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História das copas Parte I
A Copa do Mundo, cuja abertura aconteceu na sexta com África do Sul e México, tem fatos curiosos nos 80 anos de história.
O Brasil é a única seleção que na verdade participou de todas as copas em suas 19 realizações a partir de 1930, realizada no Uruguai, tendo o país sede como o primeiro campeão.
O Brasil é também o país que tem o maior número de títulos, cinco copas conquistadas, uma a mais da Itália que tem quatro, contra três da Alemanha, dois do Uruguai e Argentina, uma da Inglaterra e outra da França. O Brasil pode chegar ao hexacampeonato e a Itália, se vencer, pode se igualar ao Brasil em cinco conquistas.
1930
Em 1930, na primeira Copa do mundo disputada no Uruguai e com a ausência de importantes seleções como as da Itália, Alemanha, Inglaterra, entre outras, a decisão foi entre Uruguai e Argentina com os celestes vencendo por 4x2. Cerca de 20 mil argentinos invadiram o Estádio Centenário para apoiar sua seleção, mas não foi suficiente, pois o Uruguai, bicampeão olímpico de futebol, 1924 e 1928, tinha um time melhor e venceu. No dia seguinte a embaixada uruguaia foi apedrejada em Buenos Aires pelos irados argentinos inconformados com a perda do mundial.
Sexto lugar
Guilhermo Stábile, atacante argentino, com oito gols, foi o artilheiro da Copa. O Brasil ficou em sexto lugar jogando apenas duas partidas, ganhou da Bolívia por 4x0 e perdeu para a Iugoslávia, por 2x1. Na verdade, quem nos representou foi uma seleção carioca, pois os paulistas se negaram a ceder jogadores. Que tempos aqueles!
1934
Na Copa de 1934, disputada na Itália, o Uruguai não compareceu como não compareceria em 1938, em represália porque a Itália e outros países europeus não haviam comparecido na Copa de 1930. Os italianos, com quatro jogadores argentinos e um brasileiro, Filó, todos de origem italiana, tinham a melhor seleção da Europa e insuflados e sob ameaças do ditador Benito Mussolini, que via na Copa a chance de fortalecer o fascismo, venceram e Tchecoslováquia, por 2x1, no jogo final, e sagraram-se campeões. O Brasil teve mais uma participação pífia, ficando em 14º lugar só tendo jogado uma partida contra Espanha e derrotado por 3x1.
1938
Em 1938, na França, a Itália voltava a vencer sagrando-se bi mundial mantendo a base do forte time de 1934. O Brasil, finalmente, aparecia aos olhos do mundo com o seu futebol técnico e bonito e mostrando aquele que foi o nosso primeiro grande craque, o atacante Leônidas da Silva, artilheiro da Copa com oito gols e que maravilhou os franceses que o apelidaram de “Diamante Negro”.
Rádio
Chegamos em terceiro lugar com três vitórias, dois empates, e uma derrota, que foi fatal, para a Itália, por 2x1, nas semifinais,depois de uma falha lamentável do zagueiro Domingos da Guia e que o atacante Giuseppe Meazza (que leva o nome do estádio da Inter em Milão) não perdoou. Os italianos, na final, derrotaram a Hungria por 4x2 e o Brasil venceu a Suécia também por 4x2, na disputa pelo terceiro lugar. Pela primeira vez o rádio brasileiro esteve numa Copa na voz de Gagliano Netto, através da Rádio Club do Brasil, PRA-3.
Alto falante
Os brasileiros acompanharam a Copa com muita emoção. Fato curioso aconteceu em Caxias quando do jogo entre Brasil e Itália. Foi instalado um serviço de alto falante na Praça Dante Alighieri com a reprodução do jogo pelo rádio. A praça lotou, com a grande maioria sendo descendentes de italianos. Quando a Itália marcou o segundo gol e venceu houve uma grande comemoração inclusive com espocar de foguetes.
1950
Com a guerra em 1939 a competição foi interrompida e só voltou em 1950 tendo o Brasil como sede. O Uruguai acabaria conquistando seu bi mundial depois de nos vencer por 2x1, no jogo final. O Brasil tinha uma seleção muito forte principalmente seu ataque que massacrou a Suécia por 7x1 e a Espanha por 6x1 e o artilheiro da Copa, Ademir de Menezes com nove gols. Mas tínhamos uma defesa fraca e muita arrogância, falta de humildade na hora de decidir, achávamos que já tínhamos ganhado a Copa antes de ela ser decidida. Esquecemos que no outro lado havia o Uruguai e sua garra, valentia e tradição. E bom futebol.
Itália
A Itália, que era uma das favoritas, veio sem vários titulares, pois em maio de 1949, um acidente aéreo matou toda a delegação do Torino, que era o melhor time da Europa. O Torino tinha oito titulares da Squadra Azzurra.
E provavelmente se tivesse podido contar com eles iria dar muito trabalho. Com uma seleção desentrosada foi eliminada pela Suécia.
Argentina
A Argentina, que tinha uma das melhores seleções do mundo, com cracaços como Di Stefano, Nestor Rossi, Labruna, Pedernera, Lostau e outros, e era uma das favoritas para ganhar a Copa, não compareceu. Ocorre que em 1946, na final do Sul-Americano, em Buenos Aires, entre Argentina e Brasil, os argentinos venciam por 2x1 quando houve uma batalha campal depois de um gol do Brasil anulado, e que teria sido legítimo.
Relações cortadas
Os jogadores brasileiros reclamaram e acabaram sendo espancados por policiais argentinos que entraram no gramado. Alguns atletas saíram feridos, entre eles Tesourinha e Zizinho, os dois craques do time, que foram conduzidos a um hospital de Buenos Aires. A seleção retirou-se do gramado em protesto e a Argentina nos venceu por 2x1, sagrando-se campeã. O Brasil cortou relações esportivas com os portenhos, só em 1956 reataram.
Zebra
Na Copa de 1950 aconteceu umas das maiores zebras dos 80 anos da Copa talvez comparada com a e eliminação da Itália, pela Coréia, na primeira fase da Copa de 1966, na Inglaterra. A seleção da Inglaterra, que pela primeira vez participava de uma Copa do Mundo (eles não reconheciam sua validade até então) chegou ao Brasil com aquela tradicional banca dos britânicos.
Lavador de pratos
E para a suprema humilhação acabariam perdendo para a modesta e amadora seleção dos Estados Unidos, montada as pressas com trabalhadores, por 1x0. Tanto é verdade que o autor do gol Jee Gaetjens, não era americano, mais haitano. Imigrante lavava pratos num restaurante em Nova Iorque. Morreu assassinado em seu país. O jogo foi realizado em Belo Horizonte no estádio Independência e os ingleses estavam fora da Copa. A gozação foi insuportável para os “inventores do futebol”.
1954
O Brasil foi para Suíça, em 1954, sem nenhum jogador da excelente seleção de 1950, apenas reservas daquele time que se tornariam titulares quatro anos depois como Nilton Santos, Pinheiro e Baltazar. Há quem aposte que Ademir de Menezes e Zizinho ainda tinham futebol para serem titulares em 1954, mas eles não foram chamados, marcados equivocadamente pela derrocada para o Uruguai no Maracanazo.
Fiasco
Desorganizados dentro e fora do campo acabamos sendo eliminados depois de levarmos 4x2 e um banho de bola da Hungria. Em sete minutos eles já tinham feito 2x0, mesmo que o grande Puskas, machucado, não jogou. No final do jogo houve uma grande briga que prosseguiu vestiário adentro evolvendo os jogadores das duas seleções. Um fiasco só. Numa prova de como estávamos desorganizados ocorreu quando enfrentamos a Iugoslávia.
Desinformação
O regulamento determinava que o empate classificava os dois para outra fase. O resultado estava empatado em um gol, mas o Brasil queria ganhar. Os jogadores iugoslavos faziam sinal para o marcador de 1x1 como se dissessem não há necessidade de se esforçar tanto. Os jogadores do Brasil não sabiam de nada e continuavam em busca do segundo gol achando que só a vitória classificaria o Brasil. Quando terminou, muitos acharam que o Brasil estava fora. Só depois souberam que o Brasil estava classificado com o empate. Um vexame só.
Relatório
Outro fato que ficou marcado na Copa de 1954 é que nos bastidores se comentou da existência de um relatório “onde atletas negros ou mulatos eram considerados frouxos e que tremiam na hora das decisões”, numa referência também a Copa de 1950, onde os negros Babosa, Bigode e Juvenal foram considerados os maiores responsáveis pela derrota para o Uruguai. Em 1954 teriam sobrado críticas ao goleiro Veludo, a Djalma Santos, Brandãozinho e Baltazar, todo atletas negros. Tanto que quatro anos depois, na Copa de 1958, nos dois primeiros jogos da seleção, apenas um negro, Didi, era titular. Mas esta é outra história.
Hungria
No jogo final, a Hungria, depois de fazer 2x0, na Alemanha, nos primeiros minutos acabou perdendo por 3x2 naquela que é considerada a maior “tragédia“ da história das copas. Puskas, o grande craque húngaro, lesionou-se no primeiro tempo a ficou em campo apenas fazendo número, pois o regulamento não permitia substituições a não ser dos goleiros em caso de lesão. Na fase inicial da Copa a Hungria havia massacrado a mesma Alemanha por 8x3. A derrota por 3x2 foi a primeira da célebre seleção desde 1948, formada com atletas do exército húngaro.
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