Por João C. Garavaglia
O vice-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Carlos Henrique Horn, fez uma avaliação do cenário econômico mundial, brasileiro e gaúcho em palestra na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC). De acordo com ele, o cenário internacional se apresenta complexo e instável.
As perspectivas são de baixo crescimento para a maioria dos países, excluindo a China, que, segundo Horn, acabou se tornando uma locomotiva mundial, tendo a previsão de se tornar do tamanho dos Estados Unidos como potência financeira em 2020. Entretanto, a situação da economia brasileira não o preocupa em curto prazo.
Horn percebe que em um ambiente mundial de incertezas o Brasil assume uma postura conservadora e desacelera seu crescimento. “A questão é se teremos uma política de desenvolvimento de longo prazo. É preciso colocar no topo das prioridades o problema da desindustrialização, só assim vamos resolver o problema da economia em longo prazo”, definiu Horn. Analisando os indicadores de crescimento brasileiro dos últimos anos,
Horn resumiu que o País tem voos de galinha, ou seja, tenta sair do chão, em um eterno vai e volta que não decola. Para ele, o setor externo sempre foi o calcanhar de Aquiles do Brasil. “As nossas reservas internacionais (em alta) nos permitem administrar pequenos choques externos. Mas o histórico de reação em tempos de crise é a moderação excessiva”, argumentou.
Na concepção do vice-presidente do BRDE, existem instrumentos de curto prazo para responder bem ao período internacional instável entre os quais ele citou: redução das taxas de juros do BNDES, diminuição do recolhimento compulsório bancário, uso das reservas internacionais para agir no mercado do câmbio, redução da taxa Selic e abatimento de impostos. O evento foi alusivo aos 50 anos do BRDE.