Empresário faz comparações entre o Brasil e a China para mostrar diferenças nas questões trabalhistas e impostos entre os dois países
Por João C. Garavaglia
Conselheiro de Administração da Marcopolo fala na CIC sobre como conviver com a crise e critica impostos e direitos trabalhistas do Brasil. “O mundo está em crise” diz Conselheiro de Administração da Marcopolo S.A., José Antônio Fernandes Martins, em palestra esta semana.
Martins fez uma comparação da situação das empresas do Brasil e da China. Comparou os altos impostos que são cobrados dos empresários no Brasil, enquanto lá os mesmos são baixíssimos, taxas que lá não são cobradas, mas aqui sim, tanto na importação quanto na exportação. E criticou os direitos trabalhistas no Brasil, mostrando a carga horária de trabalho da China que é maior do que a dos brasileiros, e que aqui se paga 13 salários por ano e se trabalha 11, enquanto na China é pago 12 e trabalham-se os 12. “É impossível competir com um país assim” argumentou ele.
Segundo ele, a crise nos Estados Unidos e Europa está diminuindo o Produto Interno Bruto (PIB) das grandes potências mundiais e, para manter o desenvolvimento, eles vão explorar países emergentes como o Brasil. “Nossas empresas precisam estar preparadas, pois todos querem sair da crise e para isso, é preciso vender mais, exportar e crescer”, salientou Martins.
Conforme Martins, poucos mercados internacionais estão mais bem posicionados que o Brasil para resistir à crise mundial, porque o País possui estabilidade política, reserva de moeda estrangeira de US$ 352 bilhões, endividamento externo zero, sistema financeiro sólido e capacidade significativa de tomar medidas de estímulo à economia, como as adotadas no Programa Brasil Maior. Ainda mais quando se avalia o grande crescimento das classes A, B e C, o que significa que as pessoas estão adquirindo mais, assim, consequentemente a economia cresce.
“Os Estados Unidos tem mil Steve Jobs por lá”
Quanto ao tema da palestra “mercados internacionais, é possível prever?”, Martins afirmou que devido, a instabilidade mundial, somente um vidente poderia arriscar uma previsão. “Todas as empresas devem conviver com o risco” diz ele. Em sua avaliação, a crise é inteiramente de confiança, ou seja, não existe confiança nem nos líderes, nem nos resultados. “Há um receio de um efeito dominó na economia mundial”, observou. E completou dizendo que o crédito é a única maneira de impulsionar a economia.
Ele lamentou a desindustrialização crescente, fruto da importação de produtos de países emergentes, especialmente a China, defendeu a desoneração de tributos para todos os segmentos da economia e cobrou maiores investimentos em logística e infraestrutura para aumentar a competitividade das empresas. Para ele, os exportadores precisam concentrar-se em produtividade, modernização de equipamento, internacionalização e principalmente, em inovação. “Nós temos que ser diferentes do que éramos no passado. Embora em crise, os Estados Unidos é a maior economia do mundo e o mais confiável ‘porto seguro’. Eles têm mil Steve Jobs por lá”, definiu Martins.