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Editorial

Edição N.: 823
Tradição do Pompéia


Em matéria que está sendo publicada nesta edição da Gazeta, a boa nova de que o quase centenário Hospital Pompéia (1913) vai qualificar seu atendimento aos pacientes da SUS com ampliação do número de leitos. Para o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), da qual o Pompéia é pioneiro na região, serão construídos mais 67 leitos, além de mais dez para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), o que totaliza 77 novos leitos.

Atualmente, o Pompéia tem 302 leitos em sua estrutura e, destes, 60% são utilizados pelo SUS. As obras terão um custo de R$ 7 milhões, utilizando recursos próprios e através de financiamento junto ao BNDES.

O Pompéia, na verdade, mantém sua tradição de ser uma casa de saúde voltada a prestar sempre um serviço a toda comunidade independente da classe social dos pacientes. Isto é uma espécie de marca registrada desde sua criação ainda no início do século XX.

A ampliação para novos leitos vai melhorar e no mínimo minimizar a falta deles. Mas é inegável que o crescimento populacional da cidade tem sido vertiginoso nestes últimos anos e a demanda é cada vez maior, especialmente para pacientes do SUS, que se constitui numa grande parcela da população.

Então há sempre uma preocupação em melhorar as condições de atendimento, embora esta tarefa geralmente fique para a iniciativa privada. Apesar da revolução que a criação do SUS, por parte do governo federal, provocou no país, nem sempre os recursos disponíveis são os que realmente seriam necessários para que o atendimento e os serviços fossem mais eficientes. Especialmente quando se trata de realizar exames, marcar consultas, internamentos e cirurgias. Trata-se, na maioria das vezes, de uma verdadeira peregrinação e ter uma paciência de Jó para conseguir ser atendido. E quando o é, muitas vezes a doença se agravou e há necessidade de novos exames, que mais uma vez demorarão um longo tempo para serem realizados. Além da doença, pela demora, se agravar. É uma verdadeira via crucis.

Este é, sem dúvida, o maior desafio que o governo tem pela frente nos próximos anos, o de melhorar o funcionamento do SUS, repassar mais recursos para que os serviços de atendimento e exames sejam mais agilizados e para que também os hospitais autorizados tenham condições de criar cada vez melhores condições de infraestrutura.

Quem sabe algum dia chegaremos nos mesmos moldes de atendimento de saúde pública de países como Canadá, Inglaterra e a França, especialmente os dois primeiros onde o Estado investe grandes recursos proporcionando um serviço ágil e eficiente tanto na questão das consultas, exames, cirurgias e internamento dos pacientes. Quem sabe algum dia o Brasil também esteja neste patamar e que a população não dependa de planos de saúde para ter um atendimento diferenciado.


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