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26/02 às 22:21 EDUCAÇÃO
 

O Mundo dos sinais

Um mundo de silêncio. Assim vivem os surdos, mas nem o fato de viverem onde nada se ouve os impede de se comunicarem e buscarem conhecimentos.

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Foto por Maiara Calgaro
Surdos se comunicam em qualquer lugar do mundo.
Surdos são pessoas que não fazem de sua condição um limite para alcançar seus objetivos, mas sim uma ponte para descobrir novas fronteiras. O mundo dos surdos é especial e diferente. Ele se revela cercado de luzes, cores, movimentos, expressões e tudo que se pode absorver com os olhos. Mas nele não existem sons. A comunicação é feita por meio da língua brasileira de sinais, denominada Libras.
 
 
Para entender um pouco mais desse mundo a Gazeta de Caxias foi até a Escola Municipal de Ensino Fundamental Helen Keller conversar com a diretora Maria Alice Rodrigues.
 
Escola
Com cerca de 160 crianças, a escola atende nos turnos da manhã, tarde e noite. Ela possui alunos vindos de vários bairros e distritos do município e de cidades vizinhas como: Carlos Barbosa, Farroupilha, Gramado, Garibaldi, Flores da Cunha, São Marcos, pelo fato e ser a Escola Helen Keller a única da região nordeste do Estado que trabalha com educação de surdos. A escola possui alunos que recebem atendimento desde a Intervenção Comunicativa até a 8ª série do Ensino Fundamental, atendendo também a alunos Surdos com outras deficiências associadas. “Todo aluno que é diagnosticado a surdez ele é encaminhado para a escola Helen Keller,” afirma a diretora.
 
Família
Alguns pais levam um verdadeiro susto ao ser diagnosticado a surdez de seus filhos. O pior é constatar que muitos pais de crianças surdas simplesmente não se interessam em aprender a língua de sinais, comenta Maria Alice. “Toda família espera ter um filho perfeito, quando a família descobre a surdez de seu filho, deve fazer o ‘luto’ desse filho que não é prefeito para depois aceitar o filho e a doença”, lamenta. A questão da comunicação do surdo com a família através da língua de sinais é muito complicada, comenta a diretora. “Há grupos familiares que possuem poucos sinais ou nenhum”.
 
Libras
A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS- é reconhecida como a comunicação e expressão entre as comunidades de pessoas surdas no Brasil. “É como as diversas línguas existentes, ela é comporta por níveis linguísticos como fonologia, morfologia, síntese e semântica. Não são apenas gestos aleatórios, é uma língua com toda a sua formação”.
 
Sinais
Os sinais surgem da combinação de configurações de mão, movimentos, e de pontos de articulação. A única diferença é sua modalidade viso-espacial. Sendo assim, para se comunicar em Libras não basta apenas conhecer os sinais; é necessário conhecer a sua gramática para combinar as frases, estabelecendo comunicação.
 
 
 
 
 
“E hoje o surdo vem
 conquistando o seu
 espaço na sociedade”
 
 
 
 
 
Há quem diga que a língua dos sinais possui até sotaque de quem a utiliza. “Alguns sinais utilizados em Caxias do Sul são diferentes de sinais utilizados em Porto Alegre, por exemplo. Há diferenças em algumas palavras, e existe gírias da mesma forma que a língua portuguesa ou outras línguas”, afirma Maria Alice.
 
Professores
Os 40 profissionais que trabalham com a educação de surdos na Escola Helen Keller acreditam que o surdo é membro de uma minoria linguística e cultural, tendo possibilidades de desenvolvimentos semelhantes a qualquer outra pessoa ouvinte. O surdo é respeitado como diferente, porque faz uso de uma Língua gestual – visual, fazendo parte de um grupo onde as produções culturais e suas intervenções têm significado.
 
Língua
Conforme Maria Alice, quem não tem conhecimento da língua de sinais, acredita que são apenas gestos aleatórios. A aquisição e o desenvolvimento desta Língua lhes garantem o desenvolvimento cognitivo, lingüístico e afetivo. O surto tem o direito de se organizar em grupo, mantendo sua identidade linguística e cultural. Da mesma forma tem direito a freqüentar uma escola especial, onde possa fazer uso de sua Língua natural a conviver com seus pares. “Surdos se comunicam em qualquer lugar do mundo”, garante Maria Alice.
 
Capacidade
Segundo Maria Alice, na sociedade não há o entendimento da capacidade dos surdos. Há surdos que já possuem graduação e até pós-graduação, mas mesmo assim há exclusão, afirma. “O surdo antigamente era visto como deficiente mental e hoje ele vem conquistando o seu espaço na sociedade, isso prova que está ocorrendo essa mudança”.
 
Objetivo
A Escola tem como objetivo proporcionar aos estudantes um ambiente linguístico com diferentes modelos favoráveis à construção de identidade surda, bem como da construção da cidadania, dos conhecimentos formais e informais, oportunizando interações entre a comunidade e a Escola. A Escola entende o Surdo como sujeito capaz e com necessidades específicas para isto, incluindo-se a questão da comunicação que deve ser feita através da língua natural do Surdo, ou seja, da Língua de Sinais.
 
História
Em 22 de agosto de 1960, liderada por um grupo de pais de crianças surdas que necessitavam de um atendimento diferenciado para dar conta de suas especificidades, deu-se início, em Caxias do Sul, à Educação de Surdos. “Atendemos surdos com outras deficiências também, como surdos cegos, surdos esquizofrênicos, surdos cadeirantes, surdos autistas. Não há limite de idade entre os alunos, atendemos desde bebês até pessoas idosas. Já tivemos alunos com mais de 50 anos”, conta a diretora.

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