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Editorial

Edição N.: 825

A pátria de chuteiras


 


O futebol provoca comoções como nenhum outro esporte neste planeta terra. Talvez a exceção esteja nos Estados Unidos onde ainda há uma grande frieza, apesar do crescimento popular mostrado nos últimos anos, especialmente entre as comunidades latinas.


Mas no resto do planeta a adrenalina cresce de forma fantástica com a emoção à flor da pele quando se realiza uma Copa do Mundo. E nós, brasileiros, somos um dos mais apaixonados. Talvez os mais. Não é gratuito que somos o único país que participou de todas elas desde 1930 e também os que mais ganharam títulos, um total de cinco.


Nelson Rodrigues, num momento de inspiração, disse que “a seleção brasileira é a pátria de chuteiras”. E ele estava certo. A seleção tem um poder mágico, de unir todo o país, como ninguém consegue neste vasto continente chamado Brasil, tão diferente, de tantas etnias, culturas, gostos e simpatias. Por isso que quando vencemos ninguém vibra mais do que a gente, mas quando perdemos ninguém também sofre mais.


Dentro de quatro anos, este país apaixonado por futebol vai realizar, pela segunda vez, uma Copa do Mundo. A de 1950 foi tudo muito na base da improvisação, eram tempos diferentes embora tenhamos legado o monumental Maracanã, na época o maior estádio do mundo.


De útil, porém, aquela Copa não trouxe nada para o país, apenas uma imensa tristeza, talvez a maior de nossa história e ficamos taxados de fracos e incompetentes. Na época, ficou a imagem que o Brasil não tinha jeito, teríamos que nos conformar como uma nação de pessoas frouxas, sem perspectivas.


Agora, vamos ter a chance de mostrarmos ao mundo que o Brasil é outro país. Ela será realizada dentro de uma era tecnológica como nunca o mundo viu. A maior preocupação é como nos organizaremos, estamos a quatro anos da nossa e até agora pouco ou nada se fez em termos de infraestrutura, a começar pela construção dos estádios.


O Brasil terá que sofrer uma reestruturação em todas as áreas com pesados investimentos públicos nas cidades sedes. E, a partir daí, existe a preocupação de como este dinheiro será gasto e quem fiscalizará os investimentos. Em 2007 o Brasil, mais precisamente o Rio de Janeiro, deu um péssimo exemplo de como não administrar o dinheiro público no Pan-Americano.


Ficou provada a existência de superfaturamento nas obras realizadas e até agora nada ainda foi esclarecido e os responsáveis punidos. Imaginem se houve desmandos e desvios num pan, o que não pode acontecer numa Copa do Mundo, com os investimentos infinitamente maiores, se não houver uma rigorosa e responsável fiscalização e transparência por parte das autoridades.



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