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Os grandes fracassos da seleção brasileira
Engana-se quem acredita - como andaram escrevendo - que a eliminação do Brasil contra a Holanda foi a mais impactante de todas as copas. O Brasil é o único país que participou de todas as copas desde 1930 e há eliminações muito piores e vexatórias.
Por João C. Garavaglia
1930
Tudo começa com a nossa primeira participação na Copa de 1930, no Uruguai, além de irmos com uma seleção dividida, formada apenas por jogadores cariocas, pois os paulistas se negaram a ceder jogadores, fomos praticamente eliminados no primeiro jogo quando perdemos para a Iugoslávia por 2x0. Jogamos mais uma partida, mas já estávamos fora quando vencemos a Bolívia por 4x0. O Uruguai ganhou depois de vencer a Argentina, por 4x2, na final.
1934
Em 1934, na Copa da Itália, fomos eliminados no primeiro jogo quando perdemos para Espanha, por 3x1, e voltamos para o Brasil, de navio, as viagens eram assim naqueles idos. Um vexame só.
1938
Na Copa de 1938 na França fomos muito bem. Ficamos em terceiro lugar, era até então o nosso melhor desempenho. Depois de vencermos a Polônia por 6x5, empatamos com a Tchecoslováquia em um gol, vencemos a mesma Tchecoslováquia por 2x1. Mas nas semifinais perdemos para a Itália por 2x1, num jogo em que houve uma falha clamorosa do zagueiro Domingos da Guia no segundo gol italiano. Toda a torcida francesa, que detestava a Itália, o seu fascismo torceu pela nossa seleção. Na decisão do terceiro lugar ganhamos da Suécia por 4x2.
1950
A Copa, por causa da guerra, só voltaria a ser realizada em 1950 e o Brasil foi o país sede. A geração da Copa de 1938 com Leônidas e Cia não teve mais chances de disputar as copas de 1942 e 1946. Em 1950, ao perder para o Uruguai por 2x1a final virou um pesadelo eterno. O Brasil tinha uma grande seleção e vinha de duas grandes goleadas, 7x1 na Suécia e 6x1 na Espanha e o Uruguai tinha empatado sem gols com a Bolívia e em dois gols com a Espanha. Éramos favoritaços.
6x1
Um ano antes praticamente as duas seleções, com as mesmas formações (com exceção do notável atacante gaúcho, Tesourinha, titular absoluto, que não disputou a Copa porque dois meses antes de seu início operou os meniscos), haviam jogado no Rio pela Copa América e o Brasil goleara impiedosamente o Uruguai por 6x1. Mas na hora de decidir a Copa, deu a celeste, muito também pela arrogância e soberba do Brasil dentro e fora do campo e da mídia carioca oba-oba. Um empate chegava, estávamos vencendo por 1x0, mas mesmo assim acabamos perdendo. O atacante Ademir de Menezes, “O Queixada”, foi o artilheiro da Copa com nove gols. Até hoje ele é o maior artilheiro do Brasil em apenas uma Copa.
1954
Na Copa de 1954 na Suíça fomos eliminados nas quartas-de-final, a exemplo de agora na África depois de levarmos sonoros 4x2 da Hungria, fora o baile. Não foram convocados os melhores jogadores. Zizinho e Ademir de Menezes da seleção de 1950 ainda tinham condições, mas não foram chamados. A seleção era uma grande esculhambação, dentro e fora de campo. Nem o regulamento sabíamos, pois na primeira fase, depois de empatarmos com a Iugoslávia em um gol, acreditávamos que estávamos fora da Copa. Só no final do jogo os atletas ficaram sabendo que o empate bastara para se classificar para as oitavas.
1966
Após ganharmos com autoridade e com duas grandes seleções (especialmente a de 1958, na Suécia, a partir das entradas de Pelé, Garrincha, Vavá e Zito no time), e a de 1962 onde Garrincha fez a diferença no Chile veio o fiasco na Inglaterra, em 1966, um dos maiores do Brasil numa Copa. Fomos eliminados na primeira fase depois de vencermos a Bulgária por 2x0 e perdermos para a Hungria por 3x1 e para Portugal pelo mesmo marcador, fora o baile de Euzébio a CIA. De bom daquela seleção é que saíram Jairzinho, Tostão e Britto, que seriam importantes na Copa do México quatro anos depois. Mas o fiasco foi grande.
1974
Depois de vencermos espetacularmente a Copa de 1970 com gols de Pelé, Tostão, Jarzinho, Rivelino e Cia, fomos para a Alemanha sem Pelé que resolveu se aposentar em 1973, aos 33 anos. Tínhamos um time bom, com alguns jogadores de qualidade técnica como Rivelino, Jairzinho, Clodoaldo, Ademir da Guia, Paulo César Carpeggiani, Dirceu, Leão, Marinho Perez, além do excelente Valdomiro, quer, juntamente com Carpeggiani, jogavam no Internacional.
Soberba
Chegamos à semifinal quando enfrentamos a Holanda, a poderosa Laranja Mecânica. Na semana do jogo, Zagalo, cheio de soberba, disse que “não estava preocupado com a Holanda e que não havia necessidade de ver como ela jogava”. Chegou ao ponto de dizer que “quem tem que se preocupar com o Brasil é a Holanda”. Jogamos abertos, fomos para cima e levamos 2x0 ao natural de um time que sabia se defender e atacar com perfeição sob a batuta do genial Cryuff. Depois na decisão do terceiro lugar desmotivados e sem tesão, perdemos para Polônia por 2x0.
1978
Em 1978, na Argentina, o treinador Cláudio Coutinho, cujo único mérito era ter sido campeão carioca pelo Flamengo, na hora de convocar cometeu uma das maiores injustiças da história da seleção ao não chamar Paulo Roberto Falcão, no esplendor dos seus 24 anos, no seu lugar, o truculento Chicão do São Paulo. Até que fizemos uma campanha razoável embora nunca tenhamos tido atuações de encher os olhos. Nas semifinais, ao empatarmos com a Argentina em zero a zero, fomos eliminados. Depois, para decidir o terceiro lugar ganhamos da Itália, por 2x1, e acabamos como campeões morais e morremos virgens.
1982
Em 1982 tínhamos formado uma seleção de jogares talentosos, como Falcão, Sócrates, Zico, Leandro, Eder, Junior, Toninho Cerezo, entre outros. Mas na hora de enfrentar a Itália, que depois de uma opaca apresentação na fase inicial cresceu e se arrumou nas outras fases, o Brasil se quebrou. Jogando aberto e franco, nós, que tínhamos uma defesa vulnerável, demos generosos espaços para a Itália nos vencer. Mesmo que precisássemos apenas de um empate, quando Falcão empatou o Brasil continuou atacando e Paolo Rossi nos matou no contra-ataque. Telê, ao invés de colocar o Batista e retirar um dos tantos jogadores ofensivos, preferiu trocar um atacante por outro, Serginho por Paulo Isidoro. Foi a derrota da soberba contra a organização tática da azzurra.
1986
Em 1986, no México, tínhamos uma seleção de jogadores velhos como Zico Sócrates, Falcão e outros. Não firmamos um bom time. Antes de embarcar para o México Telê, num excesso de moralismo, dispensou Renato Gaúcho e Eder, dois dos melhores atacantes do futebol brasileiro naquele momento, por questões disciplinares.
Solidariedade
O lateral Leandro que também chegou atrasado na concentração, mas talvez por ser do Flamengo não foi dispensado, se autodispensou em solidariedade a Renato, que na época era jogador do Grêmio. Eder era do Atlético-MG. Fomos eliminados pela França nas penalidades com destaque para Zico que errou um pênalti quando o jogo estava empatado no tempo regulamentar.
1990
Em 1990 vivemos a era Lazzaroni/Dunga. Foi uma seleção muito deficiente a que foi para a Itália e acabamos sendo eliminados pela Argentina. Em 1994, tendo ainda alguns jogadores que haviam fracassado na Itália, acabamos vencendo a Copa do EUA graças especialmente a Romário e Bebeto.
1998
Na França, em 1998, chegamos como candidatos, acabamos indo à final quando aconteceu um problema de saúde com Ronaldo Nazario que até hoje não foi explicado. Na final, contra a França, não jogamos bem e fomos derrotados. Houve quem levantasse que o Brasil teria vendido o jogo para a França ganhar. Ninguém acreditou. A França foi melhor mesmo.
2006
Quatro anos depois, em 2002, vencemos a Copa na Ásia com Felipão e Ronaldo Nazário e Rivaldo em grande momento. Mas, em 2006, na Alemanha, voltou o fiasco sob o comando do Parreira. Uma seleção apática e desinteressada, que acabou sendo eliminada pela França num lance bisonho do Roberto Carlos que pegou a bola com as mãos como se ela fosse um melão dentro da área.
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