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Editorial

Edição N.: 833

Falta bom senso


 


Há um velho e surrado ditado que diz que “na briga entre o mar e o rochedo, quem leva a pior é o marisco”. Pois bem, esta citação pode ser muito bem trazida para a greve dos médicos do SUS em Caxias desde a última segunda-feira. Quem está levando a pior são as pessoas mais pobres e marginalizadas da população que, por não possuírem condições de terem planos de saúde privados, têm no atendimento do SUS a única opção. Estas pessoas são os mariscos.


Estamos diante de uma disputa arrogante e com a falta de bom senso tanto por parte dos médicos quanto da prefeitura. Os médicos, segundo o presidente do seu sindicato, não querem ser chamados de servidores municipais, mas sim de médicos.


Ora, se fizeram concurso são servidores municipais, sim. Ao fazerem o concurso eles se submeteram às regras estabelecidas e ao salário que estava sendo anunciado e que seria pago caso eles fossem aprovados.


Eles estão reivindicando um salário de sete mil e quinhentos reais para 20 horas de trabalho. O salário atual chega a três mil e quinhentos reais. E há muitas denúncias que muitos deles não cumprem os horários estabelecidos.


A prefeitura alega que não tem condições para dar tal aumento, mas embora diga que está aberta ao dialogo, este é de uma lentidão e morosidade que mais parece uma tartaruga.


Ora, se não há acordo, a prefeitura que trate de buscar novos instrumentos legais como a contratação de outros médicos que possam prestar atendimento, mas não deixar a população dependente do SUS prejudicada, especialmente crianças e os idosos que são os que mais sofrem com este descaso.


Parece-nos que tem razão o vereador Rodrigo Beltrão (PT) quando diz que a administração deveria usar do que chamou de tratamento político para resolver a paralisação parcial do sistema de saúde municipal.  


Segundo ele, o Ministério Público está cobrando dos médicos o cumprimento da carga horária mínima de trabalho. No entanto, a prefeitura opta por, na esfera judicial, exigir a retomada dos trabalhos desses colaboradores. 


Elói Frizzo (PSB) lembra também que, como concursados, os médicos do município precisam seguir os avanços salariais previstos para o cargo que ocupam. Lembrou que qualquer percentual de reajuste que obtenham terá efeito linear para todas as outras carreiras do funcionalismo.


O prefeito José Ivo Sartori está estabelecendo um prazo para entendimento junto ao Sindicato dos Servidores Municipais de Caxias do Sul (Sindiserv). Mas aí surge um impasse, pois o sindicato não aceita discutir a questão dos médicos sem, antes, resolver aumento real, de 8,93%, que reivindicam para todo o quadro de servidores. Enquanto isso a população mais pobre e carente sofre as consequências.


 



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