Edição N.: 830
A saúde passa mal
Os brasileiros estão mais descontentes com os problemas enfrentados na área da saúde do que com as condições de educação e trabalho, consideradas melhores no sul do país. É o que mostra uma pesquisa divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que leva em conta, de forma inédita, valores, vivências e percepções subjetivas da população.
Com o objetivo de mesurar o que os brasileiros sentem sobre estes três aspectos, os pesquisadores criaram um novo indicador de qualidade de vida: o Índice de Valores Humanos, construído a partir de 1.887 questionários aplicados a habitantes de 24 estados.
Em uma escala de zero a um, o IVH para a saúde não passou de 0,45 na média nacional contra 0,54 na área da educação e 0,79 na área do trabalho. Os entrevistados foram questionados sobre temas que fazem a diferença sempre que procuram ajuda na rede pública ou privada, em hospitais ou postos de saúde: o tempo de espera por atendimento médico, a linguagem usada pelos especialistas e o interesse demonstrado pelos profissionais.
Na região Sul, como era de esperar, o índice ficou um pouco acima da média, mas nada de se comemorar, 0,47, ainda, assim, abaixo do que os pesquisadores registraram no Sudeste e no Centro Oeste.
De um modo geral, 51% dos entrevistados consideraram o atendimento demorado. Para entender como os brasileiros se sentem em relação ao trabalho, foram incluídas questões sobre esgotamento emocional, falta de reconhecimento, realização profissional e liberdade de expressão nas planilhas.
A ideia era criar uma metodologia que levasse em conta uma maneira mais humana de medir o desenvolvimento. O resultado, especialmente no Sul do país chegou a 0,84. Tudo indica que no Sul há menos sofrimento no trabalho. O que chama atenção na pesquisa, na verdade, é que a grande insatisfação do brasileiro está relacionada com a saúde.
Isto não significa que a educação, no país, é uma maravilha, muito pelo contrário, há ainda graves problemas a serem solucionadas para se erradicar o analfabetismo e dar acesso mais fácil aos jovens sem recursos aos cursos superiores. A saúde, porém, é o que mais atinge a população mais pobre.
Mesmo com o esforço do SUS, para milhões de pessoas necessitadas tem se constituído num calvário para ter acesso a melhores condições de saúde. Diante das filas de espera para atendimento notadamente quando se trata de consultas com especialistas e cirurgias.
Como estamos em campanha eleitoral à presidência da República, espera-se que quem chegar ao comando da Nação possa buscar melhores soluções e tomar medidas mais concretas e não ficar apenas em promessas vãs, dos que já nos governaram nestes últimos anos e que pouco fizeram, criando condições, investimentos, para que o país possa, finalmente, fazer justiça social na saúde.