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05/03 às 09:21 EDUCAÇÃO
 

Olhos que tudo sentem

Enxergar é mais que ver a luz. É ajudar o próximo, como se estivesse ajudando a si mesmo.

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Foto por Maiara Calgaro
Cleinara: “O que realmente nos interessa é desenvolver as habilidades de cada um”.
Com 25 funcionários a APADEV - Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais - atende 180 usuários de 0 a 94 anos, buscando oferecer oportunidades de educação e reabilitação visando a inclusão escolar, profissional e psicossocial.
História
A Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais – APADEV, foi fundada em 29 de novembro de 1983, por um grupo de pais e pela professora Miriam da Rosa Sirtoli com a finalidade de educar e reabilitar pessoas portadoras de deficiência visual (cegueira e visão subnormal).

25 anos
“Hoje com 26 anos, instituição busca desenvolver a área de reabilitação, terapêutica e ocupacional, dando apoio escolar para os deficientes visuais se inserir na sociedade” comenta a coordenadora técnica pedagógica da APADEV Cleinara Pires Cardoso.
 Inclusão
Os aspectos considerados essenciais para a inclusão social incluem: reabilitação pessoal, promoção humana e cultural, geração de emprego e situações de renda, possibilidades de acesso à informação e à educação e desfrute do tempo livre. Conforme a coordenadora da APADEV “existe muita dificuldade em se incluir, a realidade é que as escolas e professores não estão preparados para receber alunos deficientes. A APADV procura facilitar isso, produzindo material, indo na escola, dando orientação para os professores. A única coisa que o deficiente visual não pode fazer é dirigir. O restante ele está apto a fazer. Qualquer coisa que ele tenha vontade e uma preparação para isso”
Objetivo
Oportunizar educação e reabilitação a pessoas com deficiência visual, visando a inclusão escolar, profissional e psicossocial está entre os principais objetivos da APADEV. Promover sensibilização da sociedade para as questões da deficiência visual e a importância da prevenção e intervenção precoce. Cleinara Cardoso finaliza lembrando que “o nosso objetivo aqui na APADEV é buscar as potencialidades e descobri junto com eles o que eles podem fazer. As deficiências deles nós já sabemos, já foi diagnosticados. O que realmente nos interessa é desenvolver as habilidades de cada um”.
Oportunidade
Através da oferta de Programas de Atendimento e Serviços de Apoio a APADEV oportuniza às pessoas portadoras de deficiência visual, (cegueira ou visão subnormal, associada ou não a outras deficiências), a possibilidade de integração aos diferentes segmentos da comunidade.
Abrangência
Os atendimentos oferecidos a usuários residentes em Caxias do Sul e outros Municípios do Estado baseiam-se na ação interprofissional e sendo norteadas pelos princípios de inclusão, individuação e normatização. “Somos um centro de excelência que atende todo o estado. Cuidamos de todas as necessidades de deficiências visuais. Temos usuários de Gramado, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Quaraí e diversas outras cidades. Para deficientes que moram longe tentamos buscar um centro mais próximo à eles, mas têm famílias que se dispõem a vim até Caxias para o tratamento” diz a coordenadora.
 
 
“A cegueira é uma
deficiência muito gratificante
de se trabalhar. Os alunos dão
retorno muito grande”.
 
 
Sede
Em 1992 a entidade passou a funcionar em sede própria, quando foi estruturado o Centro Educacional para Deficientes Visuais, contando com recursos físico-ambientais adequados à execução de seu plano de ação. A sede da entidade foi idealizada e construída pelo Rotary Club Caxias do Sul – Cinqüentenário, em campanha que contou com o apoio do Rotary Club Caxias do Sul e Rotary Club Caxias do Sul – Imigrante, Casa da Amizade, Poder Público Municipal, iniciativa privada e comunidade em geral.

Doações
Os serviços prestados pelo Centro Educacional são mantidos com doações mensais da iniciativa privada, comunidade, recursos públicos provenientes de Convênios (Programas de Ação Continuada – FNAS, Conselho Municipal de Assistência Social – FMAS) e Projetos enviados para diferentes órgãos financiadores. “Basicamente é pelo poder privado, através de doações e carnes. Até mesmo os objetos utilizados como computadores e outros materiais vêm através de doações” afirma Cleinara.
Braile
O braile é o sistema de leitura para cegos. Épor meio dele que eles possibilidades; começam a trocar informações e interagir no meio em que vivem. O método criado pelo francês Louis Braile é um alfabeto convencional cujos caracteres são indicados por pontos em relevo. Com ele podem ser representadas letras simples e acentuadas, pontuações, algarismos, sinais algébricos e notas musicais. O braile começa a ser escrito da direita para a esquerda, pois, depois, tem-se que virar o papel para ler. Todas as letras são criadas por pontos.
Interesse
 “Ensinamos o braile para a criança com cegueira e para um familiar que tenha interesse em aprender. Além disso, ensinamos para o professor da escola que a criança freqüenta. O interesse em aprender varia de pessoa para pessoa, muitos idosos não têm interesse em aprender, outros adultos que vieram a ficar cegos com o tempo também há pouco interesse. Ninguém é obrigado em aprender, depende do interesse de cada pessoa” justifica Cleinara.
Família
Para a família de um deficiente visual geralmente é um choque quando diagnosticada a cegueira. A APADEV vem sempre se esforçando e trabalhando no processo do luto. “Para nós, o luto é um trabalho constante. Quando tratamos de bebê que nasceu cego ou venha ficar cego ainda quando criança, nós trabalhamos muito o luto na família. Quando é adolescente além da família temos que trabalhar isso com o próprio adolescente. Quando a pessoa venha a perder a visão quando adulto o trabalho é maior ainda, pois a pessoa já estava acostumada a ver, o luto é constante independente da idade. Porém, muitas vezes, quando os deficientes visuais resolvem entrar na APADEV muitos já passaram o luto”, afirma a coordenadora.

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