Escrever é embrenhar-se com demônios
Enviado Sexta-feira, 05 de março de 2010 às 11:03:29 |
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Eu não sabia muito sobre o que escrever então decidi começar a escrever assim mesmo. Vai que o cérebro pega no tranco? Existe a coluna, há a necessidade latente da crônica, enquanto exercício para quem escreve e mesmo distração ou passatempo para quem lê. Não queria te deixar na mão, leitor.
Primeiro pensei em escrever sobre o verão. O título seria: “O verão é das mulheres, o inverno é dos homens”. Soa um pouco machista, simplista (ou anti-socialista?) mas eu estava indo bem, já havia listado algumas razões que provariam de forma elegante minha tese quando, repentinamente, fugiram-me os argumentos. Deu branco. Estanquei quando enfatizava o poder miraculoso das sandálias de salto, mini-blusas e calças leg (e suas respectivas donas) de embelezarem divinamente a paisagem urbana.
Depois, imaginei compor alguma cena com dois ou três personagens. Uma conversa de bar, uma crônica-conto. Não prosperou. A Festa da Uva surgiu como possibilidade, mas não gosto de ser óbvio. Li algo sobre deputados, quem sabe um artigo político? Melhor não, a política me atrai tanto quanto a nudez da Dilma Rousseff.
Sentia-me deslocado.
Aliás, todo escritor que se preze é um cara deslocado. Falo em relação ao mundo. Tem a impressão de “nunca estar totalmente” como escreveu Cortázar. E desta particular sensação surge seu estranhamento com a realidade. Torna-se necessário então dar cabo à esta espécie de angústia. Daí a necessidade da escrita. Ou de algum tipo de crime, se o cara não estiver disposto a escrever...
Mas calma. O escritor não precisa ser, necessariamente, uma pessoa má. Porém, deve conhecer o Mal. Não temê-lo. Transformá-lo em Bem quando for preciso. Percorrer seus caminhos, amiudar-se com suas artimanhas, para que sua escrita resulte convincente, verdadeira. Poética. Do contrário, como criar um texto que cause impacto ao leitor, que o faça rir, chorar, emocionar-se? Como criar um personagem nefasto sem conhecer o Mal? Outra coisa: nunca se deve escrever sobre assuntos que não se goste. Ou que não se conheça o mínimo a respeito. A escrita será artificial, desprovida de paixão e entusiasmo. E o leitor perceberá o embuste e denunciará a fraude.
O papel em branco é um demônio albino. No início do texto, a tela vazia do micro zomba da inércia do escritor. Por onde começar? Capturada a primeira frase, emergem novas possibilidades. Labirintos, ramificações conceituais. Diversas maneiras de dizer o mesmo. Inúmeras escolhas, um jogo de espelhos. Palavras são signos limitados. No final, como um pequeno troféu alcançado depois de uma prova, sempre há algum prazer. Escorregadio, fugaz, mas ainda um prazer.
Escrever é libertar-se de amarras invisíveis. Mesmo que por pouco tempo. No universo de tinta, papel e megabytes, ser um Deus de mentirinha. Escrever é embrenhar-se com demônios, selva do intelecto adentro. E voltar mais forte depois de cada passeio.
Gaúcho, quando vai pra Bahia
Enviado Terça-feira, 02 de fevereiro de 2010 às 10:01:26 |
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Gaúcho, quando vai pra Bahia, invariavelmente se deslumbra. Meu amigo Sandro, por exemplo. Ao demorar-se ao lado do elevador Lacerda, contemplando a perspectiva comovente da Baía de Todos os Santos, teceu o seguinte comentário:
- Tchê, que lugar mais bonito. Lembra um pouco Dom Pedrito né? Só botar capim no lugar do mar ali que fica parecido. Coisa bem linda!
É o chamado deslumbramento emocional gauchesco de raiz. O cara aprecia, se derrete até, frente ao objeto de seu encantamento, mas sem muita frescura. E sem deixar de incluir sua terra no louvor. Longe de casa, entre estranhos, nosso gauchismo brota fácil.
Gaúcho, quando vai pra Bahia, não sabe por onde começar o passeio. Quantas praias de água azul turquesa e coqueiros inclinados, tipo capa de revista de turismo, dispostas uma ao lado da outra naquele imenso litoral, como se Deus estivesse num surto poético no dia da Criação? Ou num concurso de design de praias? Uma melhor que outra... Quanta história impregnada na arquitetura secular de suas igrejas barrocas, seus faróis, seus fortes e palácios? Seus pisos de praças feitos com pedra portuguesa e para sempre manchados de sangue, suor e esperança escravos. Do ponto de vista histórico-cultural, a Bahia é o nosso velho mundo. Nossa Europa verde e amarela. Em cada esquina vultos do passado caminham do teu lado, na exuberante natureza ainda o charme do Brasil inaugural.
Sabemos também que a malemolência (que palavra!) do baiano pode não ser um mito. Dizem até que, no Brasil, o maior especialista em internet é o baiano: vive na rede. Mas como não se deixar levar pelo bom humor contagiante, por sua alegria apesar das agruras, pelo sotaque descansado e escorregadio daquele povo, sempre disposto a compreender e ajudar alienígenas perdidos, como nós?
Imaginem então o meu deslumbramento. Primeira vez por lá, casamento do Marcelão, camarada da prefeitura, e da Taís, agora sua esposa baiana. No dia seguinte à ótima festa, alugamos dois carros na expectativa de conhecer praias e lugares mais distantes. Não revelarei aqui o nome das outras pessoas que estavam comigo e com a Bruna neste passeio, pois não quero sofrer represálias nem pagar custos processuais. Além disso, a Maristela fica tri braba com essas coisas.
Só contarei a parte que, depois de esperarmos os carros no hotel com 50 minutos de atraso, errarmos três vezes o caminho até a Praia do Forte e uma chuvarada tropical ter arrefecido os ânimos no caminho, um dos integrantes baixou o vidro da janela e, como os bólidos estavam emparelhados nesta parte do trajeto, comentou com os colegas:
- Que indiada...
Parecia premonição. Horas depois nossos carros seriam guinchados na praia, um colega pisaria num ouriço do mar, eu cortaria a mão num coral e teria febre e visões apocalípticas (tsunamis vermelhos de acarajé e pimenta se erguendo nas praias, Ivete Sangalo a todo volume como música ambiente do planeta, etc).
Inesquecíveis e adoráveis como nunca, estas aventuras nas lindas terras do nordeste brasileiro.
E se tudo não passou mesmo de uma indiada, estávamos apenas cumprindo o papel que nos cabe. Pois gaúcho, quando vai pra Bahia, descobre que o Rio Grande do Sul, a Bahia ou qualquer outro lugar do mundo é apenas um fragmento, uma sesmaria do grande pago chamado Universo, desenhado e dirigido (embora muitos discordem) pelo Índio Velho lá de cima.
O Natal me faz pensar muito (e ficar triste)
Enviado Sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 às 15:22:32 |
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“Penso, logo existo”. Eis o famoso axioma de Descartes, que poderia ser atualizado para “Penso, logo fico triste”. Dirão: “ mas que cara negativo, em pleno Natal vem escrever sobre tristeza e tal...” É justamente nisso que reside a dureza da coisa: quem pensa muito, logo se aborrece e fica triste. Ainda mais no Brasil e nesta época, cheia de listas piores/melhores, retrospectivas e especiais insípidos na TV.
Lembro que um dia fui um guri normal, e acreditava em Papai Noel. Aí os primeiros lampejos do pensamento levantaram dilemas do tipo: mas se Papai Noel é um só, como ele pode estar em vários lugares ao mesmo tempo (víamos dezenas pela cidade nos meses de dezembro) e porque ele anda atrás de uma camionete velha com música alta jogando balas se ele tem um trenó muito massa e renas voadoras? Pensamento prematuro, frustrações infantis.
Depois, logo após ter saído da catequese e da crisma, descobri nas aulas de história as sacanagens de alguns papas, as vendas de lugares no céu e outras coisinhas frustrantes. Eu ainda não sabia, mas aquilo inaugurou uma nova fase no meu intelecto.
Intervalo temporal e acordo hoje, já trintão, pensando: no que se transformou o homem dito moderno? Um indivíduo cheio de frustrações materiais no meio da multidão das metrópoles desumanas e estéreis? Ou massa de manobra das grandes corporações mercantilistas, um algarismo virtual no mundo consumista globalizado pseudo-feliz da novela das oito? Vamos então nos espremer feito andróides em assépticos shoppings enfeitados... Economistas demonizam a crise como o se ela fosse uma anomalia, um desajuste no plano perfeito e cartesiano que traçaram. Pois as regras do jogo são assim, não existe crescimento ilimitado num ambiente finito. Uma hora a coisa cai, yin/yang, lembram das gangorras? A linha da vida não é uma reta sempre ascendente, está mais para uma senóide, uma espiral estonteante.
Dizem que hoje somos livres. Só se for para escolher a cor da embalagem, como canta o Humberto. Foi o pensamento econômico à la Adam Smith, a doutrina laissez-faire, antes idolatrada, que fez a gente desembarcar pertinho do caos, ecológico e econômico. Na maior cara-de pau esses caras pedem agora ajuda ao estado. Mas não era ele uma máquina ultrapassada que deveria dar lugar à “liberdade de mercado” ? Estes senhores me fazem rir, parecem mulheres arrependidas querendo de volta os maridos que renegaram.
Vou para a TV procurar um filme, e a publicidade faz cair o véu: as grandes empresas atuais têm mais grana do que muitos países, então distorcem leis para obter vantagens, violentam regionalismos e a natureza, colonizam culturalmente. Há uma preocupação ecológica superficial travestida de profunda sendo propagandeada por aí. Ser ecológico hoje virou chique, é uma estratégia de marketing na busca de lucros maiores. Não se ataca claramente o cerne da questão: nosso modelo econômico e produtivo é linear, extrativista. Precisamos adotar o padrão cíclico da natureza, onde o resíduo de uma espécie é alimento para a outra. Senão, blau, já era.
Os grandes pensadores atuais, em sua maioria, se tornaram chatos e volúveis. Onde está o Nietzsche de hoje, cadê a rebeldia da juventude que discutia política, ia à rua protestar? A coletividade precisa de seres assim. Onde estão os grandes ídolos na arte e na música? Morrisons, Warhols, Tons Zés...A mídia brasileira valoriza rebolados e pagodes, frivolidades estéreis de celebridades voláteis. A cena musical está sertanilizada. A qualquer um é concedido fama, não pelo que sabe e sim por estar ali, ser a bola da vez do Ibope. Para completar, doses de violência e exclusão social sempre crescentes ao nosso redor.
Não, não, esperem, chega. Gosto de finais felizes. Ainda há esperança e vida: o mesmo pensamento que entristece, por ser dual como tudo o é, também pode nos salvar da tormenta. Positive vibrations. Por isso vou encerrando o texto aqui e desse modo; cortante, incisivo, abrupto, otimista mesmo que entediado, sem pensar muito que é pra não ficar mais triste: Feliz Natal!
O Estado Maior do Pio X
Enviado Sexta-feira, 04 de dezembro de 2009 às 18:05:49 |
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Nós, leais e valorosos habitantes do bairro Pio X, fragmento espaço temporal componente do bacana município de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, declaramos a partir de hoje nossa completa independência social, econômica, política, gastronômica e patética para com o restante do mundo. Sim, eu disse do mundo.
Sabem o que é? A coisa enfeiou. Então aqui também se mata, depreda, rouba, polui, desrespeita. Com a maior naturalidade. Já não podemos mais curtir nossa promenade até o boteco da esquina, nem dar uma banda para descolar uns cacetinhos na padaria. Ouvir sem medo o padre Ênio em nosso templo e paquerar as gurias na saída do colégio, sem chance. Onde é que já se viu?
De maneira democrática, já escolhemos nosso novo nome: Estado Maior do Pio X - EMPX. Votação feita por e-mail, torpedo, papel de pão lambuzado de Mu-Mu, telegrama, guri de recado. O Alemão, webdesigner vizinho e visionário, já trabalha no brasão oficial, inspirado nas cores do colégio Maguari em fusão com a silhueta de uma fábrica. Diz ele que vai ficar tri bom.
Outra coisa: já temos um líder. O consenso surgiu durante uma tripada ali no Nivaldo, acompanhada de generosas garrafas de vinho tinto: vai ser o Miro. Como assim, vocês não conhecem o Miro? (o Estado Maior do Santa Catarina, co-irmão, alega que o Miro nasceu em seus domínios, mas temos documentos a nosso favor que usaremos em momento oportuno. Não insistam.)
O entorno da Igreja do Pio X e suas adjacências será o nosso Vaticano. Aos elegantes traços da edificação original será anexada uma reluzente sacada, de mármore Carrara e vidro temperado, onde Padre Ênio saudará os fiéis em datas específicas e de grande significado para a comunidade. Como hoje, por exemplo.
Temos respaldo para o ato revoltoso. Nosso passado industrial legitima o movimento separatista. Ajudamos a construir a riqueza da cidade, pô. Se pegar às armas (funda, zarabatana, bombinha, máquina de sulfato) for preciso, nossos velhos pavilhões industriais serão transformados em bunkers equartéis. É chegada a hora!
Não pedimos muito: queremos a volta dos portões baixinhos nas casas, as conversas fraternais sob a sombra das árvores no verão, os carrinhos de lomba zunindo nos morros de basalto, os joelhos condecorados de esparadrapo e mertiolate. Não abrimos mão do futebol de rua com goleiras de tijolos, guerras de bexiguinha na saída da escola, jogos de taco com substituições enganosas de bolas por laranjas quando começava a escurecer (licença pra dois entrega os taco!)
Estamos ávidos para estourar bombinha embaixo das latas de Neston, ver as gurias correndo junto e descobrir que o Papai Noel é o vizinho disfarçado. Precisamos espiar de novo os casais pela janela de tijolo furado do Motel Florenza, brincar de se esconder até tarde da noite, comprar sorvete no Borelli. Sim, há saudade no ar. Nostálgicos? Talvez, mas quando o melhor ficou lá atrás, como há de ser diferente? Desejamos a utopia do sonho redesenhado.
É que nós, lendários vagabundos e figuras mitológicas do Pio X, não gostamos de conversas monetárias de posse, exercícios de poder ou futilidades capitalistas pós modernas. Não queremos saber quanto fulano lucrou ou de mesquinharias similares. Caminhonetes importadas e mulheres de silicone não habitam nossos sonhos. “Disneilândias não vão nos levar ao céu”, como disse Nei Lisboa (nosso Ministro da Cultura) em seu sereno discurso de posse.
Fundar uma ilha urbana e declarar independência: eis nossa ingênua quimera. Porque nós, românticos habitantes do Estado Maior do Pio X, só queremos outra chance de viver em paz. E em harmonia com todos. Como vocês também desejam, tenho plena certeza, amigos habitantes do resto do mundo.
Até que o Mampituba os separe
Enviado Sexta-feira, 20 de novembro de 2009 às 09:46:26 |
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Estavam num quiosque à beira mar em Florianópolis. Um gaúcho e um catarinense. Recém casados. Não entre eles, calma. Suas mulheres haviam ficado no centro da cidade, fazendo compras. Eram irmãs, e quase todo verão os dois casais passavam juntos. E quase sempre na casa dos catarinenses, que convenciam o outro casal através de argumentos do tipo “praia gaúcha é igual a modelo anoréxica: muitos pensam que é linda, mas na verdade é reta, chata e sem graça.”
Cerveja vai (vazia) e cerveja vem (cheia), os dois começam uma discussão. Por algo de supremo valor para a vida quando se está levemente bêbado. Ou seja, por uma bobagem:
- Catarinenses...Falam avião de rosca quando querem dizer helicóptero. Ah, pára!
- E vocês, gaúchos? Chamam policial de brigadiano.Vê si pode!
- O resto do Brasil tem inveja da nossa autenticidade linguistica.
- Sim, sim. Tri massa que o diga. Parece quantificação de comida. Ou alguma variedade de canelone.
- Tri massa e tri legal surgiram nos anos 80, depois do tri invicto do Inter. Ninguém mais tem, velho! E por falar em futebol, quando é que vocês vão conquistar algo de expressão, hein? Acho que se o time da Randon disputasse o Catarinense, ganharia com folga. Duas rodadas antes do fim, um vareio...
- Olha só quem falando! Fizeram um cai-cai aquela vez contra o Figueira que deu dó. Mané comenta aqui que a melhor escola de teatro que tem é a caxiense. Encenam que é uma beleza.
- Bah, essa vez fomos roubados! Como sempre, aliás.
- O gaúcho tem é mania de perseguição. Além do fascínio por objetos fálicos. A bomba do chimarrão, aquela chaminé do Gasômetro, o Parque do Sol, hummm...
- Mais um caso de inveja. Dessa vez, dos símbolos da nossa macheza.
- ...pão é cacetinho...coisa gay...
- Tá bom...Macho é o catarinense. Esse sotaque não engana. Vocês não passam de uns cariocas frustrados!
- Frustrados são os gaúchos, que tem as piores praias do hemisfério sul.
- Tava demorando pra falar nas praias! Tava demorando!
- Mas não é verdade? Dizem que Deus começou a desenhar o litoral brasileiro lá pelo norte e foi descendo. Quando chegou em Torres, Deus teve vontade de ir ao banheiro e parou de desenhar.
- E o que aconteceu depois?
- O Diabo pegou o lápis e desenhou o resto.
O gaúcho já cogitava a possibilidade de arremessar a garrafa na cabeça do catarinense, quando chegam as duas mulheres. Sorridentes, sentam à mesa, mostram as compras e comentam de como é bom passar o verão em Santa Catarina e o inverno no Rio Grande do Sul. E de às vezes fazer o contrário, para quebrar a rotina. Listam um rosário de belezas dos dois estados. “São os opostos complementares”, comenta a mais nova. “Arroz com feijão”, emenda a outra. “Um lugar não vive sem o outro, não acham?”, pergunta a primeira.
A felicidade das duas é contagiante. Comovidos na sincera devoção etílica, os dois homens se olham:
- Bunito isso! Vamos fazer um churrasco pra comemorar! - propõe o catarinense.
- Vizinho e irmão bagual...- murmura o gaúcho com os olhos úmidos, abraçando o amigo.
Depois de pagarem a conta na saída, um dos garçons ainda comenta com o grupo:
- Olha lá um avião de rosca dos brigadianos voando baixinho...