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A reforma agrária é uma nobre causa quando busca assentar em lugares próprios gente produtiva, capaz de transformar a si e o seu entorno e as vezes até muito além. As grandes nações viram essa necessidade e deram a atenção responsável que a situação exigia no tempo adequado inclusive para garantir a própria alimentação das populações de seus territórios.
No Brasil, as grandes extensões de terra, o solo fértil e o clima definido para grande número de culturas não foram argumentos suficientes para seus administradores perceberem que deveriam planejar e estruturar ações concretas entregando aos grupos humanos que sabem cultivar a terra áreas que lhes possibilitasse crescer economicamente auxiliando o país a ser um grande produtor e exportador de matéria alimentar.
O ente público ao longo do tempo fez discursos demagógicos e oportunizou que surgisse um movimento social daqueles que buscavam terras para cultivar e sobreviver. Mas a colméia que era para produzir foi se tornando violenta e pouco dada ao princípio inicial arregimentando para suas fileiras quem nada tinha de conhecimento agrário. E o que era para ser vetor de crescimento e equilíbrio social acabou se transformando numa troupe de baderna.
O atual movimento dos sem terra não tem mais sublimes intenções porque ninguém há de entender como nobre um movimento que invade, depreda, queima, destrói e arrasa.
Ainda existem muitos que justificam os atos de vandalismo que tem sido praticados, mas a tendência é que com informações cada vez mais claras sobre as ações predatórias e o mau uso de volumosas quantias do dinheiro público que chegam à organização, a sociedade perceba que a bandeira de defesa do movimento não é bem aquilo que expõe como objetivo.
Com raras exceções os assentamentos dos trabalhadores sem terra obtiveram sucesso. Os milhões de reais endereçados a manutenção dessas áreas agrícolas estão enterrados sem qualquer probabilidade de resgate. Tudo virou engodo.
Resta a dúvida, cada vez mais crescente, que o movimento não quer reforma agrária, mas a tomada do poder. Seus integrantes ainda não usam armas porque sabem que a sociedade brasileira não acolhe guerrilha. Seus instrumentos visíveis são foices, pás e enxadas. Mas tem a arma da infiltração em todas as áreas e pode estar corroendo vidas e mentes com suas sabidas pregações de um modelo anacrônico e comprovadamente ditatorial. Alguns poucos que seriam verdadeiramente colonos estão subjugados por leis próprias do movimento. Ameaçados na maioria das vezes, permanecem silentes, caminhando desgarrados por estradas, até o momento de um novo achaque ao patrimônio público ou privado.
Os significativos estragos causados pelo movimento sempre são pagos por nós, cidadãos corretos e obedientes às normais coletivas. Ele (o movimento) sequer é indiciado. Existe de fato, mas não de direito e disso se aproveita.
Nos esbulhos em fazendas e chácaras do Rio Grande do Sul secaram açudes, derrubaram cercas, furtaram madeiras, ameaçaram empregados rurais, incluindo as mulheres trabalhadoras, arrancaram pés de culturas que floresciam, carnearam gado, galinhas, patos, destruíram estacas divisórias e exterminaram muito da fauna silvestre que desapareceu em muitas das áreas por onde permaneceram acampados. Em outras unidades federativas tiveram atitudes semelhantes, incluindo a destruição de milhares de pés de laranjeiras.
Não dá para aceitar nem favorecer qualquer ação do movimento enquanto manter essa postura e criar situações de insulto à sociedade com seus atos desusados e criminosos.
Resta saber se o governo entende essas manifestações como delito ou vai continuar acobertando a turba fazendo ouvidos de mercador enquanto os cidadãos de bem pagam a peso de ouro os abusos decorrentes das bárbaras ações.
Qual o exemplo que está sendo oferecido à infância e à juventude brasileira por parte do mundo adulto?
Dizem-me alguns que todo o processo de imoralidade que grassa nas instâncias políticas do país sempre existiu. A diferença é que a prática de maus costumes se desnuda hoje graças a rapidez das comunicações, a imprensa investigativa e ao processo de liberdade que permite aos cidadãos expressarem seu pensamento sem medo de represálias que não estejam recepcionadas pelas normas constitucionais e jurídicas. Tal assertiva leva a pensar que o homem é um lobo cretino. Uma larva infame que se apropria do bem para criar o mal.
Os tempos parecem ser de orgia moral na política que se tornou uma atividade promíscua no entendimento dos cidadãos. São milhares que estão assentados nos poderes e é de se tremer ao pensar que a maioria seja calhorda. Mas são tantas as denúncias que no imaginário do povo todos são como farinha impregnada de insetos miseráveis que contaminam o produto.
Recentemente a aprovação de emenda constitucional que aumenta o número de representantes nas câmaras de vereadores provocou a indignação da maior parte da população de todos os cantos do país. Enquetes e pesquisas via meios de comunicação interativos demonstraram que a população entende como desnecessária a presença de um número maior de representantes porque isso não produz melhor qualidade de vida para as comunidades, pelo contrário, gera maior custo, mesmo que na mesma emenda venha expresso que o repasse para o ente legislativo será de menor percentual.
Essa indignação da população demonstra claramente o que ela pensa sobre os políticos. O povo sabe que a emenda constitucional foi aprovada porque deputados federais e senadores aquiesceram à proposta. Resta saber se este mesmo povo ora tão indignado vai demonstrar isso no momento em que o candidato à reeleição a deputado federal ou senador vier a sua base para solicitar seu apoio na urna. Perguntará ao candidato se foi a favor ou contra a emenda? Será isso um impedimento para que não apóie o candidato?
A emenda constitucional que aumentou o número de legisladores municipais foi aprovada porque a sociedade não se mobilizou contra o fato se é que realmente não desejava que isso viesse a se concretizar. Passou nas votações das instâncias superiores porque o cidadão que tanto reclama e se manifesta contrário às malversações dos que elegeu em período anterior, só reage depois da ocorrência do fato. Isso significa dizer que as coisas acontecem em desacordo com o que o povo pensa porque esse mesmo povo não se mobiliza em tempo para evitar o que identifica como prejuízo ou mazela social.
Portanto, se há erros, excessos, malversação, dilapidações, abusos, tudo decorre da leniência de cada cidadão que deixa o barco navegar por águas tumultuadas e depois que perde seu controle tenta justificar sua própria displicência em conduzir a embarcação por cursos de águas menos tormentosas.
Tudo o que está errado na concepção de cada um de nós foi por nós permitido ou omitido.
Passamos o primeiro trimestre do ano. O tempo parece célere apesar de que sempre é igual desde o big-bang. Antes, no pretérito, que não está tão longe, por escassez de coisas para se ver e fazer parecia arrastar-se. Hoje, pedimos aos céus que nos alargue o intervalo entre dia e noite porque sempre sobram fatos a serem resolvidos e vividos. É a evolução do conhecimento e a ascenção da ciência oferecendo uma parafernália de coisas que nos possibilitam estar em tudo sem estar em nada.
Estamos realmente passando de um estágio para outro. É a Páscoa moderna que conserva apenas as delícias que o fruto do cacau nos oferece.
Pelo país continuam os desacertos, as CPIs, os inquéritos, o bate-boca insípido da pseudo-oposição, a moldagem de quem vai ser candidato a presidência da república.
O delegado Protógenes Queiroz, anfitrião da operação Satiagraha, protegido por hábeas corpus, pouco disse em seu depoimento. Parece uma espécie de arquivo X. ETs devem vigiá-lo, inclusive quando defeca, tamanho é o perigo que consiste para quem está com a cola atada por atitudes incompatíveis de respeito às coisas públicas. Tem muita areia abaixo da linha do equador. Está sob os tapetes. Mesmo assim pode dar tombos nos desavisados.
Tudo é tão extraordinário que até o senador Fernando Collor pode ser candidato a presidente. E por que não? Afinal, se formos medir a corrupção que dizem praticada aquela época com a que foi desvendada no ano de 2005 pelo ex-deputado Roberto Jefferson, Collor de Mello foi punido com exagero. Foi um Fiat Elba contra um mensalão! Tudo é tão surrealista que até Eike Batista, o ex-marido de Luma de Oliveira pode ser candidato a qualquer coisa, carreando milhões de votos, não há dúvida!
Aos tempos de Hitler que apregoava a necessidade de uma raça pura algumas etnias não arianas eram identificadas por símbolos. Os judeus portavam uma estrela amarela, além de terem marcado no braço um número identificador. Judeus em sua grande maioria são claros e milhares têm olhos azuis. Ciganos, negros, homossexuais e prostitutas eram grupos fadados a serem extintos pelo entendimento da política dominante na Alemanha nazista dos anos 30 e 40. Felizmente os humanos ultrapassaram este negro período que se assemelhou ao barbarismo da Santa Inquisição e ao obscurantismo da Idade Média que viveu sob malditas trevas. No andar dos ponteiros do tempo o mundo percebeu que nem cor, nem compleição física, nem condição econômica faz as pessoas melhores ou piores, mas que é o caráter, a atitude, a decência e o conhecimento que moldam cada sujeito. Mesmo que alguns irresponsáveis tentem jogar sementes de discórdia entre os diferentes.
