06/02 às 11:17 Festa da Uva 2012
Uvas grafitadas são destaques da decoração
O uso da técnica, ainda vista por muitos como vandalismo, na pintura das uvas agradou ao público pela ousadia.
Foto por Mario André Coelho
Obra de grafiteiros está exposta defronte à Igreja de São Pelegrino
A decoração da Festa da Uva 2012 ganhou um reforço positivo. As 30 uvas pintadas com a técnica do grafite espalhadas pela cidade surpreenderam pela ousadia. Até há muito pouco tempo os grafiteiros eram criminalizados. Foi no dia 25 de maio de 2011 que a presidente Dilma Rousseff assinou a Lei de nº 12.408 descriminalizando a atividade (leia mais sobre o assunto no texto abaixo).
As peças em MDF, medindo cerca de 2 metros, foram confeccionadas na maqueteira da UCS, no Campus 8, e pintadas pelos grafiteiros Fábio Lopes, Johnatan Souza, Henrique Padilha e Luan Castilhos. O material foi instalado em pontos estratégicos da cidade durante toda a semana passada. A ideia inusitada partiu da professora de artes Mayta Pasa, que foi solicitada pela organização do evento para propor algo inovador para a decoração da Festa da Uva 2012.
“Eles queriam algo diferenciado, com traçado mais moderno. Estamos felizes com o resultado. A repercussão está sendo bem positiva”, comenta o artista e também arquiteto Fábio Lopes, grafiteiro há 11 anos. Embora atualmente seja entendida legalmente com arte urbana, muita gente vê o grafite como vandalismo. Fábio ainda vivencia o preconceito. “Existem pessoas que ao verem a gente trabalhando têm como primeiro impulso chamar a polícia”, conta ele, acrescentando que esta parceria com o Poder Público sinaliza um avanço sem precedentes para a arte urbana de Caxias do Sul.
Fábio tem vários trabalhos espalhados pela cidade. Iniciou a carreira grafitando para Escolas infantis e pequenos estabelecimentos comerciais. No ano passado, as borboletas pintadas com tinta spray em frente ao antigo Hotel Alfred, na Rua Sinimbu , fizeram tanto sucesso, lembra ele, que impulsionaram sua carreira. “Elas tiveram muita repercussão e a partir daí comecei a trabalhar para grandes empresas, como Tramontina e Randon”.
Nas redes sociais como Twiter e Facebook, muitos caxienses comentaram que as uvas grafitadas salvaram a decoração da Festa da Uva 2012, que vem sendo criticada não só pela comunidade na internet, como também por colunistas dos principais jornais da cidade.
Do vandalismo ao 1º Museu Aberto de Arte Urbana no Brasil nas ruas de São Paulo
A história do Museu Aberto de Arte Urbana (Maau) começa em 3 de abril de 2011, quando 11 artistas foram detidos pela polícia, acusados de crime ambiental, por estarem grafitando as pilastras que sustentam os trilhos do metrô sobre a Avenida Cruzeiro do Sul, na Zona Norte de São Paulo. Em outubro, o mesmo Estado entrou em contato com os supostos contraventores para que eles terminassem a obra, oferecendo ainda a tinta e a estrutura necessárias, substituindo com cores e formas o cinza sujo do local.
A mudança de postura por parte do Poder Público se deu principalmente pela repercussão negativa que a detenção dos grafiteiros desencadeou. Dois deles, Binho Ribeiro e Chivitz, expoentes da arte urbana no país, logo viram se mobilizar uma rede de contatos, repercutindo o assunto até chegar à Secretaria da Cultura do Estado.
O projeto de criação do Museu começou ainda na delegacia por Binho e Chivitz e em outubro, durante duas semanas de trabalho, 35 colunas foram pintadas por 58 artistas, totalizando 68 obras. O Maau é pioneiro no mundo e os próprios grafiteiros se impressionam com a parceria do Poder Público ao patrocinar um projeto underground. Toda essa história será contada em documentário, mostrando os dois lados.
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