Enviado Sexta-feira, 19 de setembro de 2008 às 14:25:39 |
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A sociedade em geral se posiciona contra o nepotismo, prática que se entende pelo uso da máquina pública em proveito próprio ou para favorecer a parentes e amigos que direta ou indiretamente possam usufruir vantagens à custa dos cofres públicos e que os agentes políticos representantes do povo se permitem a conceder enquanto no exercício do poder.
O nepotismo é a quebra do princípio da impessoalidade haja vista que na maioria das vezes sobrepõe o interesse particular ao interesse público especialmente no que tange a contratações de servidores para os chamados cargos de confiança e/ou em comissão, os quais somente deveriam ser ocupados para atribuições de direção, chefia e assessoramento. Não é o que ocorre aqui, ali e lá, isto é, o descumprimento constitucional se dá em todas as esferas.
No Brasil, desde priscas eras, os governantes têm a habitualidade de agirem em causa própria nomeando parentes e amigos para o serviço público. Ninguém é contra que os parentes de agentes políticos ingressem no serviço público, todavia, para chegar a isso poderiam buscar o concurso onde todos competem em pé de igualdade e pelo esforço pessoal.
Um outro viés do nepotismo é o do agente político que abusa do poder concedido pelo povo e passa a decidir em causa própria, soterrando a lei, a ética e a moralidade pública quer seja pela ação exagerada de assessores a sua volta, quer por decisões que favoreçam os grupos de apoio pessoal.
A sociedade como um todo deve estar atenta a essa ferida ainda aberta na democracia brasileira e que atinge os poderes executivo e legislativo em especial abrindo espaço para a criação de verdadeiros feudos políticos nem sempre interessados na questão pública mas em uma permanência “ad infinita” no poder. A exigência de uma postura firme e contrária ao nepotismo pela sociedade é uma ação cívica que deveria ser praticada até que a mazela fosse eliminada.
Enviado Sexta-feira, 05 de setembro de 2008 às 11:25:53 |
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O Senado brasileiro votou projeto criando cargos comissionados com salários para assessores técnicos que beiram os 10 mil reais. Bem disse o presidente da instituição que não era momento para essa estapafúrdia porque não há necessidade de mais funcionários para atender à demanda de serviço dos senadores, mesmo que o Senado tenha caixa suficiente por ter gasto apenas metade de seu orçamento. Isso demonstra cabalmente que a leitura que nossos políticos fazem é da gastança.
O chamado dinheiro público, aquilo que o tesouro federal, estadual e municipal arrecada não é dos executivos e legisladores do momento. O dinheiro é do povo brasileiro, fruto da honestidade de cada cidadão quando paga seus impostos, taxas e contribuições e tudo o mais que vem embutido em qualquer bugiganga que se compra.
Os políticos perderam totalmente o respeito com os cidadãos. Usam e abusam das prerrogativas de seus cargos esquecendo as necessidades da sociedade brasileira que ainda pena em larga escala por várias áreas. Faltam hospitais para salvar a vida dos mais pobres e presídios para trancafiar os delinqüentes que matam nossos filhos. O Senado realmente contribuiria com a pátria se tomasse essas “sobras” financeiras e encontrasse um meio de colocá-las em uma rubrica para levar mais recursos materiais e humanos às regiões onde o grito de dor por falta de atendimento decente dilacera a vida de muitos brasileiros.
Será que importa aos políticos a dor da miséria? Eles não conhecem isso além do que vêem pela televisão (se é que olham para essas coisas tão comezinhas), todavia, ao tempo das eleições, lá estão eles, estendendo as mãos cuidadas para as massas de pele judiada.
Os cargos comissionados (CCs) quase sempre são apadrinhamentos e estão presentes aqui, ali e lá. Que alguém conteste e prove se assim não for.
O fato começa a acontecer no período eleitoral. Os que apoiaram o candidato vencedor têm grande chance de conseguir um cargo, uma “boquinha” pública como dizem de forma safada e indecente. Salvo exceções, as pessoas aderem às candidaturas na esperança ou expectativa de chegarem ao espetáculo da vitória e, então, encontrarem o filão de um emprego por quatro anos. Chegam a ser nojentas certas atitudes que se tem de assistir.
A diminuição de cargos comissionados nem passa pela cabeça dos políticos, pois é um filão gratuito de cabos eleitorais para os próximos pleitos.
Basta se observar com um pouco mais de acuidade para ver claramente que as freqüentes falcatruas na administração pública têm como causa quase que invariável a indicação de afilhados políticos para cargos que exigem formação técnica e competência gerencial.
Se a sociedade brasileira tivesse juízo cívico se engalfinharia no processo eleitoral pressionando os candidatos a mostrarem seu entendimento sobre a questão. Porque não basta quedar-se por uma sigla ou um candidato: é preciso que a sigla e o candidato demonstrem conhecimento sobre a dimensão da responsabilidade do que vai assumir e indicar com objetividade como irá enfrentar os desafios. Do contrário estar-se-á muito perto de um fracasso administrativo com males muitas vezes que levam décadas para serem corrigidos, isso quando o são.