminalidade em Nova York cresceu em virtude da tolerância aos pequenos ilícitos praticados por grupos de delinqüentes que pichavam, achacavam e desrespeitavam as leis, ou seja, a desordem e a criminalidade se desenvolviam a passos largos.
Foi então que dois criminalistas, James Wilson e George Kelling desenvolveram a teoria da relação de causa e efeito que existe entre a desordem e a criminalidade, que foi publicada em 1982 na Revista “The Atlantic Monthly”, com o nome de A Teoria das Janelas Quebradas (Broken Windows Theory).
Segundo os pesquisadores, a teoria tinha como base a experiência de um psicólogo americano, Philip Zimbargo, que deixou um veículo estacionado em um bairro da cidade de Palo Alto (Califórnia). Sendo que o carro permaneceu intacto, até ser quebrado um vidro da janela, após em pouco tempo o veículo foi totalmente saqueado e danificado por desocupados.
No entendimento dos criminalistas, que desenvolveram a teoria, caso se quebre uma janela de um prédio ou veículo, se não for consertado as pessoas que circulam diante do fato, irão concluir que não existe autoridade para impedir ações de vandalismo e logo outras janelas serão quebradas e depredadas.
Com base no medo da população de Nova York que se achava insegura pela falta de autoridade que coibisse tais situações, foram tomadas medidas politicamente radicais para impedir atos de vandalismo e agradar a população. Conta a experiência que após a implantação da política criminal conhecida como “Tolerância Zero”, houve a redução drástica da criminalidade nesta grande metrópole.
Em nosso conhecimento, só obteve êxito pela soma de outros fatores, como a recuperação da economia mundial na década de 90, onde houve significativo aumento das oportunidades de trabalho e o combate ao narcotráfico pelas autoridades.
Se por lado trouxe certa tranqüilidade para os cidadãos, por outro, a política criminal foi criticada por entender que só as pessoas mais pobres é que sofreram com a ação da polícia.
Deixando a terra do Tio Sam de lado.
E os nossos pichadores e praticantes dos atos de vandalismo e selvageria de nossas cidades?
Quando se fala em delinqüência em nosso país, devemos nos ater ao surgimento de grupos organizados, cuja finalidade é a desordem pública a pratica de crimes contra ao patrimônio e preferencialmente ao confronto com outros grupos rivais, onde a autoafirmação esta na transgressão de normas de conduta social.
Mas não pensem que estes vândalos são oriundos da pobreza, moradores de alguma vila e que tiveram uma infância em que foram vítimas de abusos e violências.
Os modernos infratores têm internet, usam roupas de marca e freqüentam festas e muitas vezes fazem parte de torcidas organizadas dos nossos grandes times de futebol, onde dentro ou fora comentem verdadeiras atrocidades.
Infelizmente em nossa sociedade cada vez mais encontramos pais perdidos, achando que a escola é que tem o dever de educar nossos filhos. Desconhecem que a primeira função da família é a de socializar os membros, para que eles possam se adequar à vivência social, tendo como objetivo o preparo de uma infância e adolescência visando à sociabilidade na vida adulta.
Se por um lado temos pais perdidos, do outro temos uma sociedade atemorizada, enclausurada entre muros e grades e cada vez mais desejosa em punir, acreditando que cadeia é a solução.
Fica a pergunta: Uma política nos moldes da Tolerância Zero resolveria o nosso problema de insegurança?
Com a palavra o leitor da Gazeta de Caxias.
Quem nunca ouviu a expressão, memória de elefante?
Conta-se que certo alfaiate indiano enfiou uma agulha na tromba de um elefante e, anos mais tarde, quando o animal reencontrou o alfaiate, encheu a tromba d’água e despejou sobre o homem, prova de sua boa memória.
Por certo o leitor desse artigo perguntará. O que eu tenho haver com a tal memória de elefante? Muito, pode ter certeza.
Voltamos a viver os velhos tempos de campanha eleitoral e eles voltaram os bons e os maus políticos com seus sorrisos, abraços, santinhos e o pedido: Eleitor preciso do teu voto! É também a oportunidade que temos de banir os oportunistas de sempre, os falsos políticos que prometem ilusões, os que protegem seus pares e estão se lixando para opinião pública, os que metem a mão nos cofres públicos e sempre se reelegem, pois isso acontece por não gostarmos de política.
É hora de procurarmos identificar os candidatos honestos, decentes e com conhecimento, se faltar um desses itens, não vote nesse candidato escolha outro que respeite você como cidadão.
Pesquise e principalmente relembre dos que tiveram envolvidos nos escândalos. Não podemos ser ignorantes nessa hora frente a mediocridades. Nosso voto não pode ser comprado por jingles de campanhas e abraço de candidato que agora reconhece você como a pessoa mais importante em sua vida.
A sociedade tornou-se refém de muitos deles, que são prodigiosos em fazerem promessas de campanha, que não cumpriram. É preciso refletir e analisar muito antes de votar.
Outrossim, palavras como saúde, segurança, educação e emprego deveriam ser banidas do vocabulário dos candidatos a cargo político, pois muitos desconhecem os problemas sociais, e a forma como resolvê-los. Como em uma apresentação artística, transformistas políticos buscam encantar o desavisado eleitor, incapaz de perceber a diferença entre a realidade e a fumaça da encenação.
Por outro lado é grande o numero de candidatos sem o mínimo de conhecimento, apenas por estarem na mídia como atores, cantores e jogadores de futebol, buscam apenas os privilégios da classe política, como se aposentar com oito anos de serviço. Sendo que muitos deles sem a mínima condição de ocupar a função de sindico no prédio onde moram.
Já ouviram falar nas criativas leis que instituíram o dia do sexo, o direito de sermos felizes, a que proíbe que animais de estimação recebam nomes de gente, a que deu o nome para uma cidade como a capital do boné ou a criou a semana do feijão com arroz, toda essa legislação foi obra de um exaustivo trabalho, que é realizado em média é três dias por semana de um político que foi eleito por nós que não gostamos de política.
Cuidado com soluções milagrosas prometidas, impossíveis de serem realizadas, saiba que depois de eleitos através do nosso voto, vem também à herança maldita, os apoiadores de campanha premiados pelo seu trabalho de carregadores de bandeira que ingressam na máquina administrativa em cargos de confiança pagos por nós contribuintes.
Isso é uma agressão à ética, e ao povo que vê em certos políticos, os piores exemplos de conduta, e de práticas delituosas ao longo do mandato.
Neste próximo pleito temos a obrigação de analisar, quem são os nossos candidatos, veja se eles não estiveram envolvidos em nenhum escândalo, os projetos que apresentaram e principalmente se trabalharam por nós e não contra nós.
Embora nós eleitores não tenhamos uma excelente memória para guardar tudo em nossa cabeça, e por não termos, pagamos caro pela conduta de certos políticos, é hora de mudarmos nossa postura.
Por favor, sejamos desta vez eleitores com memória de elefante.
Mensagens como, “Que este amor os uniu permaneça para sempre no coração de vocês”, são comuns no dia de qualquer casamento, mas com o passar do tempo esta união muitas vezes não se perpetua, e em muitos casos a separação judicial é o caminho mais simples e imediato que os casais dispõem para promover a dissolução da sociedade conjugal.
Que pode ser consensual quando o casal concorda que não dá mais para ficarem juntos, ou seja, amigável e litigiosa quando é realizada a pedido de um dos cônjuges, mediante processo contencioso, estando presentes hipóteses legais, que tornou insuportável a vida em comum. Na forma consensual as partes estão de acordo com os termos da separação. Já na separação litigiosa ocorre o contrário, quando um dos cônjuges não aceita a separação ou os termos impostos pelo outro.
E ai vem um velho e conhecido drama que acompanha quase toda separação litigiosa.
Com quem as crianças vão ficar?
Certamente não são os filhos os culpados ou responsáveis da separação conjugal, e se não fosse o interesse de prejudicar o ex-parceiro ou ex-parceira, o correto seria a guarda compartilhada, em que os separados almejam primeiramente o interesse dos filhos, com o fim de protegê-los, onde é dividido o tempo e as responsabilidades, para que pais e mães estejam igualmente presentes no cotidiano das crianças e não serem apenas visita nos dias acordados ou como meros pagadores de pensão alimentícia.
Porém a prática jurídica nos mostra que nas separações litigiosas ou nos divórcios quando não há consenso, é quase impossível ser aceito a guarda compartilhada, pois é provável aquele que detém a guarda e que tem algum ressentimento oriundo do casamento com antigo companheiro, utilizará o filho como arma para atingir o ex-parceiro de todas as formas.
Quase sempre uma separação deixa mágoas, sendo comum a estas pessoas fazerem comentários negativos sobre o outro, são atitudes insanas e nefastas, que visam impedir ou destruir o vínculo com o outro genitor, com claros objetivos de conseguir que o filho o odeie ou rejeite.
Este triste jogo de manipulações conhecido como “Síndrome da Alienação Parental”, descrita em meados da década de 80 pelo psiquiatra infantil norte-americano Richard Gardner, revelou situações na qual genitores procuram afastar os filhos do outro genitor intencionalmente, levando a criança a perder por completo o contato com a figura alienada e com certeza trazendo graves prejuízos para formação de sua personalidade.
Felizmente essa prática passou a ser formalmente vetada recentemente através da Lei 12.318/2010, publicada este mês no Diário Oficial da União, que prevê a punição daqueles que, comprovadamente intervirem na formação psicológica das crianças para que repudiem seus genitores ou que cause prejuízos ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos. Com essa lei com certeza, obrigará os ex-cônjuges a terem mais cuidado para não usarem as crianças e adolescentes como instrumentos desse ódio, que gera danos psicológicos e materiais para os filhos e também para os ex-parceiros ou parceiras vítimas da alienação.
No entanto entendemos que ao judiciário cabe agir com rigor, contra os genitores que têm o dever proteger, e que de maneira sórdida provocam a “tortura psicológica” nos filhos, com um único objetivo de atingir o ex-companheiro, mesmo que para isso seja necessário adotar o afastamento abrupto daquele que prejudica o menor, não importando neste momento que seja mãe ou pai.
Assim, aqueles que de forma doentia extirpam o ex-parceiro da vida do menor, como forma de machucar o ex-companheiro por um relacionamento fracassado, poderão ser penalizados por medidas judiciais, que vão da advertência a perda da guarda.
“Comecei a fumar maconha com quatorze anos, ai cocaína com dezesseis. A vida é um degrau que sobe, a droga é um degrau que desce. Vai descendo, primeiro você perde seu dinheiro, depois você perde suas coisas, ai perde sua dignidade”.
Este foi o depoimento de um jovem de vinte anos, preso por esfaquear os pais porque eles se recusaram a dar dinheiro para comprar cocaína.
É mais um caso na crônica policial relatado na imprensa do centro do país, que acontece diariamente nas grandes cidades e hoje também presente nas pequenas localidades do interior. Fato que choca e revolta uma parcela da sociedade, enquanto a outra parece desconhecer os malefícios da dependência química, dos gastos com tratamento médico, perdas sociais e mortes prematuras, pregoam aos quatro ventos a legalização da maconha, ou seja, liberar o acesso tornando legal o seu uso, acreditando na falácia de que a violência diminuiria.
É varrer para debaixo do tapete um dos maiores problemas sociais, e que comprovadamente está associado ao aumento da violência, e que conhecemos tão bem sua trajetória até o usuário, onde o traficante repassa a droga a um conhecido, que por sua vez oferece a um não viciado, abrindo uma nova porta para outros vícios, pois é sabido onde há a maconha também há outras drogas como a cocaína e o crack.
O vício das drogas não degrada apenas o usuário, mas também seus familiares, que viram co-dependentes e não raros são os pais que se sujeitam a atos extremos, como acertar dívidas de seus filhos com o traficante, na ânsia de salva-los da execução.
Trata-se de um flagelo que se espalha com rapidez, trazendo a violência para todos, pois são freqüentes os assaltos a pessoas e estabelecimentos comerciais, praticados por viciados que buscam, mediante o crime, obter recursos para sustentar esse caro e destrutivo vício.
Mesmo com ações operacionais das policias, o assédio de pequenos traficantes aos jovens, ocorre cada vez com mais freqüência e ousadia em todos os lugares, sendo que na maioria das vezes os pais quando descobrem que os filhos estão viciados, já é tarde como na tragédia relatada na introdução deste artigo. Iniciando-se um processo sofrido, penoso e traumático para todos os envolvidos, onde o índice de êxito infelizmente é baixo, ocorrendo quase sempre a recaída, quando das crises de abstinência.
Ainda os melhores remédios de combater as drogas é a velha prevenção, que através da informação, educação e dialogo e a participação efetiva da família, onde o carinho, a conversa franca e aberta, o incentivo a responsabilidade e a confiança, afastam peremptoriamente o jovem das drogas.
Assim sendo, cabe a todos nós, sociedade, instituições, autoridades, profissionais e educadores, termos consciência que a epidemia das drogas ultrapassou todos os limites de tolerância, e que não basta só denunciar e prender traficante, é preciso agir com campanhas persistentes e agressivas sobre essa realidade que destrói a família brasileira.
Argumentar que a não faz mal e não vicia e que sua dependência é apenas psicológica, e que o usuário consegue abandonar a droga quando quiser, é um ledo engano. Maconha vicia e quase sempre é a primeira droga do jovem adolescente que com certeza em muitos casos será substituída por outra mais pesada.
Por outro lado defender sua utilização, como auxílio na diminuição da pressão do globo ocular nos casos de glaucoma e calmante dos vômitos após o tratamento da quimioterapia é desconhecer o avanço da indústria farmacêutica que coloca no mercado medicamentos com resultados superiores da “Cannabis Sativa” e que não causam dependências e nem lesões neurológicas.
De outra banda afirmar que a proibição fortalece o crime, e que seu uso não acarreta nenhum dano, é desconhecer o inferno que vive os co-dependes e usuários, que com certeza iniciaram no vício com um “inofensivo” cigarro de maconha
Nasci em 13 de julho de 1990, através da Lei Federal nº 8.069. Fui registrado pelo nome de Estatuto da Criança e do Adolescente, mas pode me chamar de ECA. Legislação ousada e avançada para época, que veio ao mundo reforçar a doutrina da proteção integral à criança e ao adolescente adotada pela Constituição Cidadã em seu artigo 227, caput.
Quantas esperanças depositadas nesta lei, infelizmente direitos e garantias individuais desconhecidos e violados. Ao chegar à maturidade observo a grande distância que separa o que foi sonhado e a realidade. Assisto diariamente o que deveria ser proteção hoje é letra morta. Sendo que eu sou visto pela sociedade como problema não gerado por ela.
Comemorar o que?
As noites frias do inverno gaúcho, que sozinho adormeço sob uma marquise, envolto a jornais, com fome e frio. De ser responsável muitas vezes em sustentar a família ou o vício dos meus pais. De apanhar porque trouxe pouco dinheiro para casa. De ser adotado por um traficante ou rufião e ter ele como herói. Pois me possibilita a consumir o crack e maconha em troca da minha atividade ilícita ou prostituição.
O que eu quero é respeito!
De não ser questionada em juízo se eu atingi o orgasmo quando estuprada. Sendo eu uma menina com dez anos de idade. Quero preparo para as pessoas que tratam os crimes contra mim e os acusados tenham a devida punição. Quero uma ação nacional de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes atuante, para que não deixe a minha imagem nua ser explorada por pedófilos, aproveitando-se de minha ingenuidade.
Quero uma rede de proteção de entidades, instituições, programas, projetos e ações de atendimento, ligados tanto ao poder público, quanto à sociedade civil, interagindo uns com os outros, buscando desenvolver atividades em conjunto que visem ações permanentes. Que me retirem da rua quando me virem perambulando, pedindo esmola, vendendo balas, usando drogas. Porque meu lugar é na família, na escola e não na rua.
Quero amor, carinho, dedicação, que eu não seja um estorvo para meus pais e não sofra as barbáries de espancamentos e castigos. E não seja morta pela intransigência dos adultos.
Tio lindo, tia linda do meu coração, talvez o próximo aniversário seja melhor. Quem sabe eu não estarei na sinaleira para sujar o vidro do seu automóvel com meu rosto ranhento de criança. E você não será cúmplice da minha fome, da falta de carinho, do meu abandono, e quem sabe da minha morte.
