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Editorial

Edição N.: 855

Educação questionável




 




Tem causado muita polêmica o anúncio de que alunos até o terceiro ano não serão reprovados. Independente de notas e de aproveitamento escolar eles passam adiante. A exigência só viria a partir do quarto ano. Em outras palavras, o aluno nos três primeiros anos pode relaxar e não se preocupar se precisa estudar ou não para passar de ano.




Estamos diante de um fato questionável e que provoca muitas questões e muitas perguntas. Por exemplo, que tipo de aluno a escola vai preparar?




Qual será a motivação dos alunos, e porque não dizer dos professores, diante do quadro de se estudar e se interessar passa, se não estudar e não se interessar passa também?




E quando o aluno chegar ao quarto ano ele estará alfabetizado?  O fato de ele não precisar estudar porque será aprovado não estimulará a preguiça, o desleixo, a desmotivação, a indisciplina e a desobediência?




E os alunos que estiverem dispostos a estudar, a aprender para poderem chegar ao quarto ano em condições, como se comportarão diante da situação de que muitos de seus colegas também passarão de ano sem precisar estudar?




Que tipo de cobrança o professor fará aos alunos nos três primeiros anos se não há obrigatoriedade de aprová-los? Afinal, todos seguirão adiante se sabem ou não; se estudam, ou não; se mostram interesse,ou não? Que tipo de aluno a escola estará preparando para o futuro? Ele só será cobrado a partir do quarto ano?




Vamos ficar na questão da alfabetização. Se nos três primeiros anos o aluno não se interessar porque ele sabe que não precisa, a escola não estará criando um alienado?




Será um ignorante que ao chegar ao quarto ano enfrentará dificuldades terríveis para se adaptar, principalmente se ao seu lado estiverem alunos que mostraram interesse nos três primeiros anos e evoluíram enquanto ele estacionou ainda no primeiro ano?




Este modelo tende a ser um desastre com sequelas profundas, pois se pode criar uma geração preguiçosa e desinteressada, sem massa crítica, sem opinião sobre as coisas, alienada.




Nada melhor do que o velho modelo de se exigir desde pequeno as normas básicas do aprendizado, da alfabetização, da disciplina, dando a eles o sentido de responsabilidade e de comprometimento e fazendo da sala de aula um local de saber.




Se o aluno tiver dificuldades dá-se a ele aulas de reforço para se aprimorar. O que não se deve fazer é aprová-lo mesmo que ele não saiba nada. Porque além de prestar-se um desserviço à educação, ao aluno, e aos seus familiares, estará se contribuindo para a falência do ensino. Se a qualidade atual é deficiente, por uma série de motivos, o que será com este modelo de passar sem saber.



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