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“O meu partido é um coração partido
e as ilusões
estão todas perdidas”
Ideologia - Cazuza
Contam que o Diabo, depois que inventou a política, precisou fazer análise. Sofria de complexo de inferioridade. “Tem uns políticos aí que me tornaram obsoleto” suspirou ele, deitado no divã (forrado com tecido antichamas) enquanto brincava com um foguinho na palma da mão.
Talvez o Diabo também sofra de tédio nesta época de eleições. Porque os fatos se repetem: doses homéricas de chatice e descaramento, antigos discursos reciclados, promessas tão sérias quanto as gravatas do Didi Mocó. A cena política brasileira mostra a sua nova cara, disforme, multifacetada, repleta de velhas rugas maquiadas.
Ainda jovem acreditei na política. Hoje acredito em coisas mais plausíveis e concretas como discos voadores, gnomos e fadas do dente.
Engana-se quem me rotula alienado. Quero fazer minha parte. Por isso criei um partido político, o PAL. Pê, Á, Éle: PAL. Hoje somos três membros: eu, Presidente e Fundador, o Alemão, Diretor de Marketing Alternativo Circulante (panfleteiro) e o Burziga, nosso Gerente de Logística Especializado em Frota de Elevado Valor Histórico (motorista da Kombi velha que o meu tio emprestou).
Mas em breve seremos muitos. O crescimento do PAL é uma questão de tempo. Então poderei afirmar que nós, do PAL, o PARTIDO DOS APRECIADORES DE LEG, temos propostas diferentes e inovadoras.
Acreditamos no poder da calça leg como reformadora da consciência humana. Sim, a calça leg, a graciosa peça de roupa feminina. Pretendemos recuperar a dignidade perdida da classe masculina e as saudáveis dualidades conceituais do pensamento, artigos raros atualmente, onde homens fazem a unha e mulheres dirigem caminhões (e usam horrendas calças saruel).
Nossa tese é simples: o ato de apreciar uma calça leg será uma espécie de GABARITO INTELECTUAL que irá selecionar os futuros homens públicos. Quem não sente seu espírito elevar-se ao ver uma formosa leg circulando por aí não entende nada da VIDA e não tem capacidade cognitiva nem para administrar um imóvel do Banco Imobiliário.
Antes da deitação: nós, do PAL, não usaremos calças leg. Apreciaremos esta dádiva têxtil em corpos femininos, obviamente. Estimularemos o uso nas mulheres de todo o Brasil. A paisagem urbana, sempre tão poluída e esquizofrênica, alcançará um embelezamento sem precedentes na administração do PAL. Tudo isso a um custo baixíssimo. Para as classes de renda insuficiente, haverá o bolsa-leg.
Um partido machista e conservador? Pelo contrário. As mulheres encontrarão no PAL um instrumento de apoio ao seus mais legítimos interesses. O talento, a auto estima e a graça femininas serão integralmente recuperadas neste mundo frio e masculino. Ainda por cima com muito estilo e sensualidade. Nossas pesquisam comprovam: o PAL será um partido de boa penetração no eleitorado feminino.
Depois de eleitos, os líderes do PAL só tomarão alguma decisão importante após 4 horas de ações contemplativas na observação de legs. Sério. Os chineses não mantém tradições parecidas como a cerimônia do chá? Sem falar nos arranjos florais e na caligrafia, atividades elevadas à categoria de arte pela filosofia zen-budista.
Estamos a frente do nosso tempo. Somos visionários conectados com a essência da vida. É o espírito grandioso do PAL, sempre por dentro das vanguardas ideológicas.
Se o senhor também cansou dos velhos discursos, se a senhora aí na sala não sabe em que partido confiar, não fique mais em cima do muro. Entre para o PAL hoje mesmo!
A cena política brasileira, agora sim, vai ficar como o Diabo gosta.
