O ano de 2009 foi um ano atípico economicamente, onde na maior parte do tempo a economia mundial esteve em crise convulsiva, com sérios riscos de agonia e comprometimento do crescimento
Desemprego, inadimplência, quebra de bancos e uma série de dúvidas sobre a economia dos Estados Unidos, carro chefe dos negócios mundiais, juntamente com a ascendente China, trouxeram insegurança e estabilidade para todos os mercados mundiais.
Apesar das considerações populistas do Presidente da República, minimizando com certa empáfia os efeitos da crise, chamando-a de “marolinha”, o Brasil foi considerado pelos economistas o último país a entrar na crise mundial e o primeiro a sair. Os esforços dos líderes empresariais de Caxias do Sul para conduzirem os negócios de forma positiva foram determinantes também para algumas medidas que irão beneficiar a cidade no futuro e garantir mais possibilidades de expansão econômica e negócios.
CIC
A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), presidida pelo empresário Milton Corlatti, apresentou uma série de reivindicações às autoridades que passaram pela cidade, cobrando medidas e mudanças que favoreçam vários setores da cidade, pleiteando transformações.
Desequilíbrio
Senadores e deputados federais receberam na segunda-feira 14 de dezembro de 2009, correspondência da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) alertando para os desequilíbrios do Orçamento federal. Para o diretor de Economia, Finanças e Estatística da CIC Mauro Corsetti, há alguns anos a entidade acompanha a elaboração da peça orçamentária e constata a existência de desequilíbrios na destinação dos recursos arrecadados pela União. Segundo ele, enquanto determinadas rubricas como as despesas financeiras, gastos com pessoal e Previdência Social recebem a grande maioria dos recursos, áreas como saúde, segurança e investimentos recebem muito pouco.
Gastos/pessoal
De acordo com Corsetti, os gastos com pessoal, por exemplo, vêm crescendo todos os anos em percentuais muito acima da inflação, caracterizando uma enorme transferência de renda da população em geral para o funcionalismo público federal, sem que isso reverta, na mesma proporção, no aumento e na qualidade dos serviços prestados pelo governo.
O diretor da CIC diz que a previsão de gastos com pessoal para 2010, de R$ 168 bilhões, representa um aumento de gastos de R$ 108 bilhões em relação a 2002. Ele acredita que, como consequência, a população é obrigada a aumentar o seu endividamento, causando uma nova transferência de renda, desta vez para os bancos.
Investimentos: Queda
Por outro lado, os investimentos do governo federal vêm caindo e são insuficientes para atender às necessidades mais urgentes do País. Como exemplo, a correspondência da CIC cita os investimentos em aeroportos, que caíram de R$ 1,042 bilhão em 2008 para apenas 0,47 bilhão em 2009. Para 2010, será de apenas R$ 0,28 bilhão. "É fundamental que haja uma redução dos gastos correntes e o aumento dos investimentos por parte do governo, e que não ocorram novos aumentos da carga tributária em 2010", salienta Mauro Corsetti.
Dificuldades
O presidente Oscar de Azevedo salientou que 2009 foi um período de dificuldades, de muito trabalho e de muitas realizações para o SIMECS. Diante do cenário de incertezas sociais e econômicas motivado pela crise mundial, o SIMECS lançou a Campanha Acredite no Trabalho, levando uma mensagem de otimismo para o mercado. A entidade realizou mais de 60 eventos técnicos e profissionais para as suas empresas representadas, numa média de seis encontros por mês. Somente em Caxias do Sul foram três eventos mensais. O SIMECS também foi anfitrião de importantes eventos econômicos, entre os quais, o encontro com o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco e o Seminário de avaliação de 2009 e perspectivas para 2010.
Eventos
O SIMECS sediou a reunião dos sindicatos patronais do setor metalmecânico dos três estados do sul do país. Outro fato importante do ano foi a realização de quatro missões técnico-comerciais em nível nacional e internacional. Na Itália, o SIMECS formou parceria com a Cofindustria Belluno Dolomiti, estreitando as relações comerciais entre as empresas representadas pelas duas entidades. Outro fato importante foi o fechamento do Dissídio Coletivo de 2009 nas bases da entidade e o acordo de flexibilização da Jornada de Trabalho.
Crédito
A Câmara de Dirigentes Logistas da cidade, Presidida pelo empresário Luiz Antônio Kuyava, esteve preocupada com as questões do crédito para 2010. No dia 15 de dezembro de 2009, realizou um painel baseado no estudo das perspectivas de crédito para o próximo ano. Entre outros temas debatidos a possibilidade da volta do pagamento através de carnês.
CNDL
O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, falou do cenário econômico mundial, da economia brasileira, do consumo no Brasil e seus segmentos, da regionalização do comércio, investimentos do comércio varejista – perspectivas para este segmento a volta do pagamento através de carnês, as consultas ao SPC e o cadastro positivo, a popularização do comércio eletrônico, e as tendências para o credito – cartão de crédito. "A qualificação do comércio, o investimento em tecnologia e a estrutura de mercado competitivo é cada vez mais importante para se continuar neste segmento", disse Pellizzaro.
Crescimento
Outro ponto forte abordado pelo presidente da CNDL foi à expectativa de crescimento do setor para o próximo ano. "Em pesquisa realizada pela Confederação, esperamos e prevemos estimativa de crescimento de 8,5% no volume de vendas do varejo, um crescimento forte e com geração de empregos, uma expansão na ordem de 17%", salientou Pellizzaro.
Debates
Preocupações com a superação da crise, com a divisão justa do patrimônio público, questões estruturais e de desenvolvimento, formas de concessão de crédito e a análise de possibilidades melhores de negócios para 2010, foram as tônicas dos debates nos setores empreendedores de Caxias em 2009.
Reforma Tributária
Existem alguns consensos importantes já selados há bastante tempo nos setores econômicos e em Caxias não é diferente. Todos os empresários esperam a realização urgente da Reforma Tributária no Brasil, a desburocratização dos negócios e a possibilidade de juros mais baixos para que as linhas de acesso ao capital de giro e investimento de infra-estrutura para as empresas seja mais barata.
Segura/estável
Uma economia segura e estável é o desejo dos que investem em Caxias e no Brasil. Sobre as expectativas do ano eleitoral, a classe empresarial caxiense, acostumada com as bravatas políticas, não se posiciona de forma explícita, mas prefere generalizar que as necessidades dos setores do desenvolvimento econômico e comercial, passam pelas reivindicações feitas no ano de 2009 e pelos ajustes feitos na superação da crise, para que ninguém seja pego de surpresa. Isso, independente de quem seja o governo e qual os partidos que administrem o poder.
Eleições
Como em 2010, mais uma vez o Brasil estará envolvido em eleições, espera-se que as escolhas sejam feitas com segurança e critério para que se construam dias melhores. Notícias recentes nacionalmente divulgadas, dão conta de que a arrecadação de impostos no Brasil cresce a cada dia, apesar das contrapartidas sociais não avançarem no mesmo ritmo.
Empregos
É neste turbilhão de informações que o Presidente Lula pretende cumprir as promessas de campanha do primeiro mandato, quando disse que geraria 10 milhões de empregos no Brasil. Lula está usando a torneira dos impostos para tentar fazer a sucessão presidencial e passar a faixa para a Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.
Arrecadação
A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$72,09 bilhões em novembro - o valor representa um crescimento de 26,39% em relação ao mesmo período de 2008 e o novo recorde do ano. Os dados foram divulgados pela Receita Federal.
Crescimento
Na comparação com outubro deste ano, houve um crescimento real de 4,41%. Do total arrecadado em novembro, R$ 66,69 bilhões referem-se a impostos e contribuições administrados pela Receita e R$ 5,39 bilhões as demais taxas e contribuições controladas por outros órgãos.
Aguardar
Agora é aguardar para ver o que acontecerá em 2010, e quais os resultados que serão colhidos das sementes plantadas.